Willian: do bigode e da consistência

Aos 33 anos, Willian iniciava, em 2020, mais uma temporada em alto nível. O que faz o jogador tão regular nos últimos anos?

Subestimado. Um dos termos que precisa acompanhar o nome de Willian, além do seu notável apelido, advém da sua capacidade de ser regular, há uma década, e pouco ser notado. Produzindo muito no alto nível do futebol brasileiro desde que chegou ao Corinthians, em 2011, o atacante teve, neste ano, o seu melhor início de temporada na carreira.

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Após marcar três em uma goleada diante do Oeste, o jogador de 33 anos garantiu a vaga de titular no Palmeiras de Luxemburgo. Em um time recheado de talento do meio para a frente, o atacante já tem sete gols em 12 jogos. Admito que não vi projeções, no início do ano, contando com Willian entre os 11 iniciais da equipe paulista. Aliás, sirvo de exemplo para tal.

Mais uma vez, silenciosamente, ele se estabelece como um jogador chave em uma grande equipe. E, dessa vez, vai além: os números mostram que Willian está mais efetivo do que nunca. Depois de perder metade da temporada de 2019 por conta de ruptura no ligamento do joelho, o atacante demonstra plena recuperação, e que, com seu futebol consistente, será importante para as ambições do Palmeiras em 2020.

Diferentes formas de Willian

O jogador conquistou a titularidade em seu primeiro ano no Corinthians marcando gols como esse, diante do Oeste, no Paulistão

Após se destacar no Figueirense, vice-campeão da Série B de 2010, Willian foi uma aposta do Corinthians na temporada seguinte. O atacante, então com 24 anos, ganhou uma chance de brilhar em alto nível — e assim o fez. Com boas atuações saindo do banco, virou titular e formou um efetivo trio de ataque com Liedson e Emerson Sheik. A equipe de Tite levou o título do Campeonato Brasileiro, e o atacante ganhou o prêmio de revelação daquele torneio.

Em 2012, manteve o nível e ajudou o Corinthians a conquistar a Libertadores da América. Depois, foi vendido ao Metalist, da Ucrânia, onde completou a temporada de 2012/13 antes de retornar ao Brasil. Sua volta foi no Cruzeiro, e, na Raposa, foi bicampeão brasileiro, com protagonismo principalmente em 2013. Partindo como o extremo pela esquerda em um 4-2-3-1, combinava bem com a proposta de Marcelo Oliveira. Willian dava opção para acelerar as jogadas pelo lado, mas também aparecia na área para finalizar em gol, aproveitando o jogo de costas de Anselmo Ramon e Borges.

Apesar de ter pouco mais de 1,70m, o jogador apresenta as valências necessárias para trabalhar como um centroavante. Não à toa, teve ótimas temporadas atuando ali. Em 2015 e 2016, quando o Cruzeiro apresentou muitas irregularidades, foi importante atuando na frente. Seu entendimento com Alisson e De Arrascaeta, por exemplo, protagonizou muitos gols para a equipe. Com desmarques em direção ao gol, nas costas da defesa, era frequentemente lançado pelo uruguaio, enquanto o brasileiro o encontrava com cruzamentos rasteiros, na primeira trave.

Outra capacidade de Willian, que tem ficado mais evidente a cada temporada, é a finalização com o pé contrário. Boa parte dos gols marcados com a perna esquerda, inclusive, saem de fora da área. O aumento do seu repertório ofensivo pode explicar o crescimento apresentado em 2020: mesmo atuando aberto, com a figura de Luiz Adriano na referência, o jogador tem liberdade para pisar na área, ou concluir em gol carregando a bola para dentro. Essa qualidade é condicionada pelo bom trabalho de pivô do centroavante, e também pela criatividade de Dudu com a bola no pé.

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Mas Willian não é somente um definidor. Sua capacidade de criar jogadas para os companheiros também aparece nos jogos. Em 2020, seu número de xA (assistências esperadas), por jogo, vinha sendo o maior da carreira. Tendo um ponta mais agudo do outro lado, como Rony ou o próprio Dudu, ele não precisa tentar furar a última linha de marcação conduzindo a bola, já que pode encontrar o extremo inverso para fazê-lo. Ele está performando além do esperado, tanto em gols como em assistências. Nas médias por jogo dentro desse aspecto, então, é a sua melhor temporada nos últimos cinco anos.

É inegável que, em 2017 e 2018, seus números totais de gol e assistências foram os melhores da carreira — bem como as performances acima do esperado nessas métricas. No entanto, com os valores divididos por partida, a temporada atual vinha apresentando o Willian mais eficiente dos últimos anos. Muito disso se deve à função do jogador na equipe, anteriormente explicitada, além da sua maturidade cada vez maior dentro das quatro linhas.

Efetivo e experiente, Willian caminha para outra temporada em alto nível no futebol brasileiro. Quem sabe, dessa vez, com o reconhecimento devido, tendo em conta não só seus gols, mas também sua produção ofensiva e sua relevância para a equipe de Luxemburgo.

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Henrique Letti

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