3 ANOS DE GALLARDO

Por @BolivarSilveira O povo argentino possui a tradição de denominar copero aquele que ganha muitos títulos. Nada pode resumir melhor Marcelo “Muñeco” Gallardo que o adjetivo COPERO. O ex-camisa 10 é um legítimo levantador de copa e, para erguê-las, o treinador do River Plate possui ideias de jogo muito bem embasadas, que se sedimentam a cada […]

Por @BolivarSilveira

O povo argentino possui a tradição de denominar copero aquele que ganha muitos títulos. Nada pode resumir melhor Marcelo “Muñeco” Gallardo que o adjetivo COPERO. O ex-camisa 10 é um legítimo levantador de copa e, para erguê-las, o treinador do River Plate possui ideias de jogo muito bem embasadas, que se sedimentam a cada temporada.

Gallardo assumiu o comando dos Milionários em 2014, duas temporadas após o maior drama de toda a história do clube; o rebaixamento. A reconstrução da equipe sob o comando de Matías Almeyda e depois de Ramón Diaz contou com a valorização da quiçá mais valorosa categoria de base argentina. O trabalho dos antecessores foi de suma importância para pavimentar o sucesso de Marcelo, que chegara num clube pacificado.

Desde que pôs os pés em Núñez para comandar a casamata, Muñeco implementou um modelo de jogo que pouco mudou nestes quatro anos. A equipe se posta em 4-3-1-2/4-4-2(losango). Sendo Ponzio sua principal peça, tanto defensiva, quanto ofensiva. A sistematização do River Plate, apesar das trocas de peças, se mantém desde 2014. O movimento ofensivo se da pelas laterais do campo, usando principalmente os meias internos e os laterais para criação de triangulações e superioridade no setor. O volante defensivo tem a função de recuar entre os zagueiros e tirar o mais rápido possível a bola da zona de perigo – atividade muito bem realizada por Ponzio (2014-2017) e Kranevitter (2015).

River Plate v FC Barcelona - FIFA Club World Cup Final

A linha defensiva alta, sempre composta por defensores fortes e rápidos, auxilia na marcação sob pressão utilizada por Gallardo para recuperar a bola rapidamente. Os zagueiros também são os encarregados de cobrir os espaços às costas dos laterais, quando os mesmos estão em fase ofensiva. No Brasil, por exemplo, existe a tradição do volante cobrir as costas do lateral. Deslocação que muitas vezes desequilibra o meio-campo.

A intensidade e bons fundamentos de toque dos meio-campistas são outros pontos primordiais da banda roja de Buenos Aires. Em formato de triangulo, o meio campo do Gallardo exige troca de posições e bastante jogo associado com os laterais. A ação de se desmarcar e ocupar o espaço vazio é uma constante. Na fase ofensiva os quatro jogadores do meio fazem a reposição rapidamente, sendo que geralmente apenas um destes possui fortes tendências defensivas.

A Argentina sempre produziu bons centroavantes e ótimos atacantes e o treinador não se desfaz desta tradição. O River vai a campo com um jogador de referencia, geralmente com bom porte físico e bons fundamentos de cabeceio, acompanhado de um segundo atacante, mais leve e de bom drible. Duplas de ataque que são fomentadas por cruzamentos altos, provenientes de jogo associado e triangulações entre os meio-campistas e laterais.

Comandando há quatro anos um dos maiores times do continente americano, fica claro que não é apenas dentro de campo que Gallardo se destaca. A cada janela de transferências evidencia-se o forte poder de prospecção do comandante milionário, que busca jogadores polivalentes e que saibam atuar no modelo exigido pela equipe. Há que se destacar também a utilização da fortíssima categoria base do River Plate, que desde o seu comando levou cinco jogadores ao selecionado nacional. O comandante se adapta aos problemas e o River segue apresentando seu futebol equilibrado.

Em três anos, Marcelo Gallardo já conquistou duas Recopas Sudamericas, uma Copa Sudamericana e uma Libertadores da América. Tudo isso com o seu futebol intenso, vertical, associado, olhando com carinho para os jovens da casa e garimpando bons talentos pelo continente. O ídolo vive de bom futebol e taças no armário. Que o bom futebol siga por muitos anos no Bairro de Núñez.

2014/15

1

2015/16

2

2016

3

2017

4

 

 

 

 

 

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar
Aurelio Solano

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar

0 Comentários
Cinco promessas africanas na base de clubes europeus
Caio Nascimento

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus

0 Comentários
Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua
Caio Bitencourt

Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua

0 Comentários
A afirmação da Espanha e sua nova geração
Bruna Mendes

A afirmação da Espanha e sua nova geração

0 Comentários
Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar
Gabriel de Assis

Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar

0 Comentários
RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B
Douglas Batista

RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B

0 Comentários
Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20
Caio Nascimento

Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20

0 Comentários
A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan
Caio Bitencourt

A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan

0 Comentários
Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história
Gabriel de Assis

Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história

0 Comentários
Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a ‘era’ de clube-estado
Eduardo Dias

Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a 'era' de clube-estado

0 Comentários
Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei
Caio Bitencourt

Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei

0 Comentários
O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?
Caio Nascimento

O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?

0 Comentários
O agressivo América/MG de Vagner Mancini
Gabriel de Assis

O agressivo América/MG de Vagner Mancini

0 Comentários
O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba
Douglas Batista

O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba

0 Comentários
A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona
Bruna Mendes

A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona

0 Comentários