Com propósitos diferentes na tabela, Atleti e Granada agradam nesse retorno

Além do ótimo desempenho do Villarreal, que comentamos na coluna da semana passada, outros times também conseguiram corrigir alguns problemas e aprimorar o desempenho ao fim da temporada.

Os gigantes Atlético de Madrid e Real Madrid conseguiram determinar em campo seus melhores desejos para coroar seus objetivos a partir do que foi jogado anteriormente – vaga na Champions League e briga pelo título, respectivamente. E sem dúvidas foram as equipes mais precisas nesse tempo, porém sobre o lado merengue falaremos em um futuro próximo…

Fora os dois times da capital, temos o Granada de Diego Martinez, que, independente de resultados, conseguiu manter seu “padrão” e faz um dos trabalhos mais íntegros na liga.

As particularidades de um Atleti renovado nessa fase final

Simeone sempre se mostrou preocupado com o físico de seus jogadores e em certos momentos seus maiores objetivos eram superados muito por conta disso. A força física se torna fundamental dentro de seu jogo, e ligeiramente frágil sem ela – não temos exemplos melhores do que as finais de Champions em 2014 e 2016 no qual a equipe se superou fisicamente e ainda assim levou o Real Madrid ao limite.

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Independente das reclamações de muitos, é notório como o treinador consegue evoluir pelo menos um jogador durante grandes temporadas, e além do tático, pensando também na questão concreta. Morata e Diego Costa são os dois centroavantes ao lado de um João Félix mais ágil e enérgico. Após a paralisação, Llorente entra como alternativa ofensiva para superar, além do tático, o contexto físico.

É cômico determinar o estilo de jogo de uma equipe por número de volantes, ainda mais se tratando de um jogador como o jovem espanhol. Sabemos como cada um desses volantes, principalmente no Atleti, têm uma função diferente, visando características e habilidades. E por essa perspectiva Cholo reflete um raciocínio bastante plausível. Em uma sequência de leitura de jogo sem a bola, pressão lá no alto e retomada da mesma junto de transições rápidas, o volante ofereceu chances atrás de chances. É importante citar os companheiros que acompanham os avanços pelos lados, seja Carrasco ou Correa, e claro, ações envolvendo Koke – jogador extremamente necessário em termos de associação.

Essa adaptação de Marcos Llorente em uma nova função é o seu grande feito nesse sentido, uma solução genial para poupar jogadores de frente sem perder tanto poderio ofensivo. O camisa 14 consegue avançar, acelerar e produzir na mesma proporção que um jogador de frente de muitas equipes dentro da liga. Porém independente disso sabemos como Simeone enxerga o jogo além.

Atleti Simeone Llorente
Llorente se transformou em uma peça chave para Simeone nessa reta final da La Liga.

Ao lado do maior rival o Atleti é a equipe com melhor campanha nesse retorno, e é significante como, mesmo que o desempenho esteja abaixo – obviamente considerado que o elenco e o clube vivem uma reconstrução – o Atletinão desperdiça gols. Em todas as partidas que marcou pontuou. E mesmo que isso engane nas questões dos empates, o número de derrotas é o que leva a equipe a se classificar para a Champions League a frente do Sevilla que faz uma temporada bastante coesa.

Diego Martinez reforça o coletivo para manter o Granada na primeira divisão em grande estilo

No Granada, vemos uma equipe altamente adaptável a qualquer estilo. O que o adversário pede Diego Martinez responde. O técnico mais jovem da liga faz o grande trabalho da temporada – considerando que o Getafe de Pepe Bordalás já está decerto inserido desde 2018/19.

No seu primeiro ano como treinador do clube conseguiu o acesso e evoluiu ainda mais na elite. Desde que o futebol espanhol retornou, o clube tem apenas três derrotas e resultados importantes contra equipes que brigam na parte de cima da tabela.

Sempre é bom analisar como cada treinador impõe suas ideias pensando nos jogadores que tem em mãos. Não adianta exigir algo que seu elenco não consegue suportar, e essa questão é a grande semelhança entre Atleti e Granada até aqui. Nesse caso, a forma como o jovem treinador se relaciona em estabelecer ideias é admirável.

O segundo tempo contra o Real Madrid é a maior prova dessa ascensão. Uma partida extremamente difícil, contra um time rodeado de estrelas e jovens talentos, e ainda assim Martinez conseguiu superar deficiências da primeira etapa (principalmente as defensivas) para pressionar a equipe madridista – que conseguiu sair com os três pontos muito por conta das grandes defesas de Courtois e Sergio Ramos salvando em cima da linha.

Diego Martínez Granada
A pressão na saída de bola do Real Madrid foi o que originou o gol da equipe em uma partida que poderia muito bem ter terminado com um empate.

Inserido no mais alto nível, a versatilidade foi o que mais concedeu pontos ao Granada nessa liga. As diferentes maneiras e a habilidade de se adaptar às circunstâncias, estabelecendo uma hierarquia entre Roberto Soldado e Carlos Fernández, e o coletivo permanece. Uma solidez defensiva estabelecida como consequência de uma responsabilidade tática e com proteção de espaços, muitas vezes alternando para marcação individual, são fragmentos de uma equipe facilmente adaptável seja dentro ou fora de casa.

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