Matías Arezo, o príncipe herdeiro uruguaio

Depois de Suárez, Cavani, Maxi Gómez e Stuani, o próximo centroavante uruguaio que deve brilhar no cenário mundial é Matías Arezo.

O Benfica fechou recentemente a contratação de Darwin Núñez, centroavante de 21 anos de idade, por £25 milhões do Almería, da Espanha, que se tornou a maior da história da equipe portuguesa.

O Plano A dos Encarnados era Edinson Cavani, de 33 anos, que está livre no mercado, porém, a pedida salarial do ex-centroavante do PSG assustou a diretoria lisboeta. Luís Suárez, também no alto dos 33 anos, é o terceiro maior artilheiro da história do Barcelona, mas provavelmente não ficará na equipe blaugrana, atraindo olhares famintos de Juventus e Ajax.

Aliás, chegaram a ventilar o nome de Maxi Gómez, 24 anos, do Valencia, no Barça, mas atualmente o interesse mais forte é do Everton.

Você, ávido e inteligente leitor, já sacou que todos eles são atacantes uruguaios. É impressionante a quantidade de nomes que surgem nesse setor oriundo do Uruguai. Núñez, Cavani, Suárez e Gómez, atualmente, são os principais nomes charruas, tanto em suas equipes quanto na Celeste. Stuani, Rodríguez e Federico Viñas, em menor escala, são outros matadores uruguaios cuja média de gols chama a atenção.

Com pouco mais de três milhões de habitantes, o Uruguai é carinhosamente chamado de paisito. E mesmo com tão pouca gente, jogadores de qualidade aparecem aos borbotões no país vizinho. Existem programas como o Baby Fútbol e as equipes garimpeiras como os gigantes Peñarol e Nacional, além dos tradicionais Defensor Sporting, Danubio e Liverpool.

Entretanto, o principal nome da nova geração não é de nenhum programa e muito menos de uma equipe tradicional como as citadas acima. Matías Arezo, de 17 anos, revelado pelo River Plate de Montevidéu, tem chamado à atenção na elite do futebol uruguaio.

Matías Arezo comemorando um dos 5 gols marcados no Sul-americano Sub-17 em 2019. Foto: Reprodução.

Arezo estreou entre os profissionais aos 16 anos sob o comando de Jorge Fossati no dia 14 de julho de 2019, quando os Darseneros empataram em 0x0 com o Progresso, no Parque Saroldi, na primeira rodada do Torneo Intermedio. Tecnicamente, Pablo Tiscomia, treinador do River Plate em 2018, foi o primeiro a notar o talento do jovem atacante, que na época tinha apenas 15 anos. Todavia, o professor não durou muito tempo no cargo e acabou sendo substituído por Jorge Giordano, que rebaixou Arezo para as camadas inferiores do clube.

Foi sobre a guia de Fossati que o atacante atuou em 22 partidas em 2019, tendo conseguido seis gols e uma assistência. Arezo foi essencial na caminhada dos Darseneros rumo a final do Intermedio contra o Liverpool, tendo marcado três gols na campanha que culminou com o vice-campeonato. O ex-treinador do Internacional continua no comando do River Plate e Arezo é titular absoluto com ele. Até o fechamento da coluna, o atacante participou de nove partidas, tendo feito três gols e dado uma assistência.

Matías Arezo é figurinha carimbada nas convocações para a seleção uruguaia desde a categoria sub-15. Famoso pelos gols, o atacante marcou cinco vezes no Sul-americano Sub-15, em 2017, na Argentina. Apesar da decepcionante campanha charrua no torneio, Arezo se destacou ao lado de Juan Manuel Gutiérrez, do Danubio. A dupla formou o ataque da seleção celeste no Sul-americano Sub-17, em 2019, no Peru. Na ocasião, o Uruguai tornou a fracassar em buscar uma vaga para o mundial da categoria, porém, Arezo se notabilizou pelo faro de gol novamente: foram cinco gols em sete partidas.

No começo de 2020, o jogador do River Plate fora convocado para o Pré-Olímpico por Gustavo Ferreyra, que também é o treinador da seleção sub-20. O atacante participou de quatro partidas e fez um gol na derrota por 3×2 para a Argentina. Ele foi o caçula da turma durante a participação celeste no torneio.

Assim como acontece em algumas seleções, o Uruguai mantém sua filosofia de jogo e estilo tático nas divisões inferiores. O famoso 4-4-2 de Óscar Tabárez é utilizado nas categorias de base, com uma linha defensiva bastante segura, um meio-campo dinâmico e uma dupla de ataque onde os jogadores sejam artilheiros. Raramente o desenho tático é alterado, porém, em determinadas situações o 4-3-3 é utilizado, sobretudo quando a Celeste precisa buscar algum resultado importante. A flexibilidade é maior na equipe sub-15.

Curiosamente, Arezo queria ser goleiro quando começou a jogar futebol com três anos de idade. Quando chegou ao River Plate, aos nove anos, o uruguaio atuava como extremo devido à explosão física, domínio de bola orientado e facilidade em finalizar. Conforme crescera, Matías aprendeu a jogar como centroavante por conta da compleição física avantajada, o que o tornara um espécime perfeito para a seleção nacional, que sempre jogara com dois homens no comando de ataque.

Esse processo árduo de adequação a funções ofensivas transformou Arezo na principal joia do país. Poucos jogadores conseguem aliar talento natural com conhecimento de jogo, transformando-se num dos jogadores mais trabalhadores da nova geração. O ritmo que Arezo imprime no ataque é fundamental para as equipes que ele defende, sendo fatal no último terço.

Matias Arezo se sente confortável em todas as posições e funções do ataque. Pelo Uruguai, ele já foi extremo-esquerdo, segundo atacante e centroavante. Na formação do 4-4-2, Arezo é comumente o atacante com mais liberdade de movimentação, justamente pela facilidade em encontrar espaços e capacidade criativa em zonas de conflito fora da grande área.

No River Plate, devido à hierarquia dos veteranos, Arezo começara como ponta-direita no 4-3-3, especialmente quando Juan Manuel Oliveira, 39 anos, estivera em campo como 9. No 4-4-2, ainda com Oliveira na escalação inicial, Arezo se apresenta como segundo atacante, tal qual ele faz na seleção de base uruguaia.

Oliveira é um histórico pivô do futebol uruguaio, sendo efetivo em bolas paradas ou como parede para os companheiros, que chegam de frente para finalizar ao gol. O veterano ajudou Arezo, especialmente durante o Intermedio, ao fazer o trabalho sujo, criando espaços para que o jovem atacasse a baliza de frente, revelando ao mundo sua facilidade em finalizar em curto-média distância.

Atualmente, Fossati tem utilizado Matias Arezo como referência no tridente ofensivo do 4-3-3. O camisa 9 darsenero casa bem com Leites e González, que são extremos mais físicos e velozes, criando profundidade em ligações diretas da defesa para o ataque com sua altura (1,80m). Por utilizar bem o corpo para segurar os defensores e fornecer assistências ou pré-assistências no primeiro toque de cabeça, o uruguaio é excelente em jogadas de profundidade. Apesar de não ser tão alto, o atacante costuma marcar gols de cabeça, geralmente golpeando a bola com os olhos abertos.

Todavia, mesmo com tamanha competência em jogadas táticas, Arezo é ainda mais eficiente com a bola nos pés. Com liberdade de movimentação, principalmente para atacar os espaços e finalizar com a perna direita, a imprevisibilidade é um artificio que o torna num artigo de luxo, criando inúmeras chances de gol por jogo.

Dotado de muita técnica, o uruguaio é excelente em transições rápidas por seus passes e capacidade associativa para gerar superioridade em lados fortes.

A frieza no último terço desse jovem de 17 anos, que em novembro completará 18, já chamou a atenção do The Guardian, que o colocou entre as 50 melhores promessas jovens em 2019. Embora o corpo ainda seja de um jovem, a cabeça é de um veterano de três Copas do Mundo.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Caio Nascimento

Últimas Postagens

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol
Jonatan Cavalcante

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol

0 Comentários
Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI
Footure

Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI

0 Comentários
Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada
Caio Nascimento

Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada

0 Comentários
Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos
Caio Bitencourt

Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos

0 Comentários
O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?
Bruna Mendes

O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?

0 Comentários
O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?
Gabriel de Assis

O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?

0 Comentários
Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários
A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar
Lucas Filus

A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar

0 Comentários