O protagonismo da Alemanha no futebol feminino

Apesar do atual domínio do Lyon na UEFA Women's Cup, o futebol alemão ainda é quem tem o maior número de títulos da competição

O campeonato alemão é o primeiro entre as principais ligas europeias a retomar suas atividades. A Bundesliga masculina já recomeça esse fim de semana, e a Frauen Bundesliga, a liga feminina, no dia 29 de Maio. Faltando 6 rodadas para a sua conclusão, o favorito ao título é o líder e atual tricampeão Wolfsburg, que tem 46 pontos, 8 à frente do vice líder Bayern de Munique.

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A Copa da Alemanha também já tem data de reinício, dia 3 Junho acontecerão as partidas de quarta de final. As semifinais ocorrerão nos dias 10 e 11 de Junho e a decisão acontecerá no dia 4 de Julho, em Colônia.

As partidas das duas competições acontecerão de portões fechadas, uma vez que eventos esportivos públicos estão proibidos no país até o dia 31 de Agosto, e seguindo rígidas orientações do protocolo sanitário.

A Frauen Bundesliga é uma das competições mais tradicionais da modalidade como um todo. Foi criada em 1990 seguindo os padrões da Bundesliga masculina e existe até hoje. Ao contrário do que acontece em muitos países, a partir da data de sua criação, ela nunca foi suspensa, sendo disputada em todas as temporadas, justificando o protagonismo do país no futebol feminino.

Títulos por clube:

  • 1. FFC Frankfurt: 7 títulos
  • 1. FFC Turbine Potsdam: 6 títulos
  • VfL Wolfsburg: 5 títulos
  • TSV Siegen: 4 títulos
  • FSV Frankfurt e FC Bayern Munich: 2 títulos
  • FCR Duisburg, Grun-Weib Brauweiler e TuS Niederkirchen: 1 título

O campeonato feminino é disputado no país desde 1974, mas não como a gente conhece hoje. A mudança ocorreu a partir da temporada 1990/1991. É possível pesquisar todos os campeões no site oficial da liga.

Duas lendas da Frauen Bundesliga

Heidi Mohr – Um dos maiores nomes da história do futebol feminino, a alemã brilhou na liga nos anos 90, sendo artilheira da Bundesliga por 5 anos seguidos, de 1991 a 1995. A ídola alemã jogou pelos TuS Ahrbach, TuS Niederkirchen e 1. FFC Frankfurt. Seu protagonismo na liga nacional a levou para seleção alemã, onde disputou 104 jogos e marcou 83 gols (média de 0,80 gols por partida).

Birgit Prinz – Lenda da Bundesliga e da seleção alemã, Prinz marcou 155 gols na liga, uma das maiores goleadoras da história da competição. Começou a carreira no SV Dornigheim e em 1993 estreou no FSV Frankfurt, onde ganhou 2 Bundesligas e 2 copas alemãs. Em 1998, ela se mudou para o 1. FFC Frankfurt. Em 13 anos no clube, ela conquistou 6 títulos de Bundesliga e 8 da copa da Alemanha. Foi também campeã da Champions League em 2002, 2006 e 2008. Pela seleção, venceu 2 copas do Mundo e conquistou 3 medalhas de bronze nas olimpíadas. Seu alto nível rendeu também o prêmio de melhor jogadora da FIFA em 2003, 2004 e 2005.

Leia mais: A rendeção de Carli LLoyd

A força do futebol feminino alemão se mostra não apenas em suas fortes ligas nacionais, mas também no protagonismo das equipes do país na Champions League. É sabido por todos a recente soberania do Lyon, time francês que conquistou as últimas 4 edições do torneio, sendo o maior campeão da história da competição com 6 troféus erguidos, mas o país com mais títulos é a Alemanha, tendo vencido a Champions League em 9 oportunidades, com 4 times diferentes.

Ao contrário do que acontece na modalidade masculina, onde o Bayern de Munique é o grande protagonista alemão nas competições também internacionais, o time feminino nunca venceu a Champions League. A atual temporada é a sua sexta participação no torneio e sua melhor campanha foi uma semifinal na temporada 18/19.

Vamos conhecer então a história dos títulos alemães na Champions League?


FFC Frankfurt

Apesar de amargar o sexto lugar na atual temporada nacional, o time da lateral da seleção brasileira, Letícia Santos, é o de maior sucesso na Alemanha, não apenas por ser o maior campeão da Frauen Bundesliga, mas também por seu protagonismo na Champions League, tendo vencido 4 vezes. Foi inclusive o último campeão antes do Lyon vencer as 4 últimas edições.

2001/2002 – O primeiro título na primeira edição da competição 

A Champions League, não com o mesmo formato de hoje, teve sua estreia em 2001/02, e o FFC Frankfurt foi o campeão da primeira edição. A UEFA Women’s Cup, como foi batizado o torneio, contou com 33 equipes na primeira fase. Na segunda, foram formados 8 grupos com 4 times cada. A terceira fase contava com apenas 8 equipes que disputavam jogos em forma de eliminatórias. 

O caminho do time alemão até o título começou com um apertado 1×0 diante do Levante da Espanha, e foi um dos jogos mais acirrados durante o torneio. As partidas seguintes foram duas goleadas. 5×0 em cima do Codru Chişinău e 18×0 diante do CSC Yerevan.

Birgit Prinz levantando a taça ©Getty Images

Nas quartas de final, o Frankfurt venceu o Odense por 3×0 fora de casa e garantiu a classificação voltando a vencer por 2×1 na Alemanha, no jogo de volta.

As semifinais aconteceram diante do Toulouse. O time francês vendeu a classificação um pouco mais caro. As alemãs venceram fora de casa por 2×1 e ficaram no 0x0 na partida de volta. Placar que assegurou a vaga na final do torneio.

A decisão aconteceu no dia 23 de Maio de 2002, em Frankfurt, e as donas da casa venceram o Umea, time sueco que havia vencido todas as partidas anteriores, pelo placar de 2×0. Jones marcou o primeiro gol aos 68 minutos de partida, e a lendária Prinz ampliou aos 89 minutos de partida.

A artilheira da competição foi a Steffi Jones com 9 gols. A ex jogadora comandou a seleção alemã entre os anos de 2016 e 2018.

Curiosidade: O Umea venceria as duas edições seguintes da Champions League, inclusive com direito a revanche, vencendo o Frankfurt na final da temporada 2003-04 pelo placar agregado de 8×0 em dois jogos.

2005/06 – O segundo título

A trajetória para a conquista do segundo título do Frankfurt foi um pouco mais complicada. A estréia na fase de grupos foi uma tranquila goleada de 4×0 diante do Lucerna, da Suíça. Na segunda rodada, ficou no empate por 1×1 contra o Sparta Praha, da República Tcheca. Encerrou a primeira fase com uma goleada de 11×0 em cima do Gömrükçü Baku, do Azerbaijão.

Nas quartas, enfrentou o Arsenal. Após empatar por 1×1 fora de casa no jogo de ida, a equipe alemã garantiu a classificação vencendo a partida de volta por 3×1.

Frankfurt comemora o bicampeonato ©Getty Images

Nas semifinais, novamente um time francês deu trabalho para as alemãs. Dessa vez o Montpellier, que venceu por 1×0 na Alemanha, mas o Frankfurt conseguiu a virada fora de casa, vencendo por 3×2 e se classificando com o gol fora.

A grande decisão aconteceu entre dois times alemães. O Frankfurt visitou o Turbine Potsdam e aplicou uma goleada de 4×0. A volta foi mais equilibrada, e a taça foi levantada em casa diante de mais de 13 mil torcedores, com um placar de 3×2.

2007/08 – O histórico terceiro título contra um velho rival, o Umea, time de Marta

Pela fase de grupos, o Frankfurt estreou contra o islandês Valur, vencendo por 3×1. Voltou a vencer na segunda rodada contra o inglês Everton por 2×1 e se classificou para a fase seguinte com um empate diante do belga Rapide Wezemaal por 1 a 1.

Nas quartas, o clube alemão seguiu tendo dificuldade, passando pelo time russo ao empatar fora de casa por 0x0 e vencer na Alemanha por 2×1.

As semifinais foram disputadas contra o Bardolino Verona, da Itália, e o Frankfurt se classificou para final com um placar agregado de 7×2.

Frankfurt fazendo história, o primeiro tricampeão europeu ©UEFA.com

A decisão valia não apenas o troféu da Champions League, mas também ser o único time tricampeão do torneio até então. Mais uma vez o clube alemão enfrentou o sueco Umea, também bicampeão da competição. Após empatar por 1×1 fora, o Frankfurt recebeu o Umea em casa diante de mais de 27 mil torcedores. As suecas saíram na frente com um gol de Marta com menos de 1 minuto de partida, mas não demorou para as alemãs empatarem o jogo e virar ainda no primeiro tempo. 

“Este talvez seja um dos momentos mais importantes da minha carreira de dirigente. Foi mais do que um jogo fantástico. Há 15 anos, jogávamos às vezes perante 500 pessoas que ririam de nós se falássemos de uma assistência com números como os de hoje”

Siegfried Dietrich, diretor-geral do Frankfurt

O Frankfurt venceu a partida por 3×2 e se tornou o primeiro tricampeão da Champions League feminina. 

2014/15 – O quarto e último título do Frankfurt

Foi a última edição vencida por outro time que não o francês Lyon, atual tetracampeão da Champions League. O nono troféu de uma equipe alemã em 14 edições até então. 

O último campeão antes do tetra do Lyon ©Sportsfile

Ausente nas duas edições anteriores – vencidas pelo conterrâneo Wolfsburg, o Frankfurt chegou a final tendo marcado 40 gols e sofrido apenas 2. Deixou pra trás Cazaquistão BIIK Kazygurt, o italiano Torres, o inglês Bristol Academy (que eliminou o Barcelona antes de enfrentar as alemãs) e o dinamarquês Brondby já nas semifinais, com um impressionante placar agregado de 13×0.

“Fizemos tudo muito bem em termos táticos, a atitude foi fantástica – lutamos imensamente.” disse o treinador do Frankfurt, que montou um sistema de líbero fundamental para conter o ataque francês.

A final foi contra um estreante em decisão, o Paris Saint German. Diferente de toda a facilidade que teve até essa partida, o Frankfurt teve dificuldade imposta pelo PSG, conseguindo vencer o jogo apenas nos acréscimos, com um gol de Islacker aos 92 minutos. 

A artilheira da competição foi a Célia Šašić, com 14 gols.

Curiosidade: Colin Bell foi o primeiro treinador inglês a vencer uma Champions League, contando feminina e masculina.

Wolfsburg

Enquanto o Frankfurt passava um tempo longe do troféu europeu, o atual tricampeão e líder da Bundesliga escreveu seus primeiro capítulos de glórias na Champions League. Se o Frankfurt é o time de maior sucesso histórico, o Wolfsburg é a grande potência da Alemanha nos dias de hoje.

2012/13 – O triunfo diante do poderoso Lyon

A campanha do primeiro título começou tranquila para o time alemão, deixando para trás o polonês Unia Racibórz com um placar agregado de 11×2. Nas oitavas, fez seu dever de casa goleando o norueguês por 4×1 e segurando o empate no jogo de volta por 1×1. 

Nas quartas de final, passou pelo time Russo, o Rossiyanka, vencendo em casa por 2×1 e ampliando a vantagem fora de casa, onde venceu a partida por 2×0.

Era a primeira participação do Wolfsburg na Champions League, e o time alemão chegou as semifinais para enfrentar o campeão de 2007/08, o inglês Arsenal, mas elas não se intimidaram. Venceram a partida de ida por 2×0, fora de casa, e na volta venceram pelo placar de 2×1, garantindo a classificação para a grande final.

O primeiro título do Wolfsburg na Champions ©AFP/Getty Images

A exemplo de Frankfurt na primeira edição do torneio, de Potsdam em 2005 e Duisburg em 2009, o Wolfsburg foi mais um time alemão a chegar a final e vencer em sua estreia na competição. Somente times alemães conseguiram tal feito.

Leia mais: 5 documentário sobre futebol para assistir

O Wolfsburg ganhou duas Champions seguidas, e foi considerado um feito surpreendente, freando o poderoso Lyon que já começava sua dinastia, tendo vencido as duas edições anteriores, além de ter chegado a essa final contra o time alemão sem ter perdido um jogo – em 90 minutos – em três anos sob o comando de Patrice Lair e após vencer o sétimo campeonato francês em sequência, sem perder pontos. Contava com um reforço de peso naquela temporada, a atual bola de ouro da FIFA, a norte-americana Megan Rapinoe.

O Lyon chegava em sua quarta final consecutiva e era o grande favorito a vencer o título e se igualar ao Frankfurt como os únicos tricampeões da Champions League. Era o mais forte time feminino do mundo contra um estreante de um país soberano na competição. 

Para dificultar ainda mais a vida do time alemão, algumas de suas principais jogadoras desfalcaram a equipe na final devido a lesões e suspensões. O Lyon se provou mais forte dominando a primeira etapa, mas sem conseguir traduzir sua superioridade em gols. No segundo tempo, a 17 minutos do fim da partida, Laura Georges, do Lyon, tocou a bola com a mão na área, e Martina Muller, jogadora do Wolfsburg desde 2004, converteu o pênalti contra a goleira Sarah Bouhaddi – que, assim como Lara Dickenmann, Wendie Renard, Amandine Henry e Louisa Necib, disputava sua quarta final em sequência. 

Lena Goessling, do Wolfsburg, recebeu o prémio de melhor jogadora da final. Junto da capitã Nadine Kssler, ela dominou o meio de campo, parando fortes adversárias como Camille Abily.

“Elas nos colocaram sobre imensa pressão, mas nós queríamos ser perigosas, especialmente no contra-ataque… No fim das contas, tudo acabou por correr bem”.

Goessling ao UEFA.com

Essa temporada foi com certeza muito especial para o Wolfsburg, que nunca havia levantado um troféu, mas terminou como campeão da Bundesliga e da Champions League.

Curiosidade: O Lyon viria a se vingar do Wolfsburg, fazendo o time alemão amargar dois vices. Uma das finais disputada nos pênaltis e a outra com uma goleada de 4x1para as francesas.

2013/14 – A dobradinha e mais um confronto entre um time alemão e um time sueco, também de Marta

Temporada nova, história repetida. O Wolfsburg voltou a vencer a Bundesliga e a Champions League. O troféu continental fora erguido depois de uma das finais mais emocionantes da história da competição. 

Antes disso, o Wolfsburg teve vida fácil no início da competição, deixando o estoniano Pärnu para trás com o placar agregado de incríveis 27×0. Nas oitavas, eliminou o Rosengard da Suécia, com duas vitórias – 2×1 fora de casa e 3×1 diante de seus torcedores. Passou pelo Barcelona pelas quartas também sem dificuldades, 3×0 em casa e 2×0 fora. 

Wolfsburg comemora o bicampeonato / Foto retirada do portal mg supere esportes

Nas semifinais, o Wolfsburg enfrentou o também alemão Turbine Potsdam. Empatou fora de casa por 0x0 e garantiu a vaga na final em casa, com uma vitória por 4×2.

A decisão aconteceu em Lisboa para um público de mais de 11 mil torcedores. Ao contrário da temporada anterior, o Wolfsburg chegou a essa final com o status de favorito. No intervalo, porem, o placar contava outra história. O Tyresö estava a frente com 2 gols marcados – um de Marta e outro da espanhola Vero Boquete, contra nenhum do time alemão. 

“Quando olhei para os olhos delas no intervalo durante a preleção, pude ver a motivação e a determinação que podiam fazer-nos dar a volta. Logo a seguir marcamos o nosso primeiro gol, e depois a confiança aumentou e a equipe esteve muito bem. E o terceiro gol sofrido não nos incomodou muito; continuamos a acreditar e foi sensacional.”

Ralf Kellermann, treinador do Wolfsburg, ao UEFA.com

No segundo tempo, o Wolfsburg entrou com outra postura em campo e diminuiu o placar logo no começo com um cabeceio de Alexandra Popp. Muller empatou para as alemãs, mas 3 minutos depois, novamente a Marta colocou as suecas à frente. Verena Faisst voltou a empatar para o time alemão e Muller virou o jogo assinalando seu segundo gol na partida, o gol do título para o Wolfsburg. Foi o décimo gol da jogadora alemã na competição, que terminou como vice-artilheira, atrás apenas de Milena Nikolić, do ŽFK Spartak, com 11 gols.

Turbine Potsdam

Assim como o Wolfsburg, o Potsdam é bicampeão europeu e também amargou dois vices na competição. Foi na primeira década do torneio que o time alemão começou a escrever sua história. 

2004/05 – Alemãs e Suecas eram as protagonistas da Champions League

No placar entre os países, estava 2 a 1 para as suecas em números de títulos. Essa era a quarta edição da Champions League. A primeira havia sido vencida pelo alemão Frankfurt e as duas seguintes pelo sueco Umea, era a hora da taça voltar para a Alemanha.

Frankfurt e Umea não ficaram felizes, já que a final aconteceu entre seus maiores rivais locais, Potsdam e Djurgården/Älvsjö respectivamente. 

Potsdam comemora seu primeiro título de Champions League ©UEFA.com

Potsdam teve uma participação tranquila na fase de grupos. Foram três vitórias, a primeira por 6×0 em cima do Montpellier, da França, 4×1 no Wroclaw, da Polônia e se classificou para a fase seguinte depois de um jogo emocionante, onde venceu o italiano Torres por 7 a 5.

A fase seguinte nessa época já eram as quartas, e o time alemão passou pelo Energy Voronezh, da Rússia, com um empate fora de casa por 1×1 e vitória em casa por 4×1. O adversário das semifinais foi Trondheims-Orn, da Noruega, que não ameaçou as alemãs. O Potsdam venceu em casa por 4×0 e 3×1 fora. 

Leia mais: A Seleção do Pan de 2007, a geração do quase

O campeonato terminou como começou, vitórias fáceis para o time alemão. A final foi disputada em duas partidas. O Potsdam venceu o time sueco fora de casa por 2 a 0 e voltou a vencer em casa por 3 a 1, erguendo seu primeiro troféu e contribuindo para o feito alemão na competição. 

Cristiane Rozeira, lenda do futebol brasileiro

“Nunca sonhamos em alcançar este feito. É, simplesmente, a sensação mais espectacular que se pode sentir a nível de clubes nesta nossa modalidade. Jamais esquecerei este momento”

Ariane Hingst, capitã da equipe

Curiosidade: Cristiane, a ídola brasileira que hoje defende o Santos, fazia parte desse time campeão e chegou a disputar algumas partidas.

2009/10 – Mais uma final entre o Lyon e um time alemão.

A Champions League dessa temporada foi a primeira nos moldes da UEFA Women’s Champions League. O campeão, entretanto, não era um novato entre os vencedores da Europa. Potsdam se consagrou bicampeão diante do Lyon, em uma final emocionante que aconteceu em Getafe, na Espanha, para mais de 10 mil espectadores. 

A trajetória até o título começou fácil para as alemãs, estreando com uma goleada contra o finlandês Honka, 8×1 fora de casa e 8×0 na volta. Pelas oitavas, venceram o Brondby, da Dinamarca, pelo placar de 1×0 em casa e 4×0 fora. Duas vitórias por 4×0 contra o noruguês Roa garantiram a classificação para as semifinais. 

Contra o conterrâneo Duisburg, o Potsdam começou uma sequência de jogos muito difíceis até o título. Perdeu o jogo de ida por 1×0 e devolveu o placar na partida de volta. Precisou vencer por 3×1 nas penalidades para chegar a decisão.

Potsdam é bicampeão da Champions League ©uefa.com 1998-2012

A final contra o Lyon também foi para os pênaltis depois do placar permanecer zerado no tempo normal e na prorrogação. Foram 17 cobranças até a Thomis, jogadora do Lyon, acertar a trave na 18º penalidade e assistir o time alemão comemorar o título.

Essa era a nona edição de Champions League, a terceira seguida conquistada por um clube alemão, país que obtinha 6 das 9 taças da competição. 

“O vencedor é o futebol feminino” disse Farid Benstiti, treinador do Lyon sobre o novo formato da competição.

“O fato de as duas finais terem sido disputadas na mesma semana é a prova que o futebol feminino não é assim tão diferente do masculino. Temos de promover o futebol feminino”.

Bernd Schröder, treinador do Potsdam

Duisburg

2008-09 – A última Taça UEFA Feminina

O último time da lista foi também o último a vencer a Champions antes da competição se tornar a UEFA Women’s Champions League. A antiga Taça UEFA Feminina começou com um time alemão erguendo a taça e assim também terminou, mas dessa vez foi o Duisburg quem fez história.

Era a estreia do Duisburg na competição, que manteve a tradição alemã de levantar o troféu já na primeira participação. Na fase de grupos, porém, os placares não pareciam de um novato. Foram 14 gols marcados e apenas 2 sofridos. 3 vitórias diante dos ucraniano Naftokhimik, o espanhol Levante e dinamarquês Brondby.

Pelas quartas, enfrentou o tradicional Frankfurt, mas não se apequenou diante do gigante rival de seu país, venceu as duas partidas, 3 a 1 fora de casa e 2 a 0 em casa. 

Duisburg antes do jogo do título ©Revierfoto

Mais uma vez o Lyon estava no caminho de um time alemão. Fora de casa, o empate por 1×1 deu tranquilidade para o Duisburg garantir a classificação em casa, com uma vitória por 3×1.

A final dessa edição contou com novo recorde de público. Pouco mais de 28 mil pessoas foram ao estádio em Kazan para ver a final entre Duisburg e Zvezda, que chegaram a essa partida sem ter perdido um jogo se quer na competição. O histórico de invencibilidade do Zvezda todavia não entrou em campo, e o time alemão goleou fora de casa por 6×0. O empate por 1×1 em casa foi o suficiente para Duisburg levantar seu primeiro e único troféu. 

A temporada atual da UEFA Women’s Champions League está paralisada pela crise do COVID-19. Se for reiniciada, apenas Wolfsburg tem chances de voltar a vencer a competição, e o Bayern de tentar sua primeira taça. O Wolfsburg tem pela frente o escocês Glasgow City, enquanto o Bayern tem a difícil missão de eliminar o atual tetracampeão Lyon já nas quartas de final. 

Enquanto isso, vamos aproveitar a volta da Bundesliga masculina e feminina, enfim, teremos futebol.

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Giselle Andreolla

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