Quem é Jesualdo Ferreira, novo técnico do Santos?

Após meses de negociação, Santos anunciou a chegada do português que atualmente era comentarista no Canal 11, de Portugal

Jesualdo Ferreira tem 73 anos. O resultado da idade é uma sabedoria fora do comum para a normalidade do profissional que trabalha no mundo de futebol.

Em 1973, liderou um processo de criação de uma escola de futebol. O objetivo era ter influência na nova formação de treinadores. Em entrevista à FPF 360, disse:

“Foi possível fazer a junção definitiva entre a informação científica, o empirismo próprio do futebol e o conhecimento de outras áreas que ultrapassavam o 4x3x3 ou o 4x4x2: nasceu a necessidade de percebermos o porquê, o quê, o como e o quando se treina. Foi isto que orientou o nosso trabalho e ajudou a criar os currículos dos diferentes cursos.”

Dez anos depois da criação do gabinete, Carlos Queiroz (seu aluno) e Jesualdo Ferreira apresentaram uma proposta de sistematização de um jogo de futebol em duas fases: ofensiva e defensiva.

A sistematização do jogo em duas fases em 1983

Atualmente, evoluiu para os 4 momentos de jogo: organização ofensiva, transição defensiva, organização defensiva e transição ofensiva. Quando surgiu, de forma mais expressiva, o conceito de transição, ele abraçou-o de forma intensa. Deixo um vídeo de um contra-ataque do Al-Sadd que, na opinião do Professor, foi uma das suas maiores obras na equipa do Qatar.

A força das transições do Al-Sadd comandado por Jesualdo

Fica um link para tomar conhecimento com os momentos e sub-momentos do jogo de futebol no blog “Saber Sobre o Saber Treinar” do treinador português, Ricardo Ferreira:

As melhores pessoas para avaliar o trabalho de um técnico são os jogadores. Existem vários jogadores a demonstrar publicamente a importância do Professor no seu trajeto.

Deixo alguns casos:

LUCHO GONZÁLEZ:

“Jesualdo Ferreira: “Foi um dos que mais me marcou, aprendi muito, sobretudo sobre o que era mesmo o futebol europeu. Toda a gente aprendeu muito com ele. Mesmo sendo chato, porque às vezes queria fazer coisas e chateava-nos a cabeça, mas só temos de lhe agradecer”

ex-meia do Porto

LISANDRO LÓPEZ:

“Treinadores que me marcaram? Jesualdo Ferreira, um velho rabugento português, que tive três anos no FC Porto. Ensinou-me detalhes do jogo, um passe, uma receção orientada… Foi o que mais me marcou”

ex-atacante do Porto

FALCAO:

“Foi o Jesualdo Ferreira, no FC Porto, que me ensinou aquilo que um avançado deve fazer e, sobretudo, que me corrigiu.”

ex-atacante do Porto

RICARDO QUARESMA:

“Ele chamou-me, perguntou se estava tudo bem e que queria falar comigo depois de almoço. Mostrar uns vídeos. Sentou-se ao meu lado e disse que não me queria massacrar, ia meter 5 imagens boas e 5 imagens más e que depois falávamos. Depois perguntou-me:

– Como é que tu com esse talento, deixas-te ir abaixo e deixas um miúdo de 18 anos estar em cima de ti?

Respondi-lhe: Hoje vou começar a jogar.

Naquele jogo, ofereci um golo ao Marek Cech e a partir daí, comecei a estoirar e foram as minhas melhores épocas no Porto.”

ex-extrema do Porto

Na sua carreira, conquistou 12 títulos. Espalhados por 3 países: Portugal, Egito e Qatar. Segue alguns números que o SofaScore disponibilizou:

As melhores épocas na carreira do Professor são os quatro anos que passou pelo Futebol Clube do Porto: venceu 3 Campeonatos, 2 Taças de Portugal e uma Supertaça de Portugal.

Nos anos que passou na equipa portista, a sua performance na Champions League foi: uma eliminação frente ao Man Utd, de Ferguson, nos quartos-de-final (08/09) e três vezes nos oitavos-de-final (06/07, 07/08 e 09/10) frente a Chelsea, Schalke 04 e Arsenal.

FC PORTO 1-1 CHELSEA: 21/2/2007

MAN UTD 2-2 FC PORTO: 7/4/2009

De acordo com o seu modelo de jogo, o seu sistema tático preferencial é o 1x4x3x3. Tem como princípios gerais: tarefas ofensivas – a velocidade e a mobilidade. Nas tarefas defensivas – pressão e agressividade. Gosta de posse de bola, triangulações, construção curta e apoiada.

Em relação ao processo defensivo, a sua base é defender bem para atacar bem. Quando perde a bola, os seus jogadores têm de estar bem posicionados para pressionar o rival de forma a ter a posse o mais rapidamente possível. Com o adversário com a bola, a equipa não perde a sua organização.

Mano Brown, no episódio 4 na série “Desde Sempre Alvinegro”, diz: “O Santos é um clube que historicamente consegue unir todos em torno de uma televisão para assistir”. Foi o que Jesualdo fez no programa “Futebol a Sério” do Canal 11. Onde demonstrou uma comunicação clara e de fácil entendimento para pessoas sem conhecimento técnico. A simplificação de termos complexos foi um dos seus objetivos no programa.

Uma análise da final da Libertadores que foi apresentada no canal:

Irrequieto, atento e detalhista. Podem ter a certeza de que se o jogador não tem os apoios corretos, ele é a primeira coisa que vai avisar.

Pelé disse: “Aprendi a jogar na rua, que é onde se aprende a jogar futebol”. Em entrevista à revista da Federação Portuguesa de Futebol, o técnico português refere que os dois pilares essenciais do saber português é: o futebol de rua e a capacidade de absorção de conhecimento. Ele que me referiu em conversa: “Falo do passado para as gerações mais novas perceberem e entenderem o presente e futuro”. Jesualdo conhece o ataque mágico do Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Como conhecerá talentos deste Santos com Kaio Jorge, Lucas Lourenço ou Sandry.

Conhece a missão, a história e a identidade do time que vai representar.

Os adeptos santistas podem estar descansados.

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Artur Silva

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