MLS NEXT: o ambicioso projeto para revelar jogadores nos EUA

Para revelar jovens atletas e se desprender da fama de "liga de aposentados", a Major League Soccer decidiu criar uma plataforma de formação de jogadores nos EUA e no Canadá

Na última segunda-feira (7), a Major League Soccer decidiu lançar oficialmente uma plataforma de desenvolvimento de jovens atletas, a MLS NEXT. Em colaboração com academias dos Estados Unidos e do Canadá, a intenção é estabelecer novos padrões para a criação de atletas em alto nível. A novidade lembra muito a reestruturação feita no futebol alemão no início do século e que, anos depois, gerou frutos e títulos.

O sistema parece complicado, mas não é muito. A MLS NEXT será dividida em seis faixas etárias — sub-13, sub-14, sub-15, sub-16, sub-17 e, por fim, sub-19. Os jogos serão realizados buscando eliminar viagens aéreas e noturnas, além de fortalecer rivalidades locais.

A iniciativa pretende abranger 489 equipes em diversas localidades de Estados Unidos e Canadá. A expectativa é identificar e aprimorar tecnicamente novos jogadores jovens para desenvolvimento antes de alcançarem a Major League Soccer ou, quem sabe, clubes de outros países.

A medida é mais uma campanha da MLS para expandir a filosofia de liga exportadora iniciada nos últimos anos. Após diversas contratações de atletas experientes, geralmente em fim de carreira, a Major League Soccer decidiu reformular a identidade e revelar jovens promessas.

A ausência da Copa do Mundo de 2018 massificou a ideia de que os Estados Unidos precisavam se reinventar. A MLS 3.0, como muitos chamam a liga após a entrada de Atlanta United e Los Angeles FC, prega esses novos valores. As duas equipes, inclusive, conseguiram resultados expressivos nas últimas temporadas com jovens jogadores latinos em uma valiosa busca na América do Sul.

Mesmo assim, são os jogaodres formados nas academias da MLS que ainda chamam mais atenção. Alphonso Davies saiu do Vancouver Whitecaps para o Bayern — e já conquistou uma Champions League — com apenas 18 anos. E ele não é o único. O goleiro Zack Steffen saiu do Columbus Crew para o Manchester City. Matt Miazga e Tyler Adams deixaram o New York Red Bulls para Chelsea e RB Leipzig, respectivamente. Reggie Cannon deixou o FC Dallas e partiu para o Boavista.

Mas a tentativa é para evitar que os clubes da MLS fiquem sem atletas. As grandes promessas recentes das categorias de base dos EUA, e mesmo do time profissional, saíram já de clubes europeus. Casos de Christian Pulisic, Weston McKennie, Chris Richards e Sergiño Dest. Atletas que nasceram fora dos Estados Unidos ou que migraram cedo. Agora, a liga que captalizar e aproveitar seus talentos.

E opções não faltam, de fato. Brenden Aaronson, do Philadelphia Union, é objeto de cobiça de diversos clubes da Bundesliga. Paxton Pomykal, do FC Dallas, já foi sondado por clubes europeus. Julián Araujo (LA Galaxy), Gianluca Busio (Sporting Kansas City), Cole Bassett (Colorado Rapids), Mark McKensie (Philadelphia Union) são outros promissores atletas.

Com a MLS NEXT, a esperança de encontrar novos jogadores para o futuro não apenas da liga, mas também das seleções americana e canadense. É hora da renovação e capitalizar o momento pode ser fundamental para o soccer dar o sonhado passo para a credibilidade internacional.

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Pedro Luis Cuenca

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