Na lanterna da La Liga, o Espanyol da atual temporada é uma decepção

Os péricos vivem um péssimo momento na Liga e a pergunta que fica é: o que será do Espanyol nesta temporada?

Tudo começa há dois anos com o Espanyol vendendo Gerard Moreno, principal artilheiro do clube na temporada 2017/18 e com uma das melhores performances individuais do campeonato. A equipe precisou buscar os gols que o antigo centroavante fazia para ajudar o clube na luta por uma tão sonhada vaga em competição europeia. Borja Iglesias chegou para resolver os problemas da equipe nesse quesito.

Na temporada 2017/18, o Espanyol não perdeu nenhuma partida em que Gerard Moreno marcou.

Na janela de inverno, Wu Lei, astro e principal artilheiro do futebol chinês, chegou para ocupar a faixa esquerda do campo e também para aumentar a distribuição de gols entre os atacantes, tirando a responsabilidade individual dentro da equipe. Borja Iglesias, sendo o âncora da equipe no setor ofensivo, colocou em campo tudo que pôde, contando com sua força nos duelos dentro da área e seu faro de gol. Ao fim do campeonato entregou números similares aos de Gerard Moreno na temporada anterior, e o Espanyol terminou sua campanha ficando em 7º lugar na La Liga. Com base no contexto que o clube vivia, sempre no meio da tabela, o resultado final agradou o torcedor.

Dentro do Cornellà-El Prat, o time venceu 11 das 19 partidas da liga na temporada 2018/19.

Tudo encaminhava ser um grande passo para o Espanyol. A ideia de não ser aquele time “meio da tabela” e ser o time que briga por vagas europeias se tornou real, e o que parecia distante foi possível. Na final da Copa del Rey, Valencia e Barcelona já estavam classificados para a Champions League. Com isso, o 6º colocado da La Liga ganharia a vaga direta para a Europa League em vez de disputar a pré-eliminatória, que foi passada para o 7º colocado: Espanyol.

Atual temporada e o Espanyol na lanterna da Liga

Após o bom rendimento no campeonato espanhol na temporada anterior, a equipe catalã chegou na janela de verão buscando ainda mais. Além de querer manter o nível na liga, buscando cada vez mais o top 6, teria a Europa League para disputar e tentar surpreender. Quebrando o clima, os blanquiazules precisaram lidar com a perda de um artilheiro mais uma vez – Borja Iglesias – e também com a saída do técnico Rubi – ambos para o Real Betis. Depois de perder mais uma vez o principal jogador responsável pelos gols da equipe, o clube precisava acertar novamente, só que por uma terceira vez.

Mesmo com uma janela de verão com contratações pontuais, a equipe não encaixou. Ainda assim o cara para ser o artilheiro fazia falta, pois ninguém do elenco conseguiu suprir a função. Percebe-se muitos jogadores em um nível muito abaixo, e acaba por não fazer sentido apontar o dedo para cada um deles. O buraco era mais embaixo.

O péssimo início na liga é a principal causa da péssima campanha até aqui, e também o motivo da troca de David Gallego por Pablo Machín. Conforme os jogos foram desenrolando, mesmo com a troca de treinadores, o coletivo e o desempenho da equipe continuaram a ser algo que incomodava a torcida – não havendo nenhuma mudança significativa nos resultados e na execução. O time não vencia há oito jogos e ainda era o lanterna. Machín não durou muito tempo no cargo. Abelardo Fernández, com seu jogo direto e reativo, chega para tentar solucionar tantos problemas que nenhum dos anteriores conseguiram.

Fora a mudança na equipe técnica, e pensando em sair da situação que se encontrava o mais rápido possível, o clube investiu alto. Raúl de Tomás, artilheiro nato, com grandes números na primeira e segunda divisão da Espanha, chega para resolver os problemas relacionados a gol da equipe. Com essa transferência, RDT se tornou o jogador mais caro da história do Espanyol (20 milhões de euros).

O time como um todo continuou a decepcionar em questões de intensidade, pressão e fidelidade tática. O talento individual que, acudia e poupava o time em diversas situações nas temporadas anteriores, já não tinha o mesmo impacto mais – nota-se quando RDT chega, resolve os problemas ao fazer gol atrás de gol, e mesmo assim a equipe não vence.

Na atual temporada da La Liga, diferente da anterior, o time venceu apenas uma de 13 partidas jogadas dentro de casa.

A equipe ainda sofre muito no primeiro terço do campo, mesmo com Abelardo ponderando mais em preservar e potencializar seus defensores e o sistema defensivo – dos 46 gols sofridos na La Liga até agora, mais de 60% deles (29) foram na segunda etapa. O que parecia uma reação para a temporada após o grande jogo contra o rival Barcelona virou mais do mesmo. Naquele mesmo jogo percebemos como a equipe cai de rendimento e deixa tudo ir por água abaixo em questão de segundos.

Apesar do desastre na La Liga, a campanha na fase de grupos da Europa League – líder do grupo, apenas uma derrota, 12 gols feitos e apenas 4 tomados – demonstra como o time se comporta em relação aos jogos do Campeonato Espanhol. É como se não fosse possível reverter toda a situação, deixando o desânimo tomar conta nos momentos que o time mais precisa.

O elenco é qualificado, tem diversas peças interessantes como o próprio RDT e o ótimo volante Marc Roca, porém o individual não consegue se sobressair mais. Apesar de um começo melhor do que vinha sendo, Abelardo conseguiu pouco do seu vestiário. Existe muita displicência em relação ao que o treinador quer de fato: uma defesa mais compacta, jogadores atentos aos movimentos do adversário, fechar espaços e se manter pronto para um contra-ataque, nisso o sistema deixa a desejar.

Por mais que a guerra esteja sendo difícil, para vencê-la você precisa ganhar uma batalha de cada vez. Atualmente o Espanyol tem apenas quatro vitórias nas 27 partidas que foram realizadas até a paralisação por conta do coronavírus. A ver se esse tempo parado irá fazer bem para que, dependendo do que irá acontecer após toda essa situação, toda a equipe lide com suas dificuldades para tentar escapar de um possível rebaixamento.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Bruna Mendes

Últimas Postagens

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol
Jonatan Cavalcante

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol

0 Comentários
Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI
Footure

Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI

0 Comentários
Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada
Caio Nascimento

Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada

0 Comentários
Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos
Caio Bitencourt

Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos

0 Comentários
O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?
Bruna Mendes

O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?

0 Comentários
O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?
Gabriel de Assis

O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?

0 Comentários
Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários
A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar
Lucas Filus

A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar

0 Comentários