Eibar em busca de maior progressão

Sob o comando de Mendilibar, o Eibar pôde sonhar alto em La La nos últimos anos com a o modelo de pressionar e pressionar. Na atual temporada, a falta de pontaria tem prejudicado o "próximo passo" do clube

Desde 2015 no Eibar, Mendilibar vem impondo seu estilo dentro do clube e conseguindo alguns feitos interessantes com isso. A equipe conseguiu o acesso para a primeira divisão na temporada 2013/14 e todo o trabalho do treinador nos últimos é um dos principais motivos do time conseguir permanecer na elite do futebol espanhol.

Conceitos e adversidades

Pressionando o oponente desde sua construção até o último passe é algo bastante notório feito pelo treinador nesse tempo, mas isso implica em alguns problemas.

É fato que a equipe faz um bom trabalho marcando no campo do rival, atacando o jogador que tem a posse e o obrigando a tocar rapidamente a bola sem que consiga pensar no passe por um período maior de tempo. Entretanto, esse encaixe é superado quando a equipe adversária, principalmente com maior poderio técnico, consegue maior profundidade. Os espaços deixados são facilmente atacados se o oponente souber o que está fazendo e em alguns jogos são exemplo disso.

No confronto contra o Real Madrid podemos perceber essa questão. Nas duas últimas linhas, os jogadores promovem uma grande pressão na base da jogada, entretanto não conseguem recuperar quando jogadores como Toni Kroos e Sergio Ramos geravam grandes passes para se livrar dessa marcação — foram 20 lançamentos completados pela dupla durante os 90 minutos.

Já no confronto de ontem contra o Barcelona temos o contrário. A equipe consegue conter os blaugranas e sua pouca variedade de lançamentos e passes em profundidade; além de contar com bons momentos no contra-ataque. Os bons momentos não são transformados em boas chances, pela movimentação em transição ofensiva não ter sido das mais ajustadas. Entretanto, o gol de Kike sai em uma pressão no zagueiro Araújo em situação muito bem utilizada pelos atacantes do Eibar.

Bons efeitos e um futuro promissor

É claro e óbvia a superioridade técnica que o elenco de um Real Madrid ou um Barcelona tem em comparação a um clube médio da Espanha. Entretanto, é notório e interessante como Mendilibar buscou transformar esse modelo em qualidade e níveis quando se trata do objetivo: pressionar.

Mas de que forma isso é algo bom se exige tanto de uma movimentação quase perfeita? Bom, as equipes da La Liga são excelentes em performances defensivas ao conter adversários mais fortes. No caso do Eibar, temos efeito sem encaixar seus jogadores perto da grande área, e os defeitos desse sistema nem sem comparam com as equipes que estão na mesma parte da tabela.

O que leva a equipe a estar perto da zona de rebaixamento não é o estilo “corajoso” que deixa a defesa exposta, e sim a falta de precisão lá na frente. O método funciona, e funciona bem.

Sendo uma das melhores defesa da liga, é inegável que pressionar o adversário no seu campo faz do Eibar melhor no seu campo do que seria completamente reativo – Mendilibar consegue ser bem flexível dentro de muitas variações táticas. Apesar de deixar espaços no seu campo, consegue estimular o erro do adversário com mais frequência.

São apenas três vitórias em 15 jogos por conta de um ataque ineficiente e pouco refinado, e o grande porém é como agir no último terço. Na maioria das vezes, o ataque não consegue compensar o bom trabalho de pressão feito pelo sistema. Jogar com ou sem a bola não é um problema, o problema é quando o time produz, produz e produz, mas não consegue ser efetivo na cara do gol.

As saídas de Charles e Orellana, dois pilares do time nos últimos três anos, têm impacto negativo nos objetivos finais, e assim Bryan Gil é a melhor opção do time nesses momentos. Ótima contratação por empréstimo vindo do Sevilla, o espanhol faz um grandíssimo papel dentro do que a equipe precisa: um cara técnico e habilidoso para refinar o último passe.

Bryan tem média de 2.2 passes decisivos por jogo, concedendo ao companheiros maiores chances de finalização.

O canhoto de apenas 19 anos evoluiu bastante desde seu empréstimo para o Leganés durante a última temporada, e hoje é aquele jogador que consegue contribuir absurdamente na produção dentro do setor criativo, sendo um grande facilitador das jogadas. Como consequência, os companheiros dependem menos de Edu Expósito que por muito tempo foi o principal jogador do time nessa função.

Em 2020, o Eibar até consegue elaborar suas jogadas ofensivas em transição depois de procurar o erro adversário, o problema é quando não há execução final e acaba perdendo grandes chances a partir disso. A defesa pode compensar até o fim do campeonato, mas vimos entre 2016 e 2018 como o clube consegue se manter no meio da tabela como objetivo principal, e com isso pode conseguir mais.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar
Aurelio Solano

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar

0 Comentários
Cinco promessas africanas na base de clubes europeus
Caio Nascimento

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus

0 Comentários
Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua
Caio Bitencourt

Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua

0 Comentários
A afirmação da Espanha e sua nova geração
Bruna Mendes

A afirmação da Espanha e sua nova geração

0 Comentários
Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar
Gabriel de Assis

Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar

0 Comentários
RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B
Douglas Batista

RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B

0 Comentários
Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20
Caio Nascimento

Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20

0 Comentários
A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan
Caio Bitencourt

A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan

0 Comentários
Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história
Gabriel de Assis

Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história

0 Comentários
Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a ‘era’ de clube-estado
Eduardo Dias

Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a 'era' de clube-estado

0 Comentários
Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei
Caio Bitencourt

Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei

0 Comentários
O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?
Caio Nascimento

O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?

0 Comentários
O agressivo América/MG de Vagner Mancini
Gabriel de Assis

O agressivo América/MG de Vagner Mancini

0 Comentários
O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba
Douglas Batista

O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba

0 Comentários
A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona
Bruna Mendes

A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona

0 Comentários