Porque Beto, da Udinese, é uma das grandes surpresas da Serie A

Porque o atacante português do time friuliano é uma das grandes notícias da temporada italiana

24 anos de idade, para muitos, não é uma idade para se colocar o termo “revelação”, que costumeiramente é usado para jogadores muito jovens, embora seja válido para atletas que estejam em suas temporadas de estreantes no campeonato onde disputam.

Talvez o termo seja ideal para Beto, português de 24 anos, que na reta final da janela de verão se transferiu do Portimonense, onde já havia feito 2 gols nos 3 primeiros jogos do Campeonato Português desta temporada, para a Udinese, em transferência entre clubes alvinegros, menos badalada do que outras no mesmo período.

Norberto Bercique Gomes Betuncal, o Beto, tinha procura de nomes como Benfica, Sporting e Porto, que sofreram com seus gols nos últimos anos contra eles com a camisa do Portimonense. Mas, o jogador quis ir para a Udinese, jogar a Serie A italiana. 

O seu estilo de jogo permanece similar. Os gols de cabeça, que eram característica no clube do Algarve, continuam acontecendo em Friuli. Dos oito gols na Serie A, três marcados foram em toques de cabeça do jogador português.

Gols fundamentais para fazê-lo ser o artilheiro da Udinese na temporada, com 8 tentos marcados. Mas Beto é mais que cabeceios, embora, ironicamente, o jogador já declarou querer melhorar além dos cabeceios, talvez para se livrar do clichê do atacante alto (já que ele tem 1,94m de altura), que marca apenas por finalizações e boa colocação.

Tanto é mais do que cabeceios e que sua altura, que vale ressaltar o seu controle de bola fora da área e seu posicionamento em jogadas de ataque, que lhe renderam bons gols contra a Lazio, além do oportunismo quando marcou diante do Milan. O trecho do texto de Fabrizio Gabrielli sobre ele em L’Ultimo Uomo serve como referência

Beto, como muitos jogadores do seu tamanho, sempre acaba sendo um pouco desleixado. Mas não do tipo articulado à la Crouch, à la Kanu, à la Adebayor: Beto, ao comprimento das alavancas, à aparente interminabilidade dos braços, combina uma poderosa estrutura muscular, uma presença maciça, importante.

Entrevistado após marcar uma doppietta contra a Lazio, inclusive com um belíssimo gol de voleio, Beto respondeu aos jornalistas: “Sou um jogador completo, mas também incompleto”, diz. Ele ri, então, e faz isso com frequência. 

O jogador de origem de Guiné-Bissau conquistou o público externo uma abordagem positiva, fora de campo, tão diferente das fotos que o retratam em campo, em que parece um homem ameaçador. Quando o fazem rever seu segundo gol, este acima, ele comenta, sem conseguir esconder uma onda de orgulho: “Esse foi um gol estilo Beto”.

O atacante declarou se inspirar em Eto’o, ainda que diga que “o meu jogo não é semelhante ao dele, mas quero imitar a sua capacidade de empenho, de trabalho”. De resto gosta de Lukaku e Diego Costa, coincidentemente jogadores vistos como “tanques”. O que ele é, afinal, sem realmente ser completamente. “Tenho velocidade, força, técnica; mas um pouco, um pouco, um pouco”, completou, repetidamente, em entrevista à DAZN italiana. 

O bom início no primeiro semestre coroa a ascensão do jovem que antes de chegar ao sub-23 do Portimonense e se firmar na elite portuguesa, passou por União de Tires e Olímpico do Montijo, em torneios amadores de Portugal, onde atuou após ter sido rejeitado na base do Benfica, alegando que havia “muito pouca qualidade nos pés e pouco talento”, e com o jogador chegando a sofrer racismo, segundo o presidente do União de Tires, em entrevista.

Para ajudá-lo a aperfeiçoar sua técnica, Luis e Bruno Lopes, seus treinadores no União de Tires, fizeram com que ele treinasse com bolas de tênis: jogavam as bolinhas nele e ele tinha que controlá-las, chutar e marcar. O conceito básico é que se ele pudesse fazer isso com as bolas menores, ele não teria mais problemas com a bola grande.

É bem verdade que 2022 não começou tão forte para ele em termos de gols, uma vez que só marcou desde a virada de ano diante da Atalanta nos quatro jogos que fez até aqui. Mas, por outro lado, o português já deu demonstrações de que podemos acreditar nele para o futuro. 

Afinal de contas, ser o artilheiro de uma equipe como a Udinese, sendo a principal referência ofensiva do time de Luca Gotti logo no primeiro ano de Serie A, é um bom início para o futuro de Beto, em seu segundo ano como profissional de elite, podendo dizer até que ele é sim uma das revelações da temporada.

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