ENTRE 2022 À 2026: O QUE MUDOU NO BRASIL DESDE O ÚLTIMO ENCONTRO CONTRA A CROÁCIA

Após a eliminação para os croatas nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, o Brasil reencontrará a Croácia com mais dúvidas do que certezas sob o comando de Carlo Ancelotti

Há quase quatro anos, em 9 de dezembro de 2022, Brasil e Croácia voltaram a se enfrentar em uma Copa do Mundo. O confronto, no entanto, ficou marcado na história das duas seleções. Após abrir o placar na prorrogação, a equipe brasileira acabou eliminada nos pênaltis, em um resultado que gerou grande repercussão no cenário do futebol e impactou diretamente o ciclo rumo à Copa de 2026.

Agora, as seleções voltam a se encontrar, desta vez em um amistoso. O reencontro levanta uma questão inevitável: o que mudou na Seleção Brasileira desde então?

Com a saída de Tite, Ramon Menezes assumiu interinamente o comando da equipe. Na sequência, o cargo passou por Fernando Diniz, Dorival Júnior e, atualmente, está sob responsabilidade de Carlo Ancelotti. Um ciclo marcado por instabilidade, com quatro treinadores em um curto espaço de tempo.

Esse cenário turbulento contribuiu para expor problemas estruturais da seleção, tanto na formação de jogadores quanto no aspecto de personalidade competitiva.

Principal alvo de críticas à época da eliminação para a Croácia, o meio-campo mais leve utilizado por Tite — formado por Casemiro, Lucas Paquetá e Rodrygo ou Neymar — volta a ser replicado. Diante da dificuldade em encontrar meio-campistas confiáveis ao longo do ciclo, o Brasil voltou a apostar na imposição ofensiva, concentrando suas principais armas nos jogadores de ataque.

Sob o comando de Ancelotti, a equipe tem atuado com quatro atacantes de origem, utilizando Matheus Cunha como meia de ligação e Vinícius Júnior como referência mais avançada.

A proposta apresenta pontos positivos em determinados contextos. A seleção consegue executar boas ações de pressão, com saltos coordenados, muito em função da capacidade de Casemiro e Bruno Guimarães de avançar para pressionar os meias adversários. Além disso, o modelo potencializa o jogo de transição, aproveitando a qualidade dos atacantes em campo aberto e sua capacidade de ataque ao espaço.

Entretanto, problemas já identificados na última Copa seguem presentes. Diante de adversários mais compactos, o Brasil encontra dificuldades para colocar seus pontas em situações vantajosas de um contra um, além de apresentar lentidão na progressão ofensiva. Na fase inicial de construção, a distância entre volantes e atacantes se torna evidente, o que frequentemente leva a equipe a recorrer a bolas longas.

Defensivamente, as fragilidades se acentuam. A seleção costuma apresentar desvantagem numérica no meio-campo, permitindo a circulação curta dos adversários e sendo forçada a recuar com frequência, o que pressiona excessivamente a última linha defensiva. Esse cenário remete diretamente ao duelo contra a Croácia, quando Luka Modrić e Marcelo Brozović controlaram o ritmo da partida, escapando da pressão e ditando o jogo para os europeus.

O contexto também levanta questionamentos sobre a formação recente de meio-campistas no futebol brasileiro. Na primeira convocação do ciclo, ainda sob comando de Ramon Menezes, seis jogadores da posição foram chamados, sendo que apenas três — Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá — apresentam reais chances de presença na próxima Copa, todos já integrantes do elenco em 2022.

Atualmente, Ancelotti tem convocado, em média, cinco atletas para o setor nas Datas FIFA, com o retorno de Fabinho como opção de reposição a Casemiro. O cenário indica a possibilidade de manutenção de grande parte do grupo criticado no último Mundial.

Ou seja, há uma tendência de repetição de problemas estruturais, especialmente em um setor que já foi alvo de críticas. A discussão se amplia para temas como processo formativo, integração de atletas da base e desenvolvimento de perfis mais completos para o meio-campo.

Apesar do trauma, a eliminação para a Croácia trouxe reflexões importantes sobre o futebol brasileiro e gerou expectativa por mudanças. No entanto, às vésperas de um novo encontro entre as seleções, os mesmos problemas permanecem evidentes — ainda sem solução clara no horizonte.

Mais do que respostas, o confronto reacende dúvidas sobre o futuro da Seleção Brasileira.

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