Juliano Camargo: os bastidores da sua gestão e crescimento do Sampaio Corrêa

Em entrevista exclusiva ao Footure, executivo de futebol, revela ser um negociador "chato", explica o funcionamento dos processos de contratações, comenta sobre estilo de liderança, os desafios de fazer futebol no Maranhão e a busca por consolidar um documento orientador com conceitos de jogo que tenham o DNA do Sampaio Corrêa

A campanha do Sampaio Corrêa, no Campeonato Brasileiro Série B, tem chamado muita atenção e criado grande expectativa por parte do torcedor da “Bolívia Querida”. O clube maranhense voltou a fazer parte da segunda divisão nacional nesta temporada, após ser vice-campeão da Série C.

O retorno à Série B, entretanto, iniciou longe do que era esperado pelos torcedores, comissão técnica, jogadores e a cúpula gestora do Sampaio Corrêa. Foram quatro derrotas consecutivas e um cenário de crise se desenhando, algo que requer, do executivo de futebol, habilidade para blindar o treinador e o grupo de atletas da pressão do ambiente externo. Além, é claro, de um feeling aguçado para saber distinguir o mau momento de um trabalho desestruturado.

“No início da Série B, o Sampaio teve quatro derrotas consecutivas. Se fosse em outro clube, é bem provável que a troca tivesse acontecido. Mas em momento algum falou-se em trocar o comando técnico no Sampaio Corrêa internamente. Por quê? Porque a gente via a equipe apresentando um bom futebol e no dia-a-dia era nítido que o trabalho estava sendo realizado da forma correta. E foi fantástico! As quatro primeiras rodadas com zero pontos. Na quinta rodada o Sampaio conquistou o primeiro ponto. E, hoje, estamos na vice-liderança da Série B”, explicou Juliano Camargo.

Além disso, o executivo de futebol do Sampaio Corrêa ressaltou a importância de estar inserido em todos os processos, realizar um acompanhamento diário de todas as atividades e estar munido de todas as informações para que as decisões sejam assertivas e obedeçam a critérios técnicos.

“Por isso, se faz necessário que o Sampaio Corrêa tenha objetivos claros do que almeja do trabalho do treinador, e que as minhas informações sejam fidedignas ao que está ocorrendo diariamente, para que as decisões sejam assertivas. Não à toa, busco estar inserido nos processos e acompanhar o cotidiano do Sampaio Corrêa. Tenho uma rotina diária de conversar pessoalmente com todos. E, caso não consiga estar presencialmente, busco por meio de telefone me inteirar de todas informações acerca do dia. Nenhuma informação externa é mais importante do que acontece internamente. Dessa forma, as tomadas de decisão não são pautadas pelas informações do ambiente externo, porque não dispõem do arsenal de informações que internamente são transmitidas”, concluiu.

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Sampaio Corrêa Campeão Maranhense 2020
(Foto: Reprodução/Instagram)

Tendo uma campanha, nos últimos 16 jogos, com 11 vitórias, 3 empates, 2 derrotas e um aproveitamento de 75%, o Sampaio Corrêa iniciou uma curva crescente que levou o clube a pegar o elevador da Série B, e sair da lanterna em direção à vice-liderança da competição. Ainda sim, o bom momento atravessado pela Bolívia Querida não é tratado com deslumbre por parte de Juliano Camargo.

“No final da temporada passada, foi realizado o planejamento projetando 2020, com objetivos bem factíveis. Um deles era voltar a ser campeão maranhense para conseguir vagas diretas nas Copas do Brasil e do Nordeste, pois concede um fôlego financeiro fundamental para a seguir o planejamento do futebol. Além disso, no Campeonato Brasileiro da Série B, a permanência era o objetivo. Mesmo estando na briga pelo G-4, não houve alteração de rota ou ajuste no planejamento realizado em 2019. Seguimos com o foco de ficar na Série B e somar o máximo de pontos possíveis. A partir disso, ficamos mais tranquilos para alcançar e pensar em coisas maiores na competição. Caso, ao final do campeonato, o acesso seja conquistado, será fantástico e vai coroar o trabalho de todos”, afirmou.

Mesmo sabendo que o clube ainda não tem a musculatura financeira e a estrutura física capaz de bater de frente com os gigantes da Série A, a possibilidade real de conquistar o acesso não assusta. Para Juliano Camargo não existe isso de o acesso ser mais prejudicial do que a manutenção na Série B.

“Acho que não. O acesso à Série A garante uma receita de R$30 milhões e torna mais fácil o caminho da estruturação. Nesse cenário, seria necessário ainda mais pé no chão para não fazer loucuras. Mas não existe medo de nada no Sampaio Corrêa. É ser realista e ir passo a passo”, pontuou.

Roque Júnior e Juliano Camargo juntos pelo Ituano
(Foto: Reprodução/Instagram)

Com uma trajetória de 18 anos no futebol brasileiro, Juliano Camargo tem se notabilizado por ser um bom montador de elencos. Recentemente, teve sucesso em XV de Piracicaba e Ferroviária, que chegaram às quartas de final do Campeonato Paulista. O êxito na carreira nos últimos anos e, em particular, no Sampaio Corrêa, teve uma influência grande do pentacampeão mundial Roque Júnior. O ex-zagueiro e hoje gestor de futebol foi responsável por ser a mola propulsora na busca do conhecimento e capacitação do executivo de futebol.

“Em 2010, recebi um convite do Roque Júnior, pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira, para participar de um processo seletivo para ocupar o cargo de gerente de futebol do Futebol Clube Primeira Camisa. Fui aprovado e contratado. A partir desse momento, passei, de fato, a conhecer o que era o futebol profissional. Era um clube muito organizado e que possuía todos os departamentos em pleno funcionamento. Por isso, considero que o Primeira Camisa foi uma verdadeira escola”, explicou Juliano Camargo.

“O Roque Júnior foi a mola propulsora nesse processo de qualificação profissional e entendimento de todas as nuances sobre o jogo e a gestão de futebol. Desde que encerrou a carreira, ele sempre buscou se capacitar por meio de MBA, cursos de gestão de futebol, análise de desempenho e licenças como treinador. desde o momento que cheguei no Primeira Camisa, sempre me aguçou a estudar e me desenvolver profissionalmente com estágios, cursos e intercâmbios”, completou.

Estar exposto a um ambiente de competição saudável, no qual existia uma corrida por conhecimento, e ter a oportunidade de trabalhar em várias funções da cadeia produtiva do futebol, permitiram a Juliano Camargo criar uma rica vivencia e desenvolver capacidades cognitivas importantes para coordenar um departamento de futebol.

“No processo de construção do executivo que sou hoje, busquei realizar cursos como gestão técnica pela Universidade do Futebol e coordenação técnica, análise de desempenho nas categorias de base e profissional, licença B pela CBF. O fato de ter rodado em diversas funções nos clubes, tal como analista de desempenho, coordenador técnico, supervisor, auxiliar técnico e analista de mercado, me concedeu uma base muito boa para executar a função de executivo de futebol. Assim, passei a ter uma compreensão do todo e melhorei o processo de tomada de decisão, afirmou.

Você confere outros trechos da entrevista abaixo

Na administração utilizamos o termo “job rotation” para falar sobre a rotação por parte do funcionário em diversos setores da empresa. Isso lhe favoreceu a entender o futebol de forma micro e macro. Por isso, gostaria de saber como você busca distinguir um processo estagnado de uma fase ruim num trabalho do técnico. Como é avaliar essas nuances sem se contaminar por julgamentos externos de torcida, imprensa e diretores estatutários?

Tem uma frase que o Roque Júnior sempre me falou: “No Brasil, não se sabe o porquê contrata e muito menos o porquê manda embora”. Na minha visão, o clube tem que ter objetivos claros e um modelo de jogo bem definido. Assim, o acompanhamento, a avaliação e a tomada de decisão são realizadas da maneira mais fidedigna possível ao trabalho que está sendo realizado pelo treinador. O resultado é importante, mas não pode ser primordial. O Léo Conde não está no Sampaio Corrêa pelo resultado e, sim, pelo trabalho desenvolvido no dia-a-dia.

A avaliação não é baseada em vitória ou derrota. Pelo contrário, analisamos “n” fatores como o contexto do jogo, o cotidiano, a gestão do grupo e a relação com a gestão do Sampaio Corrêa. Os resultados que todos têm visto é fruto de uma análise criteriosa do trabalho do treinador. Mas ainda estamos longe do que considero ideal. Ainda não conseguimos implantar plenamente uma estruturação de conceitos de jogar pautada na história e cultura do Sampaio Corrêa. E isso é de fundamental importância para que haja critérios no momento de realizar contratação, ou desligamento do técnico ou jogador. É algo que, pelo quadro enxuto e grande demanda de serviços, não conseguimos dar a devida atenção.

Qual é o seu estilo de liderança? Como busca coordenar os departamentos para que sejam, de fato, integrados?

Sempre falo aos funcionários que estou aqui de passagem. Afinal, sou do interior de São Paulo e a probabilidade de permanecer por um longo tempo é remota. No entanto, eles são do Maranhão e têm grandes chances de fazer parte do clube por um período de tempo extenso. Dessa forma, busco incutir e estimulá-los sobre a importância da busca incessante por conhecimento. Proporcionamos a capacitação por intermédio de empresas parceiras que realizam cursos que tratam de toda a cadeia produtiva do futebol. Além disso, adoto uma política de valorização e empregabilidade de profissionais que são do Maranhão. Não à toa, o nosso quadro de funcionários é composto por 95% de pessoas que residem no estado. Por isso, considero que a minha liderança está muito relacionada às pessoas.

Sobre a integração entre os departamentos, busco incluir todos os setores nos processos e/ou ações que almejamos implementar. Por exemplo, a comissão técnica sabe da importância das ações de marketing e sempre se colocam à disposição. Outro exemplo é no instante de iniciar o processo de contratações. Antes de dar o start, consulto o departamento administrativo-financeiro acerca do orçamento para não realizar uma contratação que não caiba dentro do planejamento financeiro.

O Sampaio Corrêa é uma instituição que está próxima de completar 100 anos. Como tal, já existe uma cultura organizacional consolidada. Como mencionado anteriormente, você está apenas de passagem e o clube é muito maior que todos nós. Por isso, muitas das vezes essa cultura organizacional apresenta comportamentos viciados que dificultam a implementação de processos. Gostaria de saber quais os maiores desafios na gestão de comportamentos e na implementação de processos no clube.

O presidente Sérgio Frota é muito atuante. Com isso, estabelecer uma ideia de delegar tarefas e cobrar os resultados foi o maior desafio, pois rompeu com um modelo um modelo de centralização de poder já consolidado. 

O Sampaio Corrêa tem uma estrutura muito enxuta. Para se ter uma ideia, o Departamento Jurídico, Administrativo-Financeiro, Patrimonial, Marketing e Administrativo é composto por uma pessoa em cada setor. Ao meu ver, está próximo do ideal. Afinal, torna o processo menos burocrático e mais direto.

Todos os departamentos têm de ter três perguntas norteadoras: quem eu sou, onde estou e onde quero chegar. Dessa forma. cada um terá suas metas bem definidas e se facilita a cobrança pelos resultados. Assim, o horizonte sai do campo micro e passa a atacar questões macros.

Juliano Camargo Executivo de Futebol do Sampaio Corrêa
(Foto: Reprodução/Instagram)

Neste período de 1 ano e 7 meses que está no cargo, você conseguiu elaborar um planejamento à longo prazo envolvendo todos os setores traçando missão e visão?

Encontra-se no início do processo. Pois o Sampaio tem uma cultura de resultado que contempla apenas o curto prazo. E acredito que deva avançar ainda mais neste aspecto ao pensar o clube à médio e longo prazo. Até mesmo no quesito estrutura. Se vislumbrar como base o Estado do Maranhão, o Sampaio Corrêa possui a melhor estrutura. Mas se expandir o olhar além dos limites territoriais do Maranhão, ainda precisa-se evoluir. E o pensamento que quem eu sou? Onde estou? E onde quero chegar? É algo que carece ser mais difundido e assimilado pelo Sampaio para poder dar um salto maior.

Quais foram os processos implementados que os resultados apresentaram índices satisfatórios?

O processo de contratações. O Sampaio passou a contratar com base em critérios claros e bem definidos. Ter uma noção mais cristalina do que é um modelo de jogo e, assim, trazer jogadores a partir de características que sirvam ao modelo estabelecido. E tendo todos os atores envolvidos dentro do processo.

Mas ainda engatinha-se em outros. Demanda-se de mais pessoas. Por exemplo, não há um Centro de Inteligência. Não existe um banco de dados do Sampaio Corrêa. Utilizo o meu banco de dados da época que fui analista de mercado e também por monitorar atletas pelo Brasil. Mas isso torna o processo pessoal e não institucional. Além disso, não consigo monitorar atletas e operacionalizar as atribuições do meu cargo. Por isso, é preciso que o Sampaio tenha esse departamento estruturado para que nos auxilie no processo de tomada de decisão.

Outro ponto importante é a retomada das categorias de base do Sampaio. Foi iniciada a categoria sub-23 no Brasileiro de Aspirantes, pois era importante plantar essa sementinha. E no médio/longo prazo planejar a reestruturação física para realizar a inserção das categorias sub-15, 17 e 20. E com isso, alimentar a equipe profissional e também formar jogadores para o mercado.

Juliano Camargo Executivo de Futebol do Sampaio Corrêa
(Foto: Reprodução/Instagram)

Boa parte dos clubes são geridos por torcedores e em alguns casos as contratações são realizadas tendo como base o gosto pessoal e não respeitando critérios técnicos. O Sampaio Corrêa já tem um documento que trate do modelo de jogo? E como foi para implantar essa ideia?

Ainda não está documentado. Mas esse processo foi iniciado ao pesquisar sobre a história do Sampaio Corrêa; quais eram as características dos times que mais prevaleciam, no dia-a-dia ao ouvir a opinião do presidente pois é uma figura importante dentro do clube e ao mesmo tempo reflete o pensamento do torcedor; conversar com os profissionais da comissão técnica e também a minha percepção como alguém que estava observando de fora.

Dessa forma passou-se a sintetizar a cultura e o DNA do Sampaio Corrêa. O Sampaio é um clube que busca jogadores brigadores, agressivos e que ao mesmo tempo fossem rápidos para jogar. E é preciso respeitar essas características tão presentes nos clubes nordestinos. Pois ao buscar algo que vá de encontro a cultura e a identidade do povo nordestino, dificilmente dará certo.

Na sua gestão ocorreram duas trocas de comando técnico. Como funciona o processo de contratações de treinadores? Como chegam aos nomes? E qual o seu papel dentro dessa engrenagem?

Para aquele momento de início da Série C o João Brigatti encaixou perfeitamente. Pois possui um perfil motivacional, comunicação direta, pulso firme e transparência nas decisões. Características as quais identificamos que seriam ideais para mudar o rumo do Sampaio na competição e alcançar os objetivos pretendidos.

Nesta temporada houve uma nova mudança no comando técnico. O Brigatti recebeu um convite da Ponte Preta e deixou o clube. E por se tratar de um início de temporada, buscou-se um perfil de técnico que já tivesse experiência na Série B. E chegou-se ao nome do Léo Conde. Um técnico que já conhecia o Sampaio Corrêa e tinha alcançado a melhor campanha do clube na competição em 2015. Além disso, reunia atributos gerenciais e de conceitos de jogo que representavam o casamento perfeito.

Falando sobre o processo de chegada dos nomes. A indicação pode acontecer por diversos canais. Não há regra. Mas para essa indicação fazer parte do processo, analisa-se o perfil e, juntamente com o diretor de futebol e o presidente, busca-se entrar em consenso sobre a adequação do nome, ideias e conceitos ao projeto Sampaio Corrêa.

Por exemplo, um dos aspectos que analisa-se é a gestão de elenco. Porque é uma ferramenta primordial para o Sampaio Corrêa. Pois observa-se que os treinadores que possuem essa valência bem desenvolvida conseguem alcançar os objetivos com maior frequência. Não que o conhecimento técnico não seja importante. Mas em uma escala comparativa a gestão de elenco é um atributo que tem maior peso.

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Executivo de Futebol Juliano Camargo conversando com a comissão técnica do Sampaio Corrêa (Reprodução/Instagram)

Uma das atribuições do diretor executivo é fazer uma ponte entre a comissão técnica e os diretores estatutários. Como é a sua relação com os treinadores? Costumar conversar sobre questões técnicas e táticas do jogo?

Fico muito próximo da comissão técnica. Acompanho os treinamentos e os jogos. Converso nos momentos pré e pós de cada evento. Troca-se muita informação. E há a liberdade para o treinador expor o ponto de vista para que me balize na tomada de decisão.

E essa liberdade não se limita apenas ao que acontece no campo. Como supervisiono toda a cadeia que envolve o futebol do Sampaio Corrêa, busco inserir o treinador dentro do processo. Para que de forma compartilhada as soluções mais assertivas sejam encontradas. Por exemplo, não concluo um cronograma de uma viagem sem antes consultar a comissão técnica.

Da mesma forma que o treinador entende que sou importante na tomada de decisão dele. O inverso também é reciproco. É algo natural. E o segredo está em compartilhar e ouvir todos do processo

Você utiliza algum indicador para servir de parâmetro de sucesso ou insucesso na sua gestão?

Vou te dá um número. Na temporada passada o Sampaio Corrêa teve 14 jogadores dispensados e 10 contratados. E a equipe alcançou o acesso com uma redução de 25% na folha salarial. Pra mim, esse foi um case de sucesso. A folha do Sampaio Corrêa atualmente é a menor folha salarial da Série B. Com certeza o montante gasto com o futebol é 30% menor que a metade dos clubes da competição.

Mas por qual motivo isso acontece? Pois o Sampaio foi buscar atletas com base em características de jogo. E não em saber se havia no currículo do atleta experiência em Série B ou A. O critério foi pautado nas características dos atletas. Além disso, das 40 vagas de inscrições disponíveis mais as 8 trocas. O Sampaio utilizou apenas 33 inscrições. Apostando em um elenco mais enxuto, sendo assertivo dentro do perfil e realidade financeira do clube.

Você falou sobre a redução da folha salarial do Sampaio Corrêa. Qual o seu papel nas tratativas para a redução? Você se considera um negociador ferrenho? Ou se considera um observador de mercado que age no momento oportuno para trazer atletas a custo baixo?

Me considero um negociador chato! Pra mim mil reais faz diferença. Busco seguir à risca o orçamento financeiro do clube. Pois ao não estourar o orçamento ou até mesmo gerar uma folga, estou fortalecendo o grupo. Porque o pagamento não pode sair com atraso. Na hora que um atleta receber, os demais também vão receber.

Faço o possível para que o atleta entenda que é importante e que o Sampaio Corrêa será um trampolim para a sua carreira. Aqui não será um clube que o jogador irá fazer fortuna, no entanto, o clube dará totais condições para que desenvolva o futebol.

Gols de Caio Dantas com a camisa do Sampaio Corrêa.

E o Caio Dantas foi um cara que se encaixa bem nisso. O Caio já ganhou três vezes mais do que atualmente recebe no Sampaio. Mas ele acreditou no projeto. A comissão técnica que já tinha trabalhado com ele ajudou bastante nessa negociação. E entendeu que podia dar um passinho para trás no âmbito financeiro para dar cinco passos à frente na questão técnica. E hoje é o artilheiro da Série B.

Como negociador busco persuadir e convencer o atleta a jogar no Sampaio Corrêa. Mas sempre com transparência e humildade. E o feedback que recebo dos atletas é que é muito melhor do que foi passado. E percebe-se que diante da realidade o dia-a-dia é tão bom que as adversidades são deixadas para trás sem tanto sofrimento. Com isso, o foco fica inteiramente no objetivo traçado.

Esse clima organizacional é muito importante. Como você busca encontrar o equilíbrio entre o bem estar social dos jogadores e as metas que o clube tem nas competições?

O Sampaio tem uma cartilha que é passada no início do ano e também para os jogadores que vão chegando ao longo da temporada. E nesse período que estou no clube apliquei apenas uma multa. E o jogador aceitou sem ressentimentos, pois sabia que tinha errado ao chegar atrasado. Por isso, procuro ser muito correto com os atletas. Sempre conversando com eles individualmente. E passo a realidade do Sampaio Corrêa sem filtro. E dessa forma não tenho tanta dificuldade para gerenciá-los.

Jogadores, comissão técnica e Juliano Camargo comemorando vitória diante do Juventude
(Foto: Reprodução/Instagram)

Anteriormente você citou que possui um banco de dados de atletas pessoal. Por isso, gostaria de saber como é o processo de contratações de jogadores no Sampaio Corrêa? Qual o seu papel? As indicações são realizadas por meio de empresários? O técnico também contribui?

Possuo um banco de dados por ter trabalhado como analista de mercado no Paraná Clube. E tenho como especialidade a montagem de elenco. Montei o elenco do Paraná em 2014, também fui responsável direto da montagem do elenco XV de Piracicaba, depois Ituano, Ferroviária em 2019 e agora o Sampaio. Sempre monitorei atletas in loco para montar o banco de dados que tenho hoje.

As contratações no Sampaio Corrêa são fomentadas por três canais: indicações de empresários, meu banco de dados e/ou indicações da comissão técnica através do analista. Mas, claro, dentro de uma caracterização da posição almejada. Cheguei ao Sampaio Corrêa no início da Série C de 2019.

Como está o projeto de reativação das categorias de base do Sampaio Corrêa? Pois vejo que muitos clubes do nordeste prospectam atletas do Maranhão que poderia estar dando retorno técnico e financeiro ao Sampaio.

Vejo que a reativação das categorias de base do Sampaio Corrêa deve acontecer no médio prazo. No curto prazo não vejo possibilidade, devido a falta de estrutura física. O ponta pé inicial foi dado com o sub-23 e ano após ano a tendência é descer a escadinha e reativar uma categoria no Sampaio. A princípio a ideia é ter o sub-20 para que sirva de suporte ao profissional e também atue no Brasileiro de Aspirantes. E depois, claro, com um pouco mais de tempo criar as demais categorias.

Como é a estrutura física do Sampaio Corrêa?

O CT conta com um hotel que acomoda 35 atletas e oportuniza a concentração, conta com dois campos profissionais, uma sala de musculação, departamento de fisiologia e departamento médico. E para o dia-a-dia de uma equipe profissional as instalações atende às necessidades.

Como está o projeto de estruturação do Centro de Inteligência do Sampaio Corrêa?

Em termos de estrutura física o Sampaio já possui. Já tenho o departamento montado no papel com possíveis nomes para dar esse start no Centro de Inteligência. Mas a folha salarial do Sampaio é bem justa e momentaneamente não permite que o clube tire do papel. Mas é questão de tempo para que o Sampaio tenha o próprio Centro de Inteligência.

Como se encontra a saúde financeira do Sampaio Corrêa?

O clube não tem nenhum bloqueio de receitas. A dívida que existe é muito menor que o orçamento anual. E considero o Sampaio Corrêa um dos poucos clubes viáveis do futebol brasileiro.

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