Dinastia Bayern

O mais recente título da Bundesliga reforça o status de supremacia bávara na Alemanha

Depois do início de campanha irregular sob o comando do técnico croata Niko Kovac, o Bayern München conquistou o octacampeonato consecutivo na Bundesliga. A 29ª Salva de Prata reforça a supremacia bávara em solo alemão, mesmo em uma temporada que o conjunto da Allianz Arena não sobrou de “ponta a ponta” como em anos anteriores. Tanto que Hans-Dieter Flick precisou assumir a equipe após a demissão de Kovac. A reação do Bayern foi imediata e ela passa diretamente pela chegada do novo treinador. Portanto, dissociá-lo do título nacional de 2019/20 é algo impossível. 

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Sob o comando de Hansi Flick, o Bayern München conta com 19 vitórias, um empate e apenas duas derrotas em 22 jogos realizados no Campeonato Alemão. No entanto, essa evolução vai muito além do que os números podem apresentar. O técnico de 55 anos utilizou a “Fórmula Heynckes”que já comentamos no Guia da Champions – em uma fase inicial para mudar a dinâmica bávara. Porém, aos poucos,  ele foi adicionando um toque autoral à equipe depois que as bases já estavam estabelecidas. O ex-assistente técnico de Joachim Löw na Nationalmannschaft foi responsável pela explosão do jovem canadense Alphonso Davies na lateral-esquerda, pela consolidação de David Alaba como um dos melhores zagueiros – com e sem a bola –  do planeta e ainda recuperou peças como Benjamin Pavard, Thiago Alcántara, Leon Goretzka e Thomas Müller – a mais representativa delas.

O BAYERN DE HANSI FLICK

A influência de Hans-Dieter Flick no Bayern München não é pautada sobre o que ele inovou, mas sim sobre o que ele potencializou, porque tudo já estava lá e sendo usado praticamente da mesma forma antes de sua chegada. O resgate do “DNA Bayern” foi importantíssimo nos primeiros meses para ganhar a confiança do grupo. Além disso, as ideias de jogo de Hansi Flick parecem bastante claras. A partir do 4-2-3-1, o seu Bayern busca pressionar alto sem a bola através de encaixes individuais para forçar o adversário a sair de maneira direta – onde também consegue controlar a profundidade a partir de um David Alaba imponente pelo alto, perfeito nos botes e preciso nas antecipações. Caso isto não ocorra, o FCB recupera a posse já em campo oposto e inicia ataques em zonas já próximas da baliza rival.

Com a bola, o Bayern possui bastante conteúdo e não é apenas ser um time com forte tendência exterior através da presença de seus extremos/laterais em zona de 3/4. Jogadores como David Alaba, Jérôme Boateng, Joshua Kimmich e Thiago Alcântara são os protagonistas em saída de bola. Eles também marcam a característica autoral de Hansi Flick em termos de ideia de jogo na comparação com Jupp Heynckes. Tanto que, por mais de uma oportunidade, Flick utilizou Kimmich (um meio-campista de perfil associativo) como zagueiro para dirigir as possessões bávaras desde os primeiros toques e sair de maneira curta e elaborada.

Aliás, Kimmich merece um destaque especial porque ele é fundamental para o domínio por meio da posse que o Bayern exerce. O camisa 32 é bastante criterioso para controlar o ritmo dos acontecimentos, possui visão e leitura de jogo para interpretar quando e onde soltar o esférico. Além disso, seu retorno ao centro do campo potencializou os colegas que jogam ao seu redor. Thiago, atleta de características similares, começou a atuar melhor e a ser mais competitivo nas partidas importantes. Já Goretzka, o titular nos encontros nos duelos recentes, forma uma dupla complementária justamente por se tratar de um tipo mais físico, com capacidade de roubo e chegada da segunda linha.

A partir de um trabalho elaborado em iniciação ofensiva, o Bayern possui bons funcionamentos coletivos e táticos para atacar em campo contrário, como profundidade/amplitude pelos dois lados (Alphonso Davies pelo lado esquerdo, Kingsley Coman pelo flanco direito) e presença entre linhas com Thomas Müller, o recordista em assistências da Bundesliga, sempre atento para explorar espaços e causar danos nos metros finais. Serge Gnabry, o extremo-esquerdo, mescla entre receber aberto e aparecer por dentro já que fica posicionado no setor intermédio existente entre o lateral e o zagueiro adversário.

E não podemos deixar de falar de Robert Lewandowski, o MVP da Bundesliga em 2019/20. O polonês, também muito ativo em apoios e relacionado com o jogo entre linhas desde a Era Kovac, faz a melhor temporada de sua carreira e está mais letal do nunca: são 46 gols marcados nas 40 partidas realizadas por todas competições. Ele é artilheiro do Campeonato Alemão (31) e da Liga dos Campeões (11), reforçando o seu status de goleador implacável e garantindo sua quota elevada de gols ao Bayern.

Suas prestações serão chave para o sucesso na reta final de temporada de La Bestia Negra, que, após assegurar mais um título da Bundesliga, sonha em buscar troféus na Copa da Alemanha (onde é finalista) e Champions League para conquistar a segunda Tríplice Coroa de sua história.

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Vinícius Dutra

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