Jogando "futebol raiz", o Retrô FC quer se estabelecer no cenário nacional

Em busca de criar conexões com fãs de esportes e novos torcedores, o clube pernambucano interpreta um jogo pautado na posse de bola e no controle do enredo das partidas

O Retrô Futebol Clube do Brasil, de apenas 5 anos, chama a atenção de todos os amantes do futebol por ter uma estrutura compatível com a musculatura de clubes centenários e gigantes do cenário nacional. O clube pernambucano conta com dois Centros de Treinamento, a fim de acompanhar, auxiliar e dar suporte ao desenvolvimento dos jogadores profissionais.

Mas além de toda estrutura de ponta avaliada em cerca de R$35 milhões, o posicionamento estratégico da imagem com que a marca Retrô busca se estabelecer no cenário nacional é de um clube que “joga o futebol raiz”. Mas que tipo de futebol raiz?

Imagem: Retrô Futebol Clube do Brasil

As escolhas recentes pelos treinadores Rômulo Oliveira na temporada passada. E o atual técnico Nilson Corrêa. Apontam para um norte de futebol baseado no ter a bola, desenvolver um futebol plástico que seja capaz de encantar e atrair novos torcedores.

Muito embora saiba-se que a posse de bola não seja sinônimo de vitórias. Tê-la traz consigo um estigma de equipe protagonista e que controla o enredo do jogo. E para Arrigo Sacchi: “Todas as grandes equipes têm essa característica de querer controlar o campo e a bola”.

Controlando a bola

Ao ter a bola, o técnico Nilson Corrêa, estabelece uma boa variabilidade de jogadas para gerar imprevisibilidade e dificultar a organização defensiva do adversário. Na saída de bola – com mais frequência – o Retrô opta por realizar uma saída com 3 jogadores e a participação efetiva do goleiro Jean nessa fase do jogo. Mas também é possível observar a estruturação da saída de bola no 4-1 com a participação dos laterais quando o adversário pressiona com muitos jogadores. Ou no 2-1 quando o rival posiciona apenas um jogador para pressionar a saída de bola.

A ideia de Nilson Corrêa é que ao utilizar a saída de 3, Jean tenha um arsenal de linhas de passe para que a equipe possa romper a primeira linha de marcação do oponente. Portanto, Jean pode realizar um passe longo direcionado aos laterais em amplitude fazendo um jogo mais direto. Ou um passe de distância média para Lucas Gonçalves, que se posiciona no corredor central por trás dos atacantes rivais. Ou ainda um passe curto em um dos zagueiros para que conduza em direção ao campo ofensivo e realize a dinâmica do 3º homem livre.

Comportamentos ofensivos do Retrô
Edição: KlipDraw

Ao optar por realizar um ataque posicional, ou seja, ocupar os espaços do campo ofensivo racionalmente e trabalhar de forma mais elaborada a posse de bola. Posicionado no 4-3-3, o Retrô constrói as jogadas ofensiva de duas formas: por dentro ou por fora. Quando ataca por dentro, utiliza os apoios frontais do centroavante Mayco Félix e o jogo entre as linhas dos volantes Kauê e Gelson.

por fora, as triangulações entre lateral, volante e extremo são uma dinâmica imprescindível para ter superioridade numérica e criar situações de desequilíbrio no adversário. No momento da finalização, Nilson Corrêa, procura ter a grande área preenchida com no mínimo 3 jogadores. Geralmente o centroavante, o volante do lado oposto da bola e o extremo oposto.

Além do ataque posicional, o Retrô também utiliza o ataque rápido como forma de agredir o adversário. Nesse tipo de ataque, a Fênix busca com poucos toques chegar ao gol adversário e finalizar as jogadas. O atacante Thiaguinho é um atleta importante nesse tipo de ataque, por apresentar velocidade, agressividade e ótimo duelo individual.

Controlando o espaço

Ao perder a posse de bola, dependendo de qual região for, o Retrô procura reproduzir alguns comportamentos. O técnico do Retrô é adepto da marcação zona-pressionante. Dessa forma, os jogadores obedecem a zonas (quadrados) dentro do campo a que devem proteger. E se adversários entram nesses “quadrados” os jogadores do Retrô encurtam a distância em relação a eles para dificultar o recebimento do passe e a progressão com a bola.

Comportamentos defensivos do Retrô
Edição: KlipDraw

Estando em bloco baixo, o Retrô utiliza a plataforma 4-4-2 com variação para o 4-1-4-1 se o adversário tem um jogo muito forte entre as linhas. A compactação, ocupação de espaços e o fechamento de linhas de passe por dentro, forçam os oponentes a jogarem por fora. E nesse momento, o Retrô realiza uma marcação bem agressiva, principalmente, no setor da bola. Como é possível identificar no vídeo acima.

E em alguns momentos a dosagem de agressividade é tão grande, que faz com que o lateral Neílson realize uma perseguição mais longa e abandone a zona (quadrado) ao qual deve defender. Com isso, espaços são gerados nas costas e aproveitados pelos adversários.

Jean realiza coberturas defensivas e participa efetivamente desse momento do jogo

Se a bola está com o adversário após uma finalização, a equipe comandada por Nilson Corrêa se posta no 4-1-3-2 em bloco alto para pressionar já na cobrança de tiro de meta. Um jogador importante dentro dessa dinâmica defensiva: é Kauê. O volante se alinha ao centroavante Mayco Félix e, por meio da agressividade, busca pressionar o portador da bola na tentativa de recuperar a posse.

E ao se posicionar em bloco alto para realizar o pressing ou a pressão no portador da bola, o Retrô oferece espaço nas costas dos zagueiros. E para controlar a profundidade, Nilson Corrêa inclui a participação do goleiro Jean para realizar as coberturas defensivas.

A amostra de jogos ainda é pequena, mas já é possível identificar que o trabalho desenvolvido por Nilson Corrêa, é muito promissor e condizente com a busca pelo protagonismo do mais novo caçula do futebol brasileiro.

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1 comentário

  1. Apenas o esquema tático pode ser “raiz” pq endeusar um time de empresário de torcida fake é sepultar justamente a essência de algo raiz do nosso futebol, muita coincidência da criação do time para registrar jogadores depois da proibição da FIFA de fundos de investimentos e empresários serem donos de jogadores, os verdadeiros times raizes, das alegrias e lágrimas do povão que lutem.

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Jonatan Cavalcante

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