Renato Paiva: Independiente para a vida

O novo técnico do Independiente del Valle chega de Portugal. Renato Paiva será um desconhecido na América do Sul, mas a sua carreira nas equipas de formação do SL Benfica fazem dele um nome muito respeitado do lado de lá do Atlântico. Como se adaptará ao projeto e às exigências do Del Valle?

O anúncio da contratação de Renato Paiva para o cargo de treinador do Independiente del Valle terá deixado muita gente à procura de quem é este técnico português sem qualquer experiência no comando de uma equipa de futebol profissional. O espanto não tem grande razão de ser. O clube equatoriano percorreu o caminho que tem feito até aqui e encontrou no homem do leme da equipa B do SL Benfica o nome certo para dar continuidade ao seu projeto de evolução de jogadores.

Toda a carreira de Renato Paiva foi feita com ligação ao Sport Lisboa e Benfica, evoluindo ao longo dos anos de escalão para escalão. Isso permitiu a Renato Paiva ter um conhecimento profundo da escola de formação encarnada, ao mesmo tempo que esteve presente num período de reformulação dessa mesma escola, resumido na passagem de um foco na vitória enquanto formação para um foco no desenvolvimento do talento individual com vista à sua inserção no contexto profissional.

Esta presença num processo de reformulação de uma escola dá a Renato Paiva uma visão bem clara daquilo que será o contexto que irá encontrar no Independiente del Valle e, eventualmente, será esse o seu maior trunfo. Mas as razões da atração pela proposta do português passará, provavelmente, mais pela sua defesa inequívoca de um modelo do que pela sua história de vida. A questão do modelo já havia sido fundamental para a promoção de Miguel Ángel Ramírez e não sairá desmerecida com a chegada do português.

Desafios novos numa longa carreira

Renato Paiva vai enfrentar, no Equador, diferentes desafios. O primeiro deles será a capacidade de corresponder com resultados depois da conquista da Copa Sudamericana em 2019 e o alcance dos oitavos-de-final da Libertadores em 2020. Localmente, o clube nunca venceu a Liga Equatoriana e também aí estará sob pressão para estar nos lugares de topo. O segundo será corresponder ao primeiro desafio com um plantel que vê sair algumas das suas referências. O sucesso do Independiente tem tido como consequência o despertar de clubes de mercados mais fortes para os talentos que lança, sendo que a pressão de equipas do Brasil, Argentina, México ou Europa vai continuar a tentar pescar talentos no Independiente.

Finalmente, o desafio pessoal será enorme. Em Portugal, onde o percurso de Renato Paiva é conhecido e respeitado, esperava-se a sua chegada a uma equipa da Liga para assumir a prova de fogo. Fazê-lo no Equador desprotege-o de um ambiente onde esse reconhecimento lhe valeria uma maior base para desenvolver o seu trabalho. Sendo certo que no Independiente terá tempo para fazer crescer a sua ideia de jogo, dando continuidade ao já trabalhado no clube, também é certo que estará sempre a ser comparado com o sucesso de Miguel Ángel Ramírez.

Renato Paiva desenvolveu também os seus conhecimentos através da observação de outros treinadores. Em entrevista ao site Tribuna Expresso, destacou trabalhos com Carlos Carvalhal, Giovanni Trapattoni, Quique Flores, Jorge Jesus, Fernando Santos, Ronald Koeman e Juanma Lillo. No Independiente chegou o tempo para colocar na prática todo o seu pensamento sobre o jogo num contexto de exigência profissional. Os métodos do Del Valle casam na perfeição com o discurso e prática de Renato Paiva. Mas a prova de fogo, como lhe chamei, estará aí para ser ultrapassada.

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Luís Cristovão

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