Ferroviária é favorita ao título brasileiro?

Com 100% de aproveitamento antes da parada forçada, a Ferroviária mostra um time mais forte que em 2019

O Campeonato Brasileiro está paralisado pela pandemia do COVID-19, mas a Ferroviária era líder da competição até não poder jogar pela última rodada que foi interrompida na segunda-feira, data em que retornaria a fazendinha para enfrentar o Corinthians pela primeira vez após ser campeã brasileira na casa das alvinegras temporada passada. Os times se enfrentaram também na libertadores após essa histórica final, também para disputar o titulo, mas fora no Equador, com direito a confirmação da tão aguardada revanche por parte do Corinthians.

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O Corinthians de 2019 foi o time sensação não só em território nacional, uma vez que seus recordes e belos gols rodaram o mundo e fizeram história, e a Ferroviária a equipe que impediu o ano perfeito para o time de recordes. Fato é que as duas equipes foram protagonistas do futebol brasileiro, tendo a Ferroviária sido campeã brasileira e vice campeã da libertadores, e o Corinthians vice campeão brasileiro, campeão da libertadores e campeão paulista.

Não sabemos o que será das competições esse ano diante de toda essa crise e futebol paralisado ao redor do mundo, mas pelo que foi apresentado até sua suspensão, o campeonato brasileiro tem na sua atual campeã, uma das equipes favoritas ao título.

Vamos entender um pouco a Ferroviária da temporada passada para percebemos o que mudou e evoluiu em 2020.

A Ferroviária atuava no 4-4-2, se defendendo em bloco medio e atacava no 4-3-3 com liberdade para as jogadoras de meio se movimentarem bastante nas construções ofensivas e sem muito compromisso defensivo para as atacantes, sendo sempre opção em profundidade quando a ferroviária recuperava a bola e acionava o contra-ataque rapidamente. A equipe gostava de marcar alto a saída de bola adversária e, contra o Corinthians, impôs dificuldade assim em diversos confrontos, mas acabou sendo derrotada e por placares elásticos quando a equipe alvinegra conseguia furar esse bloqueio e explorar bem as costas da defesa. 

Depois de ser goleado num placar agregado de 9×1 na semifinal do paulista, a equipe grená adotou uma postura diferente na final do brasileirão, com um bloco muito baixo e apostando principalmente na Aline Milene a controlar a bola e buscar o contra-ataque, utilizando seu forte 1×1 para quebrar linhas da defesa adversária. 

Além dessa postura, contou com uma final pouco inspirada das corinthianas nas finalizações nos dois jogos da final, especialmente o segundo, e com grande atuação da goleira Luciana fechando os ângulos das artilheiras alvinegra e executando grandes defesas. Nos pênaltis, a ferroviária foi mais competente e levou o merecido título brasileiro.

Ferroviária
Tatiele Silveira, técnica da Ferroviária e também a primeira a mulher a comandar uma equipe campeã brasileira. Foto: Dibradoras

E como vinha atuando a atual campeã brasileira nessa temporada?

Foram 4 jogos com 100% de aproveitamento até agora. Já na primeira rodada, goleou o Audax por 4×0. Depois foi a Brasília e fez jogo difícil contra o organizado Minas ICESP, onde venceu por 2×1. Emendando a sequência fora de casa, a equipe grená visitou o Palmeiras, equipe estreante na série A1 após sua remontagem e que fez grandes investimentos para esse ano, mas não tomou conhecimento e aplicou mais uma goleada, vencendo por 4×1. Seu último jogo antes do campeonato ser interrompido foi a amostra perfeita de um time favorito ao título enfrentando um time favorito ao rebaixamento, e a atual campeã goleou a frágil Ponte Preta por 7×0, assumindo a liderança da competição até então.

A Ferroviária perdeu Nathane para essa temporada, uma dos principais nomes de 2019 e que foi protagonista da copa libertadores. Por outro lado, nomes de peso como Sochor, Sâmia e Chú reforçaram a equipe grená, além da manutenção de peças fundamentais como Rafa Andrade, Aline Milene, Luana, Barrinha e a goleira Luciana. Ou seja, a equipe campeã vem ainda mais forte para defender o título.

Como esse time se comporta em campo?

Os desenhos táticos se defendendo e atacando permanecem. 4-4-2 em momento defensivo e o 4-3-3 quando ataca, sendo ainda mais móvel já que a Patrícia Sochor, que substitui a Nathane no comando de ataque, é bastante móvel, a clássica falsa 9, que costuma recuar para participar da construção das jogadas e permitir infiltração das companheiras nas costas da defesa que sobe para acompanhar sua movimentação. Cai bastante pelos lados também e dificulta a marcação.

4-4-2 defensivo com Sochor e Chu mais avançadas.
4-3-3 ofensivo com a subida da quarta integrante da linha de meio.

Com Aline Milene em campo (jogadora esteve ausente em algumas partidas nesse início), o time utiliza ainda mais do desenho 4-3-3, com a camisa 10 se aproximando de Sochor e Chu na marcação alta.

A principal diferença do time do ano passado para a atual temporada então parte da movimentação das atacantes, principalmente da Sochor, que permite maior participação das meio campistas. Aline Milene e Sâmia aproveitam muito bem os espaços que a centro-avante cria, a camisa 8 da equipe grená disputa inclusive a artilharia da competição. Ou seja, o time conta com mais argumentos ofensivos.

Sochor recua para triangular com Sâmia que infiltra no espaço gerado pela movimentação da centro-avante, sendo acionada e finalizando para abrir o placar contra o Palmeiras.

Em 2019, a Ferroviária também era uma equipe que buscava a posse de bola, a marcação alta e o jogo propositivo, mas perdeu todas as partidas contra o Corinthians atuando dessa forma, e foi adotando uma postura muito mais defensiva que se consagrou campeã brasileira. Estávamos todos ansiosos para ver como seria a postura frente a frente ao Corinthians novamente, mas o coronavírus deixou tudo para depois.

Outra característica marcante da equipe e que se mantém, é o jogo apoiado desde a saída, com muita participação da goleira Luciana a começar as jogadas.

Os destaques da Ferroviária nesse início de brasileirão

Sâmia (volante)

4 jogos
4 gols
1.75 finalizações por jogo
1.25 finalizações no gol por jogo
1.75 passes decisivos por jogo
1.5 dribles completados por jogo
5 bolas recuperadas por jogo
5 interceptações por jogo
2.25 desarmes por jogo

Patrícia Sochor (Atacante)

4 jogos
4 gols
4 assistências
6 finalizações por jogo
2 finalizações no gol por jogo
2.8 passes decisivos por jogo
1.5 dribles completados por jogo

Apesar de já ter enfrentado equipes de camisa como Flamengo e Palmeiras, todos os rivais até aqui se encontram em um momento de maturação consideravelmente inferior ao da Ferroviária, que conseguiu atuar na zona de conforto na maior parte do tempo, mas a verdade é que mal podemos esperar para ver o campeonato retornar e os grandes jogos envolvendo principalmente Ferroviária, Santos e Corinthians (ainda em busca do seu alto nível que já sabemos qual é) acontecerem, sem descartar desse bolo Palmeiras, São Paulo, Internacional e Cruzeiro, além do Grêmio correndo por fora, todos ainda se encontrando mas com altas expectativas de seus torcedores.

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Giselle Andreolla

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