As críticas para Levi Gomes no Náutico

Uma derrota nos pênaltis foi suficiente para as críticas chegarem ao treinador da base do Timbu

No último fim de semana Náutico e Sport duelaram pela final do Campeonato Pernambucano Sub-20. Um jogo de xadrez, mas que contou com um roteiro repleto de clímax e anticlímax. No fim, o Sport conquistou o título nos pênaltis. E foi o suficiente para que nas redes (anti)sociais, o ódio e os questionamentos à Levi Gomes – treinador do Náutico – viessem à tona.

AFINAL, COMO MENSURAR O SUCESSO DE UM TREINADOR DAS CATEGORIAS DE BASE?

Para responder essa questão pode-se admitir quatro parâmetros de forma superficial:

  • Conteúdo
  • Didática
  • Capacidade de desenvolvimento individual
  • Resultado

Ao longo de toda competição o Náutico mostrou-se uma equipe com padrões de jogo bem nítidos e que soube equilibrar desempenho e resultado. Até a final, foram oito jogos com 100% de aproveitamento. Dono do melhor ataque (26) e melhor defesa (5).

Nos oito jogos anteriores à final, o Náutico utilizava a marcação por encaixe. Ou seja, Levi Gomes criou setores no campo, onde cada jogador encurtava e perseguia o adversário até que saísse da zona de atuação. No entanto, na final, por ter um adversário de muita mobilidade e que joga em progressão, Levi modificou a estrutura de marcação. Optou por realizar uma marcação zona-pressionante, tendo como referência o espaço e a bola. Assim, negando o que o adversário mais queria: espaço. Não à toa o Sport teve muita dificuldade em todo jogo.

Náutico se posta defensivamente no 4-4-2, impedindo progressão e fazendo o movimento de basculação para o setor da bola

Com a bola, a equipe alvirrubra por ideia e característica optava por um jogo mais vertical. Tendo Juninho Carpina como o epicentro do jogo. Uma vez que a maioria das jogadas passavam pelos seus pés. O Náutico quando detinha a bola sempre forçava um passe, seja longo ou médio, para progredir no campo ofensivo, através da sustentação do pivô ou da velocidade dos pontas. No segundo gol, além do ataque rápido, fica notório a pressão ao portador da bola na busca da recuperação da posse. O que evidencia o conteúdo e a capacidade de transformar uma ideia em ação (didática).

Náutico recupera a bola, tira da zona de pressão e com poucos toque finaliza ao gol

Levi Gomes também mostrou capacidade de desenvolvimento individual no trabalho à frente do Náutico Sub-20. Juninho Carpina tornou-se um atleta com melhor tomada de decisão, mais confiante, sem medo de errar, aumento da capacidade de resistência e atuou numa função de todocampista que procurava potencializar os companheiros. E com isso, o desempenho na competição conviveu com poucas oscilações e foi o protagonista e craque do campeonato. Outro atleta que apresentou evolução, foi Celestino. Um camisa 5 de ótimo poder de marcação, com leitura de jogo afiada e que com Levi passou a ser fundamental na fase de iniciação da organização ofensiva, ao afundar entre os zagueiros.

E quando se trata de categorias de base, o torcedor não pode ter como única régua avalizadora o título e as vitórias. Claro que as vitórias são importantes no processo formativo. Entretanto, o trabalho de formação é muito mais complexo e não permite o reducionismo que se vê no profissional. Onde venceu, o trabalho é bom. Perdeu é porque é um fracassado e o trabalho não está sendo bem feito. A ascensão dos jovens ao time profissional do Náutico nesta temporada, mostra que os títulos são apenas mais um detalhe e, que a perda do título não representa que a formação dos atletas está no caminho errado.

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Jonatan Cavalcante

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