Gols evitados: uma análise dos dados sobre goleiros do Brasileirão em 2020

Como vinha sendo o rendimento dos camisas 1 na temporada? Confira os números e entenda como os goleiros podem ser avaliados quantitativamente pelo número de gols evitados

A temporada de 2020 precisou ser interrompida por razões muito maiores que o futebol. Durante a paralisação, um dos meus exercícios prediletos tem sido levantar números dos jogos que ocorreram até aqui e, mesmo que de maneira precoce, traçar paralelos e observar tendências. Em se tratando de goleiros, há dados que, correlacionados, mostram quantos gols cada um evitou no ano — e, a partir deles, é possível fazer uma leitura não só sobre o jogador, como sobre o sistema defensivo da equipe no geral.

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Embora apresentados de maneira quantitativa, os números demonstram quem está performando além do esperado. Esse desempenho pode representar, por exemplo, que o goleiro está fazendo mais defesas em chutes com maior probabilidade de serem gols — algo que a porcentagem de chutes defendidos, sozinha, não aponta. Ou seja, seria injusto comparar igualmente o arqueiro que enfrentou mais finalizações de dentro da área com o que recebeu mais bolas de fora da área, e é por isso que se usa o xG do adversário para a métrica.

Dados dos goleiros da primeira divisão

Para alcançar o número de gols evitados por cada goleiro, foi relacionada a quantidade de gols sofridos com o número esperado de gols da equipe que o camisa 1 enfrentou (xG). Foram escolhidos, para o estudo, os jogadores com o maior número de jogos por cada equipe da Série A do Brasileirão até o momento na temporada. Claro que são números diferentes de partidas para cada um, e, por isso, foi realizada uma média para que o número apresentado seja equivalente a cada jogo (90 minutos), colocando todos os goleiros no mesmo universo.

Claro que, em um universo pequeno, o bom aproveitamento dos atacantes rivais em chances não tão claras, ao menos teoricamente, pode levar a um pior aproveitamento dos goleiros. O fato de Anderson, do Athletico, ser o último da lista, não quer dizer, necessariamente, que ele está “entregando” gols aos adversários, mas sim que o rendimento dos atacantes que o arqueiro enfrenta pode estar sendo melhor do que o esperado.

O mesmo vale para Júlio César, do Red Bull Bragantino, líder da lista, com quase um gol evitado a cada dois jogos. O número coloca-o como o goleiro que menos sofre os gols que deveria sofrer até aqui, o que pode tanto representar um trabalho impecável dele debaixo das traves como um mau aproveitamento dos atacantes adversários. Os dois fatores são relativos, mas podem estar correlacionados.

Analisando qualitativamente, os números podem ser esclarecidos, e é por isso que são tão valiosos. O goleiro do Athletico foi titular em cinco partidas, e sofreu seis gols. Contra o Cianorte, por exemplo, foram três gols sofridos por Anderson, mas com o adversário tendo um xG de dois gols, deixando o jogador com o “débito” de um gol. Olhando os lances do jogo, é possível corroborar a tese com o primeiro tento do rival.

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No caso de Júlio César, boa parte de suas performances superam o esperado. Como ilustração, a vitória do Bragantino sobre o Palmeiras por 2 a 1. Nela o goleiro fez duas grandes defesas em chances que, juntas, representariam 1,6 gol do adversário — comprovando, nesse caso, seu mérito debaixo das traves, e não o demérito dos atacantes rivais.

Com os dados dispostos no gráfico, é possível visualizar que goleiros com melhor média de chutes defendidos tendem a ter um maior número de gols evitados. Isso, no entanto, não se mostra algo uniforme. O goleiro Fernando Miguel, do Vasco, tem um percentual maior de defesas em relação aos chutes sofridos (77%), mas o seu adversário médio produziu para marcar menos gols do que, de fato, marcou. A relação não é a mesma para Cássio, do Corinthians, que, apesar de defender apenas 68% dos chutes que sofreu, evitou um número positivo de gols na temporada.

São dados a serem acompanhados ao longo da temporada, mas que já apontam quais goleiros vinham rendendo além do esperado, pelas diversas razões possíveis que foram apresentadas anteriormente. Comprometo-me em atualizar o ranking com a retomada dos jogos, e também em agregar dados relacionados à distribuição de jogo, algo que já esteve em pauta no Footure e que é cada vez mais relevante no futebol de alto nível.

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Henrique Letti

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