Willian Arão de volante ou zagueiro? As possibilidades de Rogério Ceni no Flamengo

Com a disponibilidade do zagueiro Bruno Viana, Rogério Ceni vive o dilema de manter Willian Arão na zaga ou recolocá-lo no meio-campo

Rogério Ceni não teve uma vida fácil durante o Brasileirão 2020. Em meio aos problemas defensivos, uma eliminação na Copa do Brasil e o título brasileiro que parecia improvável para o Flamengo, a busca por soluções era constante e uma delas acabou se tornando o divisor de águas do clube: a colocação de Willian Arão na zaga.

Após esta mudança, o aproveitamento de Ceni no comando do Rubro-Negro passou de 48% para 79%. Além disso, segundo números do SofaScore e Footstats, a equipe melhorou em outros quesitos como: jogos sem sofrer gols (23% para 50%), aumentou em 62% os números de interceptações e 37% de desarmes. Ou seja, defensivamente a equipe se consolidou e acabou arrancando para o título. Agora, no início de 2021 e a disponibilidade de Bruno Viana — zagueiro emprestado pelo Braga —, surge a pergunta: o que o treinador irá fazer com Arão? Vamos tentar entender.

Como funcionava o volante Willian Arão?

Em sua chegada, Rogério Ceni tentou manter uma ideia observada no Fortaleza em sua passagem. A equipe se portava no 1-4-4-2 para tentar explorar (e reeditar) a dupla Gabriel e Bruno Henrique. Entretanto, as virtudes não puderam ser observadas, mas os problemas se repetiram contra equipes defendendo em bloco baixo. Faltavam soluções ofensivas quando não havia campo para esticar em Bruno Henrique na esquerda ou Isla na direita.

Num primeiro momento, Willian Arão ficava próximo de Gerson no meio-campo e a estrutura ofensiva não se alterava tanto, apenas na alternância da dupla em quem auxiliaria os zagueiros, como observamos na imagem abaixo:

Willian Arão ficando mais próximo a Gerson na saída de bola e apenas alternando no auxilio aos zagueiros, assim como faziam Juninho e Felipe no Fortaleza (Arte: TacticalPad)

Poucos jogos depois, uma pequena alteração: o 1-4-2-3-1 com De Arrascaeta mais centralizado e Bruno Henrique buscando a ponta. As atuações deram uma pequena melhorada, mas o problemas contra blocos defensivos mais baixos permaneciam — e isso normal, diga-se —, mas a função de Willian Arão se alterava. O camisa 5 agora recuava entre os zagueiros, buscava as inversões para os alas (Isla e Filipe Luís), e também podemos observa na imagem abaixo:

Recuando como um terceiro zagueiro e os laterais se tornando alas (Arte: TacticalPad)

Aqui é preciso contextualizar uma situação que, aparentemente, prejudicou o funcionamento de algumas peças. Filipe Luis, ainda mais neste momento da carreira, sempre rendeu mais quando auxiliava por dentro e tendo que ficar mais preso a linha lateral — para liberar Bruno Henrique —, acabou por não render. Com isso, o meio-campo acabou carecendo de melhor funcionamento defensivo na pressão pós-perda.

Quais suas atribuições como zagueiro?

Em meio as lesões na defesa e a inconstância de Gustavo Henrique, Rogério Ceni decidiu colocar Willian Arão na zaga e Diego Ribas para melhorar a saída de bola contra equipes fechadas. Então, qual se tornou a função do jogador?

Primeiro, precisamos falar sobre Filipe Luís. Lembram que falamos sobre sua falta de naturalidade (neste momento da carreira) ao atuar aberto pelo lado? Com a mudança de esquema, o camisa 16 passou a ser um terceiro zagueiro em saída de bola e isso mudou a estrutura ofensiva da equipe. O lado esquerdo tinha Bruno Henrique revezando com De Arrascaeta na amplitude, enquanto Everton Ribeiro buscava a entrelinha e abria o corredor para Isla, formando um quadrado no centro, como observamos na imagem abaixo:

As atuações não melhoraram por acaso. A pressão pós-perda, com mais jogadores por dentro e a leitura de espaço de Filipe Luis perto dos volantes após auxiliar na saída fizeram os números defensivos melhorarem.


Agora, uma nova temporada e mudanças podem ocorrer. A chegada de Bruno Viana pode trazer um jogador mais acostumado ao setor — em que pese as boas atuações de Arão — e o dilema seguirá: manter o camisa 5 na defesa ou retornar ao meio-campo.

A opção que parece mais plausível será com Willian Arão ao lado de Gerson e Diego retornando ao banco de reservas, o que pode acarretar em algumas situações: mais intensidade por dentro, algo que em alguns momentos fez falta, mas perder a capacidade de controle de jogo do Diego. São escolhas e decisões que Rogério Ceni irá tomar ao longo das próximas semanas e poderemos ver em breve no Flamengo. E você, qual opção acredita ser a mais possível no Rubro-Negro?

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Gabriel Corrêa

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