TRANSFORMAÇÃO DE WIJNALDUM SIMBOLIZA TRABALHO DE KLOPP

Por Lucas Filus A Champions League é uma dádiva. Não existe outro lugar para você desfrutar de um nível tão alto de técnica, tática, entretenimento e emoção. O torneio já era um espetáculo com uma repetição de clubes nas fases decisivas e ganhou um elemento diferente nessa temporada com gigantes ficando pelo caminho e o surgimento […]

Por Lucas Filus

A Champions League é uma dádiva. Não existe outro lugar para você desfrutar de um nível tão alto de técnica, tática, entretenimento e emoção. O torneio já era um espetáculo com uma repetição de clubes nas fases decisivas e ganhou um elemento diferente nessa temporada com gigantes ficando pelo caminho e o surgimento de forças alternativas.

Na última terça-feira (07) tivemos mais uma prova disso, só que do REssurgimento de uma força teoricamente alternativa considerando o cenário recente do futebol. O Liverpool havia passado muitos anos relativamente distante dos holofotes, mas contou com um planejamento inteligente para voltar à tona. Estará na final pela segunda vez consecutiva e um dos principais motivos atende pelo nome de Jurgen Klopp.

Muito se fala de intensidade, organização e motivação coletiva quando o assunto é o trabalho do alemão. Mas escolho outro tema para simbolizar o que o ex-Dortmund faz no noroeste da Inglaterra: a transformação de Georginio Wijnaldum, autor de dois gols na virada histórica sobre o Barcelona. Tem instinto para balançar as redes desde a base, mas em 2018/19 sua contribuição vem mais de trás.

O holandês se destacou no Newcastle como um ’10’ que infiltrava na área em momentos oportunos e com isso tinha uma produtividade considerável. Se na Eredivisie, pelo PSV, pelo menos ficava um pouco mais com a bola nos pés, na Premier League não articulava tanto como outros jogadores da posição. Seu brilho aparecia quando não tinha a posse e se movimentava para tocá-la em um instante de finalização.

Em Anfield, porém, passou por uma mudança drástica e vem se destacando por aspectos totalmente distintos. Começou 10 partidas como volante e 32 como ‘interior’, um meia central. E se tornou fundamental por razões mais defensivas ou de ‘balanço’. Usa de sua disciplina tática para bloquear as zonas centrais na transição e cobre com maestria o espaço deixado para trás no núcleo de criação da equipe, o lado direito com Salah e Alexander-Arnold.

Sabe a hora de recuar e manter a compactação e quando ativar o pressing. Por isso inclusive é uma peça bem mais importante que o talentoso Keita – que não estava oferecendo o suficiente no ataque para compensar sua falta de noção posicional na marcação. Gini desarma, intercepta e retém a bola com auxílio da sua fisicalidade e leva o ritmo do jogo com consciência. Sai da pressão com a típica técnica de um produto da escola holandesa, mesmo que não chame tanto a atenção do público geral nesse aspecto.

Talvez por seus gestos corporais não serem tão semelhantes às referências no quesito, que costumam usar e abusar das ‘abaixadas de ombro’, gingados e mudança de direção. Wijnaldum mantém um jogo simples, limpo e eficaz.  Em 19/20, só dribla menos que Keita e o trio de ataque. São lances que muitas vezes passem despercebidos, mas anulam adversários e posteriormente – com seus 91% de aproveitamento no passe – trazem companheiros para o jogo.

Foi uma troca de identidade em relação àquele jogador que o Liverpool contratou em 2016. O antigo meia atacante agora é um ponto de equilíbrio. Melhora a disciplina defensiva e a compactação, crucial para o counterpressing, o ‘melhor playmaker do mundo’ segundo o próprio Klopp. E coração de um time espetacular que será favorito na decisão da Champions League, independente do adversário.

É um exemplo de como o alemão está desenvolvendo seu trabalho através de muito treinamento com os jogadores e um raciocínio acima da média. Absorvido com maestria por Georginio Wijnaldum.

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