A janela de transferências no inverno da La Liga

Espanyol, Getafe, Sevilla, Real Bétis e Valladolid foram as equipes que mais se movimentaram para a segunda parte da temporada na Espanha

Não é comum equipes se reforçarem muito na janela de transferência de inverno. De qualquer forma, algumas costumam até mesmo mudar seu modelo de jogo neste período. Lesões, briga contra o rebaixamento ou necessidade de alçar voos maiores surgem em meio ao dinheiro para contratar na La Liga.

Na Espanha, este período tem sido importante para algumas equipes voltarem a competir. Na busca pelo 9, o Getafe buscou Deyverson. Lutando contra o rebaixamento, um pacotão do Espanyol que gastou bastante. Ainda teve Monchi quebrando a banca no Sevilla e o Real Bétis buscando reforços para o centro do campo. Por fim, o Valladolid surge com uma contratação “galática”. E agora, o que esperar com tantas mudanças?

A NOVA CHANCE DE DEYVERSON

A saída de Deyverson do Palmeiras foi tratada como um grande negócio do clube paulista e, apesar de ser por empréstimo, o Getafe tem obrigatoriedade de compra se o jogador marcar 9 gols e atuar em 60% das partidas. Algo que não parece impossível se pensarmos nas características do atleta e, confesso, podemos explicar.

Na equipe de Pepe Bordalás, o ex-atacante do Palmeiras encaixa como uma luva. Apesar das boas temporadas de Jaime Mata e Jorge Molina, o jogador chega como relevo importante. O Getafe – e aqui prometo escrever de maneira mais completa em breve – atua no 4-4-2 e busca um jogo reativo, onde as peças da frente são fundamentais para sustenção do jogo na ligação direta. É aqui onde se encaixa Deyverson.

O novo centroavante da equipe gosta muito de utilizar o corpo para vencer estes duelos. Na Libertadores da América, por exemplo, sua média bate os 65% dos duelos vencidos. Além disso, está acostumado com a Liga, tendo atuado por Levante e Deportivo Alavés. Aos 28 anos, tem a grande oportunidade de sua vida retornando ao solo europeu. Os cruzamentos de Marc Cucurella podem fazer ainda mais sentido com a presença de Deyverson e, potencialmente, Jaime Mata.

Resta saber se os exageros dentro de campo quanto a reclamações e certas “loucuras” sejam esquecidos. No Brasil, acabou ficando marcado por isso. Na Espanha, ainda lembram de alguns problemas, mas os gols ofuscaram estas situações. Uma nova chance de um centroavante com a cara de Bordalás.

UMA CHEGADA INESPERADA

Ele foi considerado um dos jogadores mais promissores da Europa nos últimos anos. Algumas lesões e falta de foco atrapalharam seu desenvolvimento. Chegou a ficar um ano sem atuar pelo PSG. O francês Ben Arfa será o “galático” do Valladolid para ajudar o clube nos últimos seis meses da temporada.

Ben Arfa chega para trazer seus dribles e ajudar o Valladolid na luta contra o rebaixamento (Divulgação/Valladolid)

Aos 32 anos, vive uma das últimas boas oportunidades da carreira. Com uma técnica indiscutível, sua canhota já assombrou a todos com a capacidade de driblar – seus números sempre foram próximos de Lionel Messi no quesito, inclusive – e este pode ser o diferencial dentro do clube espanhol. Em sua passagem pelo Rennes, tinha média de 4.5 dribles certos por partida. Sem contar os 1.4 key passes por partida.

Resta saber onde irá atuar. Nos últimos jogos, o Valladolid tem variado entre o 4-3-1-2 e o 5-3-2. No primeiro esquema, pode ser um dos atacantes ou até mesmo o homem atrás de Sergi Guardiola e Ünal. Na formação com cinco, liberdade total atuando como homem de frente.

UM 9 PARA COMPLEMENTAR O MODELO

Dentro do modelo do Sevilla, o centroavante se torna peça fundamental. Apesar do 9 não ser uma peça que participe ativamente do jogo, ela precisa ter capacidade para vencer os duelos físicos pelo chão ou no alto e, principalmente, marcar nas oportunidades criadas. É por isso que o jovem Youssef En-Nesyri chegou ao clube. Apesar de ter apenas 22 anos, Monchi não costuma gastar o valor de €20 milhões num jogador que ainda está sendo lapidado.

O marroquino Youssef En-Nesyri chega como esperança para ser o 9 que faltava (Divulgação/Sevilla)

Sua chegada precisa ser analisada dentro de um contexto. O marroquino era uma peça que necessitava o clube de andaluzia e por isso o preço aumentou consideravelmente. Além disso, era um jogador importante no modelo do Leganés. Atuando basicamente em transições e jogo direto, En-Nesyri ajudava muito com seus 1.90m. Em média, vence 40% de seus duelos. Um número menor que Luuk De Jong, mas tendo em vista que sua equipe tinha menos oportunidades, um valor considerável.

Dentro deste modelo, En-Nesyri se destacou mais por atacar espaços e chegar na área. No Sevilla, ele precisará fazer o contrário: trabalhar em espaços curtos e estar na área. Este pode ser o primeiro problema na sua chegada. A ver qual a ideia de Julen Lopetegui. Em seus dois primeiros jogos pelo clube, substituiu Lucas Ocampos e Munir El-Haddadi e este pode ser um indicativo de ganhar uma força ofensiva nos cruzamentos vindos da esquerda com Reguillón e aproveitar para ganhar os duelos na segunda trave.

REFORÇANDO O CENTRO DO CAMPO

O quê Nabil Fekir, Sergio Canales e Carles Aleña tem em comum? A capacidade de dominar o jogo com a perna esquerda. A chegada do canterano do Barcelona – por apenas seis meses, é verdade – mostra a preocupação de Rubi em ajudar os béticos a reencontrarem o caminho do gol.

Na mudança de trabalho e com muitos altos e baixos, o Bétis vive diversos dilemas. A chegada de Fekir trouxe empolgação, mas a equipe não engrena. O grande criador do time, Canales tem tido dificuldades na necessidade de recuar muitos metros para levar a bola até o francês e, consequentemente, para área rival. A chegada do novo camisa 24 já se mostrou útil para esta questão. Ainda podendo atuar em diversas funções como interior esquerdo ou direito, falso meia direita e meia, Aleña vem aparecendo aos poucos como titular ou saindo do banco de reservas quando a equipe quer ter a posse de bola e deixar também Canales mais adiantado. São apenas seis meses, mas o jogador pode ajudar neste sentido.

Apesar do empréstimo durar apenas seis meses, Aleña pode ser importante para o Real Bétis (Divulgação/Bétis)

Um pouco mais recuado, William Carvalho se tornou referência na função de primeiro homem à frente da defesa. A questão é que o jogador decaiu bastante na atual temporada e a chegada de Guido Rodríguez se tornou necessária para fechar este buraco. Apesar de ser menos criativo que o português, tem a mesma capacidade defensiva e mais agilidade que o camisa 14 para fechar espaços e ajudar seus companheiros um pouco mais expostos.

O PACOTÃO DO ESPANYOL

Para fugir do rebaixamento, os péricos quebraram a banca na janela de inverno. Foram gastos €40 milhões em três chegadas: Raúl de Tomás, Adrián Embarba e Leandro Cabrebra. O centroavante já esteve presente em nossas análises e seu impacto está sendo imediato. Em três jogos, foram três gols marcados. Você pode ler uma análise mais completa do jogador aqui.

Contratado por €10 milhões, Embarba participou de 18 dos 32 gols do Rayo Vallecano na Liga 1|2|3 com 7 gols e 11 assistências. Atuando pelos dois lados do campo, deve ser o parceiro de RDT no ataque. Até porque, assim como falamos sobre a falta de gols dos atacantes, o valor gasto é para atletas que ajudam neste quesito e ajudem o Espanyol a conquistar vitórias.

Embarba pode ser o parceiro ideal para Raúl de Tomás (Divulgação/Espanyol)

Na reserva do Getafe, a chegada de Cabrera é pontual para alguém que foi destaque na sólida defesa da equipe na Liga 18/19. Ainda na busca de um sistema ideal, Abelardo já colocou o uruguaio como titular. Pode ser uma peça importante também por já conhecer a Liga e ajudar na recuperação do elenco nesta reta final de campeonato.

Ainda há alguns dias para o fechamento da janela de transferências. O Barcelona está buscando um substituto para o período lesionado de Suárez, por exemplo. Por isso, estaremos atentos para qualquer movimentação durante este período. Até a próxima.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar
Aurelio Solano

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar

0 Comentários
Cinco promessas africanas na base de clubes europeus
Caio Nascimento

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus

0 Comentários
Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua
Caio Bitencourt

Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua

0 Comentários
A afirmação da Espanha e sua nova geração
Bruna Mendes

A afirmação da Espanha e sua nova geração

0 Comentários
Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar
Gabriel de Assis

Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar

0 Comentários
RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B
Douglas Batista

RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B

0 Comentários
Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20
Caio Nascimento

Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20

0 Comentários
A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan
Caio Bitencourt

A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan

0 Comentários
Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história
Gabriel de Assis

Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história

0 Comentários
Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a ‘era’ de clube-estado
Eduardo Dias

Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a 'era' de clube-estado

0 Comentários
Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei
Caio Bitencourt

Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei

0 Comentários
O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?
Caio Nascimento

O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?

0 Comentários
O agressivo América/MG de Vagner Mancini
Gabriel de Assis

O agressivo América/MG de Vagner Mancini

0 Comentários
O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba
Douglas Batista

O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba

0 Comentários
A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona
Bruna Mendes

A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona

0 Comentários