Por quê o Bahia sofre tantos gols de bola parada?

Falta de concentração, mau posicionamento, postura corporal relaxada e mérito do adversário, são alguns dos diversos motivos os quais explicam o alto número de gols sofridos em bolas paradas em 2020

Diante de um cenário de amplo acesso a informação, análises profundas, verdadeiros jogos de xadrez, qualidade individual similar e equipes buscando a consolidação de ideias, a bola parada ganha protagonismo na luta pelo famigerado resultado.

Os treinamentos específicos que precedem as partidas, contam com orientações direcionadas para explorar as fraquezas do adversário e potencializar as próprias virtudes. Seja ao defender ou atacar. Em um escanteio, falta ou até mesmo arremesso lateral.

Segundo o professor Jorge Castelo, entre 25 e 50% das situações de finalização e de criação das situações de finalização são originadas a partir da bola parada. Além disso, os confrontos entre equipes semelhantes são cada vez mais decididos por gols derivados de escanteios, faltas laterais, faltas diretas, pênaltis ou arremessos laterais.

E nesta temporada, sofrer gols de bola parada tem sido algo recorrente no Bahia. Dos 30 gols sofridos na Copa do Nordeste, Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileiro, um total de 43,3% (13 gols) tiveram origem a partir de uma bola parada.

Um índice bastante significativo e que apresenta diversos motivadores como causa. E para entender as causas, o Footure realizou um levantamento e analisou em texto e vídeo todos os gols sofridos de bola parada pelo Bahia.

ESCANTEIOS

O Bahia adota uma marcação mista com predominância zonal com participação efetiva dos 10 jogadores de linha. Ou seja, a maior parte dos defensores ocupam espaços previamente estabelecidos. Enquanto os demais se dividem em marcar individualmente, ficar no rebote e/ou marcar a cobrança curta.

Com a equipe principal, o Bahia sofreu 5 gols originados de escanteio (Brasileiro e Copa do Nordeste). Desses, 4 foram cobrados ao pé natural (batida aberta) e um com o pé trocado (batida fechada).

Contra o Corinthians o Bahia sofreu dois gols. E nas duas cobranças a bola foi batida para uma zona fora do alcance dos melhores cabeceadores do Tricolor de Aço. O primeiro foi cobrado para entrada da área.

Onde o Timão atraiu Élber para marcar uma possível cobrança curta e depois Rodriguinho para uma cobrança na 1º trave. O que possibilitou a retirada de dois jogadores que ficariam responsáveis pelo rebote, deixando a entrada da área livre para Otero finalizar.

No segundo, Danilo Avelar arrastou o marcador (Gregore) e abriu espaço para Gil subir sozinho. Mais uma vez a bola batida aberta e longe do alcance de Ernando, Juninho e Gilberto – melhores cabeceadores. O mesmo aconteceu diante do Ceará.

Diante do São Paulo, o técnico Fernando Diniz utilizou outra forma para superar a defesa do Bahia: sobrecarregar a zona do marcador. A bola é batida aberta e na 1º trave. O que poderia favorecer aos defensores.

No entanto, dois jogadores invadem a 1º trave causando superioridade numérica no setor e gerando dúvida e sobrecarga ao defensor. O jogador do São Paulo desvia a bola e na 2º trave e Luciano empata no final do jogo. O mesmo acontece contra o Vitória. A diferença é a batida fechada.

FALTAS FRONTAIS

Os gols sofridos de falta frontal representam 23% do total no universo de bolas paradas. O Bahia levou gols dessa forma contra Vitória e Botafogo-PB (Copa do Nordeste) e Atlético-GO (Brasileiro).

Diante dos Paraibanos e Goianos, a falta de concentração, postura corporal relaxada e mau posicionamento de quem estava com a obrigação de pegar o rebote foi algo latente. No primeiro lance do vídeo acima, nota-se que Élber é o jogador do rebote.

Entretanto, observa-se uma postura corporal relaxada e desconcentração. O que é vital para que no rebote Jean tenha a chance de finalizar mais uma vez. O mesmo acontece no jogo contra o Botafogo-PB. Apesar de ser um lance rápido, os jogadores estava mau posicionados e demoraram a reagir.

Contra o Vitória, pela Copa do Nordeste, há um mix entre o mérito da batida de Thiago Carleto e a falha individual de Douglas Friedrich.

FALTAS LATERAIS

Em faltas laterais, o Bahia sofreu 2 gols. E um deles gerou um prejuízo milionário e uma eliminação precoce na Copa do Brasil. Contra o Bragantino pelo Brasileiro, jogadores saíram depois da batida da bola (atrasados) e demoraram a reagir no rebote.

Na dura desclassificação para o River-PI, a equipe estava bem postada. Mas o erro individual de Juninho Capixaba, ao abandonar a sua zona por uma fração de segundos para bloquear o adversário, comprometeu toda estrutura e concedeu espaço para a bola entrar na 1º trave.

ARREMESSO LATERAL

O arremesso lateral é outra fonte de gols sofridos pelo Bahia. Diante de Grêmio e Flamengo foram 3 bolas dentro da própria rede. No primeiro jogo observado por Mano Menezes in loco, o Esquadrão de Aço tomou dois gols com origem em laterais.

O primeiro gol mostra a equipe defendendo com uma linha de 5 defensores, um jogador para o lateral curto, outro marcando individual e mais dois no rebote. No entanto, a equipe deixou Alisson livre na entrada da área. Erro crasso de posicionamento gerado pelo Grêmio que atraiu a marcação para uma cobrança média/curta.

O segundo gol, o Bahia tinha a posse de bola e perdeu a disputa de 1º e 2º bola. E sem uma pressão na bola eficiente e erros de coberturas viu o Grêmio progredir e finalizar.

No jogo contra o Flamengo, apesar da equipe ter superioridade numérica no setor da bola e Everton Ribeiro receber a bola de costas, a genialidade do jogador acima da média foi preponderante para marcar o gol.

O trabalho de Mano Menezes está no começo. E diante de um calendário acavalado com jogos seguidos semana a semana, é preciso otimizar os treinos para atacar as necessidades imediatas. E a bola parada defensiva carece de ajustes.

É preciso elevar o nível de concentração e encontrar um antídoto para as soluções elaboradas pelos adversários.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Jonatan Cavalcante

Últimas Postagens

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol
Jonatan Cavalcante

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol

0 Comentários
Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI
Footure

Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI

0 Comentários
Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada
Caio Nascimento

Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada

0 Comentários
Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos
Caio Bitencourt

Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos

0 Comentários
O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?
Bruna Mendes

O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?

0 Comentários
O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?
Gabriel de Assis

O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?

0 Comentários
Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários
A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar
Lucas Filus

A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar

0 Comentários