A novidade de Gonzalo Villar na Roma

O espanhol tem sido uma das revelações da temporada romanista na Serie A, por seus passes, estilo de jogo e especialmente, os dribles

Nos últimos anos, uma das políticas de mercado na Roma independentes de dirigentes, seja com Monchi, com Gianluca Petrachi ou com o novo diretor-esportivo giallorosso, Tiago Pinto, tem sido a aposta nos jovens em busca da salvação financeira e esportiva do projeto romanista.

Em 2020, dois espanhóis foram contratados em meio a este projeto: Carles Pérez, com o selo de quem já tinha oportunidades no Barcelona e sendo uma joia de “La Masia”, e um jovem meio-campista vindo do Elche, e destaque na campanha que deu o acesso ao time da região de Alicante: Gonzalo Villar.

O meia de 21 anos é considerado prodígio há alguns anos, desde que surgiu nas categorias de base do Valencia, e que chegou a frequentar o time principal, e que a gestão de Peter Lim acabou por vendê-lo ao Elche de maneira punitiva por querer mais minutos e melhor remuneração.

O futebol de Villar apresentado no Elche, e especialmente desde a chegada na Roma, com o aproveitamento que Paulo Fonseca achou do jovem meia espanhol, deve dar mais motivos para que os torcedores valencianos insultem até a décima geração do presidente Peter Lim.

E Villar convenceu não apenas o treinador giallorosso, mas o torcedor exigente do clube da capital. Alguns de seus trunfos em campo são fundamentais para um jogador de elite, como uma boa postura corporal no chute, um bom primeiro controle e uma boa capacidade de reter a posse de bola.

Nesse último quesito, vem uma de suas grandes qualidades. Mesmo não sendo elástico e rápido, ele consegue ter um drible eficiente. Embora passe longe de ser mesmo o romanista que mais dribla por jogo, ele tem a terceira média dos giallorossi, com média de 2.0 dribles/jogo, atrás apenas de Carles Pérez e Spinazzola, e longe do líder no quesito por tentativas, Mkhitaryan.

E este drible rápido e eficiente o favorece na sua zona de campo de onde joga, como meia defensivo e responsável especialmente pela saída de bola do time de Paulo Fonseca. Tanto que o camisa 14 giallorosso, tem média de 90,9% de dribles certos, o líder dos meio-campistas da Serie A no quesito, muito a frente do segundo colocado, o milanista Bennacer, de 71,4%.

O estilo de passe de Villar também é fundamental na saída de jogo, com passes curtos, e aproveitamento de cerca de 89,7% na Serie A, entre os melhores gerais do campeonato. O meia espanhol tem por característica jogar com passes curtos, mais diretos, o que favorece o acerto.

Por outro lado, seja por esses passes curtos, seja por participar de fases mais atrasadas do campo, nas primeiras linhas do meio giallorosso, explica o fato de que Villar não marcou gols e tem apenas uma assistência, no passe para o gol de empate de Mancini diante da Inter. 

Vale dizer que Villar não é só fase ofensiva, já que tem um bom número de desarmes, com cerca de 1,5 desarmes por jogo, mas por outro lado, precisa controlar o fato de ser um jogador faltoso, o que lhe gerou certos problemas no campeonato com cartões amarelos. 

Mas vamos voltar aos dribles. O ótimo texto de Dario Saltari para L’Ultimo Uomo tem também análises interessantes sobre a mecânica de alguns bons dribles do espanhol, e trazemos aqui a análise com os GIFs de três destes lances:

O primeiro drible, é um na saída de jogo diante do Parma, em que ele tem a opção mais simples de um passe para Veretout, e a movimentação somado ao controle de bola mesmo em uma posição perigosa, faz com que o espanhol saia da marcação com certa facilidade.

O segundo drible, diante do Benevento, mostra simultaneamente a dinâmica do drible do espanhol aplicada a um passe mais vertical. E neste caso, pode-se aplicar nem tanto pela finta, mas pela qualidade da movimentação corporal no lance em questão.

Por fim, o terceiro drible, contra o Bologna, em que a movimentação corporal de Villar colabora para que a tentativa de drible seja bem sucedida, embora a posição de campo não tenha colaborado para o passe. Mas vale perceber no lance que o controle de bola do espanhol faz com que ele também controle o ritmo, que parece rápido no começo, mas a parada no lance quebra a marcação.

O crescimento de Villar é exponencial, um fato para se justificar a aposta da Roma em sua qualidade, para justificar as convocações para a seleção espanhola sub-21 que deve ir as Olimpíadas de Tóquio e as Eliminatórias da Euro da categoria, e para fazer Peter Lim se arrepender de ter desfeito do jogador. 

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Caio Bitencourt

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