O sucesso de Arthur Cabral em sua temporada de estreia na Europa

Ex-Palmeiras e Ceará, jovem atacante adaptou-se rapidamente ao futebol europeu. Com mais de um gol a cada dois jogos, Arthur Cabral crava seu futuro na Europa

A derrota do Basel diante do Luzern, por 2 a 1, dificultou a busca da equipe pelo título do Campeonato Suíço. Apesar do desapontamento, os torcedores ganharam um motivo para sorrir: Arthur Cabral, autor do único gol da equipe no jogo, alcançou a meta presente em seu contrato e garantiu a permanência no clube de maneira definitiva, até 2023.

Um dos principais jogadores do time da Basileia na temporada, o brasileiro carrega gols importantes e um notável desenvolvimento desde a sua chegada. Rei Arthur, como ficou conhecido no Ceará, apresenta uma interessante margem de crescimento, despontando como um dos camisas 9 do país a serem observados no continente europeu.

Rápida adaptação

Antes de partir para a Europa, Arthur Cabral deixou boa impressão no cenário nacional. Seu ano de 2018, com o Ceará, o fez ser sondado por grandes clubes do futebol brasileiro, mas ele permaneceu no Palmeiras, que detinha seu passe. A falta de oportunidades no Verdão foi um dos tantos fatores que motivaram a ida do atleta à Suíça, por empréstimo. Mesmo com todos os desafios de adaptação, não demorou a tornar-se titular, contribuindo desde cedo com a equipe e sendo chave para o funcionamento ofensivo.

Em uma liga em que predominam os embates físicos, a estrutura corporal de Arthur não foi um problema. Muito pelo contrário: por ter a capacidade de absorver o contato ao receber de costas e brigar no alto por primeiras bolas (tem 1,86m), tem atuado como um atacante de área, fixando os zagueiros rivais em zonas mais centrais. É uma função diferente da que costumava exercer no Ceará, treinado por Lisca, em que fornecia apoios em mais regiões do campo, principalmente em situações de transição ofensiva.

Além do gol de cabeça, Arthur Cabral participa ativamente do clássico contra o Zürich em disputas pelo alto

Em boa parte dos jogos no campeonato nacional, o Basel encontra adversários que o entregam a bola, colocando o time em constantes duelos contra blocos de marcação mais próximos à área. Os comandados de Marcel Koller têm no cruzamento uma das principais armas ofensivas. Não à toa, os maiores assistentes para os dez gols de Arthur na liga foram Valentin Stocker e Silvan Widmer, jogadores de lado de campo. A impulsão do brasileiro é chave para tal, bem como seu posicionamento entre os defensores.

Sendo a referência do ataque em um 4-2-3-1, Arthur Cabral é muito ativado em zonas terminais, embora participe pouco da construção das jogadas. De sua média de 56,25 ações por jogo, quase metade (27,56) são duelos, com a bola em jogo, boa parte deles na área rival. Isso quer dizer que o jogador, que já apresentou capacidade associativa para atuar fora da área, também tem conseguido deixar sua marca fixado próximo ao gol.

Ex-Palmeiras e Ceará, jovem atacante adaptou-se rapidamente ao futebol europeu. Com mais de um gol a cada dois jogos, Arthur Cabral crava seu futuro na Europa

Além dos dez gols, o brasileiro soma quatro assistências na Super League — em 20 partidas, 14 como titular. Alguns dos tentos vieram em grandes jogos. Mesmo a oito pontos dos líderes, o Basel realizou grandes enfrentamentos na temporada. Na Liga Europa, por exemplo, ganhou os dois jogos que disputou contra o Getafe, na fase de grupos, e já está nas oitavas de final da competição. No jogo de ida, diante do Eintracht Frankfurt, venceu fora de casa por 3 a 0, praticamente encaminhando a classificação às quartas.

Arthur Cabral deixou sua marca contra a equipe de Pep Bordalás, e também anotou nos 16 avos de final, contra o Apoel. O atacante também balançou as redes no clássico contra o Young Boys, atual líder do Campeonato Suíço, em vitória do Basel por 3 a 0. Somado à rápida adaptação, o fato de o jogador não tremer em grandes jogos ajudou a transformá-lo em um atleta chave para o futuro da equipe.

Presente em convocações para a Seleção Olímpica, é possível esperar que o atacante do Basel esteja presente na lista de André Jardine para Tóquio, agora em 2021. Não só por ele ter idade olímpica, o que é óbvio, mas também por ser um atacante que oferece versatilidade ao técnico. Matheus Cunha, que tem sido o titular, é um jogador de mobilidade, a qual Arthur também apresenta. No entanto, as valências do segundo como um homem de área, ressaltadas na primeira temporada na Europa, podem ser determinantes para a utilização dele.

Portanto, é bom ter um olho no que Arthur Cabral pode fazer na temporada de 2020/21. Não só para o Basel, mas também para o futuro do Brasil.

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Henrique Letti

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