UEFA Youth League: a história do campeonato de base mais importante da Europa

Em sua 8ª edição, UEFA Youth League atrai os olhares para saber: quem será o próximo craque mundial

Barcelona, Real Madrid, PSG, Chelsea, Juventus, Benfica, Porto, Ajax, Borussia Dortmund e outros grandes clubes europeus lutam por essa taça. Champions League? Tá, pode até ser, mas existe outro troféu muito importante em jogo e que os gigantes europeus fazem questão de conquista-lo.

Trata-se da Uefa Youth League, ou a Liga de Jovens, que foi criada em 2013 para que fosse disputada por equipes sub-19. Esse é o torneio de maior importância nas categorias de base na Europa, especialmente pela quantidade de jogadores famosos que despontaram no torneio.

Para jogar a Youth League, é necessário que a equipe profissional tenha se classificado para a fase de grupos da Champions League. Além deles, também são liberados para participar do torneio na fase de mata-mata as equipes melhor ranqueadas em associações nacionais e campeãs domésticas de copas juvenis.

Esse formato permite que equipes de menor poderio financeiro avancem para fases mais agudas do torneio. As semifinais e a final são jogadas no singelo Colovray Stadium, em Nyon, na Suiça.

Foram disputadas, ininterruptamente, seis edições até agora com Barcelona e Chelsea dividindo o topo das conquistas com dois troféus “Lennart Johansson” (antigo presidente da UEFA). Porto e Red Bull Salzburg foram outras equipes vencedoras.

A Youth League é tão importante para o futebol profissional das equipes europeias, que temos alguns jogadores de relevância no cenário atual e outros protagonistas em suas equipes que brilharam no torneio.

Os meninos de La Masia que conquistaram a primeira Youth League. Adama Traoré foi o grande destaque. Foto:UEFA

Quais foram as promessas mais recentes da UEFA Youth League?

Na temporada de estreia da YL, em 2013/14, vencida pelo Barcelona, tivemos Munir El-Haddadi, que hoje defende o Sevilla, como artilheiro do torneio. Adama Traoré, hoje no Wolverhampton, era outro nome de destaque da equipe catalã. O Benfica, que ficou com o vice, apresentou ao mundo o jovem Gonçalo Guedes. Também participaram desta edição: Mario Hermoso e Marcos Llorente pelo Real Madrid; Mike Maignan, Kingsley Coman e Presnel Kimpembe pelo PSG; Hector Bellerín, Serge Gnabry e Alex Iwobi no Arsenal; Thilo Kehrer e Leroy Sané pelo Schalke 04; Andreas Christensen e Ruben Loftus-Cheek pelo Chelsea; Lucas Hernandez pelo Atlético de Madrid; Ronny Lopes no Man City e Aleksandr Golovin no CSKA.

Já na temporada de 2014/15, o Chelsea manteve boa parte dos destaques da temporada retrasada e conquistou o título. Na campanha, apareceu pela primeira vez Tammy Abraham, que hoje é titular absoluto na equipe de Frank Lampard. O vice-campeão, o Shakhtar Donetsk apresentou Viktor Kovalenko, titular na equipe ucraniana e nome frequente nas convocações de Andriy Shevchenko. Outros nomes de destaque nesta edição foram Lorenzo Pellegrini pela Roma; Rúben Dias e Renato Sanches pelo Benfica e Donny Van de Beek no Ajax.

O Chelsea conquistou a dobradinha em 2015/16, que ainda contava com Tammy Abraham, mas também com os reforços de Mason Mount e Fikayo Tomori, ambos titulares com Frank Lampard atualmente. O vice-campeão foi o PSG, que tinha Dan-Axel Zagadou, hoje no BVB, e Christopher Nkunku, hoje no RB Leipzig. Também participaram desta edição: Achraf Hakimi pelo Real Madrid; Matthijs De Ligt e Justin Kluivert no Ajax; Houssem Aouar no Lyon; Steven Bergwijn no PSV; Ismael Bennacer, Donyell Mallen e Reiss Nelson no Arsenal e Dayot Upamecano no RB Salzburg (hoje no Leipzig).

Na temporada de 2016/17, o Benfica foi novamente vice-campeão mesmo com João Felix, João Filipe (também conhecido como Jota), Gedson Fernandes e Florentino Luís no elenco. O campeão foi o RB Salzburg, que revelou Hannes Wolf, Patson Daka e Mohamed Haidara. Marc Cucurella, hoje emprestado no Getafe, fez grande torneio pelo Barcelona. Federico Valverde, xodó de Zinedine Zidane, era titular do Real Madrid nesta edição. Diogo Dalot, hoje no Manchester United, era uma estrela em ascensão no Porto.

Em 2017/18, o Barcelona tornou a levantar o Lennart Johansson, numa equipe que contava com Juan Miranda, Alex Collado, Riqui Puig, Abel Ruíz e Nils Mortimer. O vice-campeão Chelsea, que perdeu a final por 3×0, revelou Reece James, Juan Castillo e Callum Hudson-Odoi. Outros destaques foram Romário Baró do Porto; Lukas Nmecha, Eric Garcia e Rabbi Matondo do Man City; Oliver Skipp pelo Tottenham; Curtis Jones, Neco Williams e Ben Woodburn no Liverpool; Justin Bijlow e Wouter Burger pelo Feyenoord; Yacini Adli e Timothy Weah pelo PSG; Nicolo Zaniolo, Facundo Colidio e Andrea Pinamonte pela Inter, Jadon Sancho e Bruun Larsen pelo Borussia Dortmund.

O atual campeão Porto conquistou a competição na temporada 2018/19 ao bater o Chelsea por 3×1 na final. Os Dragões mantiveram o elenco da última edição com Romário Baró destruindo tudo, porém, ganharam a técnica de Fábio Vieira para orquestrar as jogadas. Diogo Costa, Tomás Esteves e Diogo Queirós também foram peças fundamentais. Novamente vice, o Chelsea manteve a espinha dorsal, mas também apresentou novidades como Billy Gilmour, Charlie Brown e Ian Maatsen. Hoje sensação do Barcelona, Ansu Fati também atuou na Youth League na temporada passada.

O Lyon, que era considerado um dos grandes favoritos ao título, lançou seus principais nomes para o futuro nessa edição também: Maxence Caqueret, Rayan Cherki, Amine Gouiri, Florent da Silva e Titouan Thomas. O surpreendente Hoffenheim apresentou Melayro Bogarde, Max Geschwill e Filip Stojikovic. O Borussia Dortmund usou Giovanni Reyna, que já ganha seus minutos entre os profissionais nessa temporada.

O Dinamo Zagreb lançou mão de Leon Sipos e Antonio Marin até chegar às quartas de final. O Ajax levou o badalado Naci Ünüvar, além de Brian Brobbey, Nicolas Kuhn, Victor Jensen e o hoje titular do profissional Sergiño Dest. O Man United utilizou Angel Gomez, James Garner e Tahith Chong. Já o PSG revelou Adil Aouchiche e Arnaud Muinga.

Os atuais campeões da Youth League foram eliminados no qualificatório para o mata-mata pelo Red Bull Salzburg nas penalidades. Foto:UEFA

Muitos destes nomes, especialmente das últimas duas temporadas, não são tão famosos assim para o grande público, porém, vários deles participam dos principais torneios de divisões de base entre seleções. É na Youth League que você percebe o reflexo em equipes profissionais, que têm utilizado muito pouco suas categorias de base, caso de Juventus e Bayern de Munique, por exemplo.

A atual temporada de 2019/20 se encontra nas oitavas de final, sendo que Ajax, Benfica, Dinamo Zagreb, Red Bull Salzburg e Midtjylland já classificados para as quartas de final. Lembra-se do fator surpresa que o formato permite? Pois bem, o Midtjylland é um desses casos. A equipe dinamarquesa é um dos celeiros da Escandinávia e comumente revela bons jogadores. Na temporada passada, eles eliminaram o Manchester United nas oitavas e na manhã desta quarta-feira os dinamarqueses, sob a batuta de Nicolas Madsen, avançaram novamente ao eliminar o Estrela Vermelha. O Dinamo Zagreb, que revela em profusão, passou pelo Bayern nos pênaltis.

Algumas partidas sofreram alterações na data de disputa. Juventus x Real Madrid, Inter x Rennes e Atalanta x Lyon foram movidos para o dia 10 de fevereiro devido ao coronavírus.

E quais são os nomes interessantes da atual edição? Dos que ainda estão disputando vale a pena observar os irmãos Timber, Kenneth Taylor e Sontje Hansen pelo Ajax. Chikwubuike Adamu e Luka Sucic são os astros do fortíssimo time do Salzburg. Nuno Tavares e o possante centroavante Gonçalo Ramos são as grandes joias do momento no esquadrão do Benfica. O Lyon manteve sua “seleção” que fracassou na temporada passada, mas que está mais experiente com um Titouan Thomas em alto nível.

Fiquem ligados que esta coluna vai abordar mais vezes este belo torneio recheado de estrelas assim que a edição atingir suas fases mais agudas.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus
Caio Nascimento

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus

0 Comentários
Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua
Caio Bitencourt

Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua

0 Comentários
A afirmação da Espanha e sua nova geração
Bruna Mendes

A afirmação da Espanha e sua nova geração

0 Comentários
Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar
Gabriel de Assis

Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar

0 Comentários
RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B
Douglas Batista

RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B

0 Comentários
Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20
Caio Nascimento

Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20

0 Comentários
A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan
Caio Bitencourt

A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan

0 Comentários
Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história
Gabriel de Assis

Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história

0 Comentários
Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a ‘era’ de clube-estado
Eduardo Dias

Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a 'era' de clube-estado

0 Comentários
Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei
Caio Bitencourt

Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei

0 Comentários
O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?
Caio Nascimento

O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?

0 Comentários
O agressivo América/MG de Vagner Mancini
Gabriel de Assis

O agressivo América/MG de Vagner Mancini

0 Comentários
O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba
Douglas Batista

O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba

0 Comentários
A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona
Bruna Mendes

A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona

0 Comentários
Tuchel, Solskjaer, tropeços e realidades diferentes
Lucas Filus

Tuchel, Solskjaer, tropeços e realidades diferentes

0 Comentários