As mudanças do Villarreal com Emery e as novas contratações do Submarino Amarelo

Mesmo com a classificação para a Europa League, o Villarreal mudou de treinador e buscou contratações para reforçar o elenco e sonhar alto na LaLiga 20/21

Antes da rodada 28 acontecer na temporada passada, o Villarreal se encontrava em 8º lugar na classificação da La Liga, e não tinha motivos suficientes para superar os adversários que estavam acima na tabela. Durante todo o tempo em que o futebol espanhol ficou paralisado, Javier Calleja conseguiu absorver todos os problemas e as instabilidades que não deixaram o submarino amarelo voltar à superfície, e dessa forma conseguiu uma vaga europeia.

A classificação para a Europa League, depois de um 2018 bem abaixo do esperado, fez o clube buscar um novo projeto sob o comando de Unai Emery. A chegada de Emery foi bastante discutida por um aspecto: demissão de Javier Calleja. E partindo do ponto que Calleja fez um bom trabalho na reta final da liga, até que ponto a troca de técnico implica em uma desvalorização do trabalho anterior?

Javier Calleja e sua trajetória no futebol

Passando pela base do Real Madrid, até estrear profissionalmente com a equipe do Almería, Javier Calleja chegou ao Villarreal em 1996 e fez 124 partidas pelo clube. Em 2012, após passagens por Málaga e Osasuna, anunciou sua aposentadoria aos 34 anos. Retornou ao submarino amarelo sendo um dos técnicos das equipes de base, e em 2017 assumiu o Villarreal B.

Pouco tempo depois da temporada 2017/18 começar, o técnico do time principal Fran Escribá foi demitido após sofrer uma goleada de 4 a 0 contra o Getafe. O time naquele momento demonstrava tamanha irregularidade que, se mantida, tornaria o time incapaz de competir na parte de cima da tabela, e Calleja foi chamado para resolver esse problema.

Ao fim da temporada, a equipe conseguiu uma classificação para a Europa League com 18 vitórias em 38 jogos. E esse mesmo caminho se repetiu. No fim de 2018, foi demitido pelos mesmos motivos do que seu antecessor: a irregularidade. Entretanto, menos de 3 meses depois, foi chamado de volta após demissão de Luis Gárcia que não conseguiu recuperar o bom futebol da equipe.

O trabalho de Calleja na última temporada foi recheado de momentos bons e ruins, mas foi coroado com uma parte final brilhante. O grande questionamento sobre a continuidade era óbvio: o time iria, novamente, se perder em meio a consistência? E é nesse momento de reflexão que entra a busca do time por Unai Emery.

É fato que não existe discussão analisando a relevância da carreira de ambos, mas é plenamente compreensível toda a construção da ideia e consciência do contexto vivido. Apesar da classificação para disputar uma competição continental, a temporada não vinha sendo uma das melhores, e os prós não pesaram tanto quanto os contras.

Unai Emery, novas contratações e novos propósitos

É fato que os últimos dois clubes treinados por Emery não tiveram grandes resultados. Apesar dos números indicando um rendimento agradável, se provaram ainda melhor com os sucessores — PSG com Thomas Tuchel e o Arsenal em pouco tempo de Arteta.

Entretanto, seu currículo ainda o favorece, principalmente por tudo que fez com o Sevilla entre 2013 e 2016, ganhando três Europa League consecutivas e boas atuações na liga. E o retorno a Espanha promete.

A contratação de maior impacto na janela: Dani Parejo (Divulgação/Villarreal)

Villarreal faz uma das janelas mais promissoras da liga e, com o repertório do treinador, tende a fazer uma grande temporada visando feitos no continente, mas sem deixar de lado uma maior consistência no campeonato espanhol.

A dura perda de Santi Cazorla é algo a se pontuar. Protagonista do time ao lado de Gerard Moreno durante toda a temporada passada, Santi resolveu diversos problemas ofensivos da equipe e foi fundamental para aliviar responsabilidades coletivas que não procederam nesse tempo.

A chegada de Dani Parejo e Coquelin serve para comprimir um meio-campo que até então possuía poucos aspectos resistentes e técnicos ao mesmo tempo. O empréstimo de Kubo é ainda mais estimulante. O jovem jogador do Real Madrid chega para elevar o estilo da equipe em termos associativos, criativos e técnicos, com características suficientes para proporcionar, em sua devida proporção, algo parecido com o que Cazorla fazia em campo.

Mesmo com ótimas contratações para o meio e o ataque, visando deficiências da equipe, o sistema defensivo será ainda mais exigido. Em pouco tempo de Arsenal, Emery não conseguiu resolver todos os problemas da zaga gunner, e a regularidade do Villarreal passa por esse setor. Se o time conseguiu uma série de vitórias até o quinto lugar da La Liga foi pela estabilidade e harmonia nessa região, que compensou muitas vezes a falta de objetividade no ataque.

Pela juventude era natural que a oscilação de Pau Torres influenciasse em certos momentos, mas o crescimento nos últimos jogos foi bastante significativo, e a tendência do canhoto é adquirir ainda mais experiência ao lado de Raúl Albiol. A ideia de mostrar excelência em jogos de maior magnitude, como na Europa League por exemplo, só aumenta.

Na busca da saída de bola — sustentação que Emery tanto gosta — com zagueiros e volantes fazendo o trabalho central entra Dani Parejo. O ex-camisa 10 do Valencia será importante na base e na construção das jogadas assim como dominava no Mestalla. Talento individual não falta nessa equipe, e a adaptação de Kubo, com seu lado físico cada vez mais aprimorado, torna bem interessante seu papel associativo próximo a Gerard Moreno no último terço.

Em relação a expectativa e realidade, é interessante notar como os destinos do clube e do treinador são parecidos. Emery retornando a Espanha — treinou o Valencia anteriormente —, assim como foi quando chegou ao Sevilla depois de passar um tempo na Rússia. E no caso do Villarreal que está em busca de um salto maior, assim como foi durante as últimas duas temporadas, fazendo mudanças na equipe técnica com maiores ambições nos próximos anos.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Bruna Mendes

Últimas Postagens

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol
Jonatan Cavalcante

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol

0 Comentários
Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI
Footure

Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI

0 Comentários
Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada
Caio Nascimento

Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada

0 Comentários
Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos
Caio Bitencourt

Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos

0 Comentários
O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?
Bruna Mendes

O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?

0 Comentários
O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?
Gabriel de Assis

O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?

0 Comentários
Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários
A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar
Lucas Filus

A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar

0 Comentários