O holandês que ajudou a transformar a carreira de Cristiano Ronaldo

Muitas pessoas foram importantes na trajetória do português, mas uma delas não é das mais conhecidas: René Meulensteen

Cristiano Ronaldo é uma das personalidades mais conhecidas e dissecadas da história do futebol – talvez até a maior. Sabemos muita coisa sobre sua vida pessoal, seu estilo de jogo, seus principais companheiros, treinadores e rivais. Mas um nome fundamental para ele ser o que é hoje costuma ser deixado de lado: René Meulensteen.

Apesar de alguns aficionados pelo esporte o conhecerem, certamente não é uma figura muito famosa. Sua importância, porém, precisa ser valorizada. Vamos entender.


O ano era 2007, mais precisamente no mês de janeiro.

O holandês fechou com o Manchester United para ser o ‘treinador de desenvolvimento de habilidades’, função que não era tão comum e veio de uma visão de Sir Alex Ferguson. O lendário manager escocês acreditava que todo jogador, independente da idade ou da qualidade, poderia seguir evoluindo sempre. 

Então ele decidiu designar esse papel a Meulensteen, que havia trabalhado na base do clube desde 2001, mas saiu por seis meses para ser o treinador do Brondby, da Dinamarca. Quando voltou, recebeu essa missão ‘diferente’ e começou a trabalhar individualmente ou com pequenos grupos de atletas, visando adicionar algo ao jogo de cada um.

(Foto: Reprodução/Talksport)

Nessa época, Ronaldo já era um craque, mas ainda não se aproximava do jogador que foi se tornar depois. René então fez sua parte. Logo no início da temporada de 2007/08, o português ficou suspenso por três partidas após uma expulsão contra o Portsmouth, dando ainda mais tempo para esses treinos. O foco foi para o camisa 7 desenvolver uma ‘apreciação por marcar gols’.

O próprio holandês falou sobre isso: “Ele sempre tentava marcar o gol perfeito, de fora da área, no ângulo. Eu falei que ele começaria a entrar em muitas áreas diferentes pra marcar – e poderia aprender com os grandes artilheiros que o United teve, como Dennis Law, Van Nistelrooy, Andy Cole, Dwight Yorke e Ole Gunnar Solskjaer.”

Junto com Mick Phelan e Carlos Queiroz – membros da comissão técnica de Ferguson -, Meulensteen fez Cristiano se tornar mais consciente do seu posicionamento, compreensivo do que fazer em vários lugares. Trabalhou na finalização de diferentes ângulos, não só aqueles que ele estava acostumado. Dividiram a grande área em zonas e o fizeram pensar no que fazer em cada uma.

É melhor finalizar com o peito do pé ou a parte de dentro? Colocada ou forte? Dominar e chutar, dar dois toques na bola ou bater de primeira? Sai de uma zona e vai pra outra ou conclui da mesma que recebeu o passe? E aí o processo era dissecado em aspectos cada vez mais minuciosos: qual é o tipo do passe que está chegando? Como é a melhor forma de dominar? Como posicionar o corpo?

(Foto: Reprodução/Amazon)

Além da parte técnica, o mental entrou em cena. René foi quem colocou na cabeça do gajo a determinação pra traçar metas claras. Ele lembra de uma conversa que teve com Ronaldo no no centro de treinamentos:

– Meulensteen: “Quantos gols você marcou na última temporada?”
Ronaldo: ’23’
– Meulensteen: ‘Bem, agora você deve tentar 40’
Ronaldo: ‘O que? Quase o dobro?’
– Meulensteen: ‘Mas você nunca treinou propriamente a finalização’

Dito e feito. Os treinos individuais deram resultado e ele terminou aquela campanha com 42 gols, sua temporada mais goleadora pelos Red Devils. Conquistou a Premier League, a Champions League e levantou sua primeira Bola de Ouro. 

Aos poucos, foi de um garoto rápido e driblador que buscava apenas os lances plásticos para um atleta imponente, faminto por explorar todos os cantos da área e ser um dos melhores finalizadores que o mundo já viu. Se antes levantava o torcedor da cadeira com jogadas individuais, começou a cativar o público com lances decisivos de todas as formas possíveis. 

Ficou mais completo e o resto dessa história a gente conhece bem. Ela agora continuará sendo escrita no mesmo lugar que lhe proporcionou esse salto na carreira. René Meulensteen está longe dos holofotes, na função de auxiliar da Seleção da Austrália. Mas certamente estará acompanhando o retorno do seu pupilo ao Old Trafford com um gosto especial. Afinal de contas, o seu trabalho foi crucial para que grandes momentos do futebol acontecessem. Temos mais alguns a caminho?

(Foto: Reprodução/Manchester United)
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