Os erros de Emery no Arsenal e quem pode corrigi-los

Na tentativa de se desprender de Wenger, os gunners acabaram com um rendimento ainda pior; Nuno Espírito Santo surge como o favorito para assumir e tem uma proposta interessante

Assim como seu antigo rival por títulos Manchester United, o Arsenal foi gradativamente caindo de patamar até chegar no ponto em que o sucesso seria surpreendente. A época de Arsene Wenger parecia ter passado e era hora de dar o ‘próximo passo’. Mas o torcedor não imaginava que seria com Unai Emery, pouco compatível com os desejos do clube.

O time precisava com urgência de um choque de realidade, se energizar em termos psicológicos e se tornar um coletivo forte. Não apenas depender de aspectos insustentáveis como a inspiração de algum artilheiro – Aubameyang – ou coisa do tipo. Não faz sentido a defesa receber constante investimento e continuar uma fraqueza, naturalmente oferecendo brechas pro adversário ou falhando sempre no 1v1.

Faltava estrutura e um sistema que trouxesse competitividade. O problema é que o treinador espanhol acabou fazendo um trabalho definido pelo oposto desse objetivo. Não podemos acusá-lo de deixar de tentar encontrar a fórmula pro crescimento, mas seu erro pode ter sido justamente ‘tentar demais’. As escolhas para escalação, formação e estratégia variavam a cada semana e a estabilidade não veio em um ano e meio sob seu comando.

Emery tinha algo preparado meticulosamente para todo oponente – mais pro lado da prevenção do que algum caminho para superá-los. É um fator super interessante em seu perfil e parcialmente responsável por seus títulos de Europa League com o Sevilla, claro. Os gunners, entretanto, acabaram perdidos em meio a essas alterações frequentes e até hoje não se sabe a verdadeira identidade da equipe.

Como reclamar, então, do desempenho abaixo da média de certos jogadores? Muitos não tiveram sequência dentro de um contexto coerente, tendo que ajustar a mentalidade jogo a jogo. Soma-se isso a resultados decepcionantes e acontece o óbvio: perdem a confiança no que o comandante está tentando passar. Aí virou uma questão de quando a demissão ocorreria. 

Os resultados com Emery foram muitas vezes dependentes da inspiração de Aubameyang (Foto: Reprodução/Goal)

Para alívio da maioria, a diretoria não continuou insistindo e fica a expectativa sobre o novo contratado. Freddie Ljunbjerg assume interinamente e traz boas lembranças para a torcida, mas um nome mais experiente deve chegar. Massimiliano Allegri é um dos cotados e seu perfil firme agrada, mas ao que tudo indica Nuno Espírito Santo é o favorito

O português foi escolhido a dedo para assumir o projeto do Wolverhampton ainda na Championship e, em sua terceira temporada, já é ídolo do clube. Chegou aos 100 pontos na segunda divisão com performances impressionantes do ponto de vista ofensivo e, na Premier League, encorpou o seu trabalho. 

Sempre com uma linha de três zagueiros – variando apenas entre o 3-5-2 e o 3-4-3 -, usou da mesma estrutura para anular a maioria dos adversários com muita disciplina defensiva e atacar de forma sistemática, abusando de Raul Jimenez como referência e a mobilidade de Diogo Jota. O ponto-chave para sua filosofia é explorar o melhor de cada atleta dentro de uma proposta coletiva visível.

Nuno aparentemente é o favorito para assumir (Foto: Reprodução/Noticias ao Minuto)

Um dos melhores treinadores da liga – consegue-se observar exatamente o que seus comandados estão tentando fazer em campo -, pode dar ao Arsenal justamente o que precisam: a confiança de que são um time, não apenas um grupo de jogadores tentando descobrir o seu propósito individual. Falta ordem e Nuno é admirador da palavra. Dificilmente cometeria os erros de Emery e isso já é um alento. 

A ver os próximos passos no Emirates.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar
Aurelio Solano

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar

0 Comentários
Cinco promessas africanas na base de clubes europeus
Caio Nascimento

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus

0 Comentários
Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua
Caio Bitencourt

Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua

0 Comentários
A afirmação da Espanha e sua nova geração
Bruna Mendes

A afirmação da Espanha e sua nova geração

0 Comentários
Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar
Gabriel de Assis

Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar

0 Comentários
RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B
Douglas Batista

RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B

0 Comentários
Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20
Caio Nascimento

Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20

0 Comentários
A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan
Caio Bitencourt

A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan

0 Comentários
Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história
Gabriel de Assis

Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história

0 Comentários
Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a ‘era’ de clube-estado
Eduardo Dias

Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a 'era' de clube-estado

0 Comentários
Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei
Caio Bitencourt

Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei

0 Comentários
O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?
Caio Nascimento

O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?

0 Comentários
O agressivo América/MG de Vagner Mancini
Gabriel de Assis

O agressivo América/MG de Vagner Mancini

0 Comentários
O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba
Douglas Batista

O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba

0 Comentários
A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona
Bruna Mendes

A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona

0 Comentários