Darwin Núñez: o futuro que vai virando realidade na Seleção Uruguaia

O atacante ex-Peñarol faz um 2020 explosivo e aproveita as oportunidades que recebe na Celeste para fazer seu nome, se colocando como um dos favoritos a suceder Cavani e Suárez

Há poucos meses, a Bruna Mendes trouxe aqui no Footure um texto sobre o grande desempenho de Darwin Núñez na segunda divisão espanhola, ainda com a camisa do Almería. Desde seu surgimento no Peñarol, o jovem de 21 anos já dava indícios de ter as ferramentas necessárias para crescer e se tornar um atacante confiável, até mesmo pensando em nível de Seleção Uruguaia daqui alguns anos. O que não se esperava, talvez, fosse a ascensão meteórica que vem apresentando em 2020.

Do Almería para o Benfica, e do Benfica para a titularidade na seleção de Óscar Tabárez. Claro, o positivo de Luís Suárez para Covid-19 e a lesão de Maximiliano Gómez – que ficou de fora da última convocação – ajudaram a abrir caminho para que Núñez tivesse a oportunidade de iniciar o confronto contra o Brasil, pelas Eliminatórias. Porém, o rendimento demonstrado ao longo da temporada deixa pouquíssimas dúvidas de que o seu trajeto para ser considerado uma alternativa sólida para a celeste está se pavimentando.

Sua fácil adaptação ao cenário europeu tem sido um fator preponderante para isto. Historicamente, Tabárez demonstra uma preferência maior por jogadores com certa rodagem em outros mercados do futebol mundial fora o uruguaio, independente da idade. Basta observarmos a quantidade de jogadores de 23 anos ou menos que atuam em terras estrangeiras e que estão sendo chamados pelo Maestro recentemente. Rodrigo Bentancur, Federico Valverde, Brian Rodríguez e Nicolas De La Cruz são alguns exemplos, assim como o próprio Darwin Núñez.

Darwin Núñez é uma peça fundamental na reformulação do Uruguai e substituto de Cavani e Suárez (Foto: Divulgação)

E nesta adaptação, não poderia ter escolhido um itinerário melhor. Optar pela ida a um clube como o Almería, onde a pressão em um escalão inferior é muito menor e o tempo de jogo tem boas possibilidades de ser maior em comparação a uma liga de elite para um atleta de então 20 anos, foi uma decisão que rendeu bons frutos. Os 16 gols marcados em 19/20 o credenciaram a um salto para o Benfica, onde sob o comando de Jorge Jesus, vem crescendo jogo após jogo em um cenário mais exigente, mas ainda propício ao desenvolvimento.

Fora isso, a sua inserção no ambiente da seleção chega em um momento onde uma transição bastante sensível se aproxima. Tanto Luís Suárez quanto Edinson Cavani, ambos com 33 anos, estão muito possivelmente em seus últimos ciclos de Copa do Mundo. 2022, no Catar, deve ser a aventura mundialista final dos dois históricos homens de frente do Uruguai. E “calçar as chuteiras” de jogadores de tal magnitude não deve ser uma tarefa fácil. Por isso, receber chances tão cedo e ainda com o privilégio de tê-los ao seu lado, podendo aprimorar toda a técnica da posição e absorver todo o simbolismo de representar a Seleção, é algo que vem bem a calhar.

Em termos de características, Darwin Núñez é um jogador que tem todo o potencial para ser chave para a sua Seleção nos próximos anos. Por óbvio, seus atributos dentro da área acabam chamando a atenção devido a sua posição. O posicionamento, a antecipação e a qualidade no arremate tanto por baixo quanto pelo alto são os carros-chefe daquilo que pode oferecer.

Entretanto, o refino que demonstra no primeiro toque, conseguindo controlar bolas extremamente difíceis e até mesmo ajeitá-las de imediato a um companheiro que chega em velocidade vindo de trás não pode passar batido, assim como seu trabalho associativo. Em um Uruguai que cada vez mais trabalha com a bola no pé, buscando ataques construídos, é importante contar com atacantes capazes de contribuir fora da área. E este lado de seu jogo vem aflorando bastante em Portugal. Mais do que um artilheiro, Nuñez desponta como um garçom e tanto com a camisa encarnada. Em 11 jogos disputados até agora, são 6 assistências entre a Liga NOS e a Liga Europa.

Considerar Darwin Núñez como um dos herdeiros do ataque uruguaio não só é algo plausível, como já ganha contornos de realidade. Se o hype em torno de seu futebol cresce semana a semana, não é acaso. Para quem não esteve atento ao que ele poderia se tornar ainda aqui ao lado, no Peñarol, esta é a hora de ter atenção. Há um atacante rompendo para o futuro celeste.

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