Pela glória no Nueva Olla

Após 10 meses de disputa, a Copa Sul-Americana terá seu campeão definido neste final de semana em sua primeira final de jogo único na história

Está tudo pronto para Colón e Independiente Del Valle definirem quem será o segundo campeão continental da temporada na América do Sul. Neste sábado, argentinos e equatorianos ficam frente a frente em Assunção, buscando o primeiro título internacional em suas histórias ao decidirem a Copa Sul-Americana.

Para o Del Valle, chegar ao cenário de uma final sul-americana não é novidade alguma. Em 2016, então treinado por Pablo Repetto, o clube surpreendeu e foi vice-campeão da Libertadores, sendo superado apenas no último confronto contra o Atlético Nacional graças ao gol marcado por Miguel Borja.

Já o Colón vive pela primeira vez as sensações de atingir o maior cenário futebolístico deste pedaço de terra incrustado entre o Pacífico e o Atlântico. Antes disto, sua campanha de maior destaque em torneios continentais aconteceu em 1997, quando caiu para o Lanús na semifinal da Copa Conmebol.

No caminho para esta grande final, as duas equipes precisaram lidar com oscilações e demonstrar poder de reação diante de algumas adversidades. Ao mesmo tempo, conseguiram oferecer bom futebol e construir méritos mais do que suficientes para figurarem como os melhores da competição, com destaques de qualidade para se observar.

ANTES DE TUDO, DEFENDER

Para o Colón, a palavra de ordem é reatividade e tentar, antes de tudo, não deixar a sua meta ser vazada. O time de Pablo Lavallén prefere entregar a bola ao adversário, absorver as investidas e atacar a partir dos espaços deixados na defesa oposta. Nesta lógica, encontraram a trilha do sucesso, demonstrando ainda ser um time atento aos erros do rival para aproveitar as oportunidades.

Claro que foi necessário propor o jogo e correr mais riscos em algumas partidas, e isso expôs tanto virtudes como pontos fracos na equipe sabalera. E uma das maiores deficiências exibidas pelo Colón não apenas na Sul-Americana, mas também durante todo ano de 2019, foi a transição defensiva. Após perder a bola, sobretudo em campo ofensivo, o time mostrou dificuldades para pressionar, além de sofrer com muita lentidão para a recomposição. Entre outros fatores, a alta média de idade do elenco contribui para isso. Para se ter uma noção, o sexteto titular de meio e ataque do 4-4-2 armado no jogo de volta contra o Atlético-MG, nas semifinais, tinha média de 30,3 anos.

Por outro lado, este envelhecimento do time coloca em ação toda a técnica e a qualidade de Luís Miguel Rodríguez. Nenhum jogador possui tanta influência nas ações ofensivas do Colón quanto ele. Aos 34 anos, o meia-atacante segue exuberante com a bola no pé. Inteligente para ler os espaços que ocupará, confunde a marcação com sua movimentação ora vertical para se posicionar em condições de finalizar, ora flutuando para se aproximar da bola no momento da construção. E o controle que La Pulga exerce na dinâmica da equipe é traduzido em números. Com 4 gols e 4 assistências na Sul-Americana, teve participação direta em 8 das 16 ocasiões onde os argentinos balançaram as redes.

Quem também merece atenção é o centroavante Wilson Morelo. O experiente colombiano de 32 anos é uma ameaça nos últimos metros do campo com sua mobilidade. Com apenas 1,72m, leva risco para a defesa oponente a partir de seus deslocamentos buscando as costas dos zagueiros, para ter oportunidades com a maior liberdade possível. Destaque por ter sido um dos artilheiros da Libertadores em 2018, Morelo segue com seu senso de oportunismo intocado.

QUALIDADE FEITA EM CASA

Assim como foi em 2016, o Independiente Del Valle produz mais uma bela campanha continental repleto de jogadores formados em sua categoria de base. A cantera do clube é uma das melhores estruturadas na América do Sul e vem revelando talentos com regularidade. O melhor exemplo disso é o fato dos três dos principais destaques da Seleção Sub-20 Equatoriana em 2019 – Gonzalo Plata, Stiven Plaza e Jordan Rezabala – terem surgido justamente nos negriazules.

Embora estes já tenham partido, o técnico espanhol Miguel Ángel Ramírez ainda consegue desfrutar de bons valores produzidos ali, se baseando nisto para armar uma equipe de muita dinâmica e velocidade, capaz de se adaptar às exigências de diferentes adversários e contextos. Seja no 4-3-3 ou no 4-1-4-1, a regra para os rayados nesta Copa Sul-Americana é apostar na verticalidade e nos contra-ataques fora de casa, enquanto em seus domínios se valoriza a posse da bola com interações mais próximas entre os atletas.

Ao atuar de modo mais objetivo, os papeis de Cristian Dájome e Jhon Sánchez ganham maior importância. Os extremas do Del Valle são os principais escapes do time na hora de explorar os espaços na defesa adversária, imprimindo alta velocidade e qualidade para definir as jogadas, seja com assistências ou gols. Além disso, são fundamentais ao pressionar a saída de bola adversária no momento de transição defensiva.

Por outro lado, em momentos de pausa e construção, os experientes Cristian Pellerano e Efrén Mera, auxiliados pelo jovem Alan Franco, influenciam o jogo da equipe. Ao invés das beiradas, o centro do campo passa a ser o ponto focal de trabalho, prezando por uma distribuição bem executada da bola, com Mera e Franco livres para buscar as melhores oportunidades de passe em direção ao ataque.

Impossível falar da campanha dos equatorianos no torneio sem citar a contribuição de Alejandro Cabeza. Mesmo sem ser titular absoluto no Independiente Del Valle, o atacante de 22 anos venceu o goleiro adversário em 4 oportunidades e assistiu seu companheiros 3 vezes. Saindo do banco, pode ser uma arma e tanto para agredir o Colón.

Agora, é esperar a hora chegar e desfrutar de uma antessala de luxo para a decisão da Libertadores, que acontece no final do mês. A história aguarda para abraçar sabaleros ou rayados no Paraguai.

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