O perrengue espanhol na Champions League

Enquanto o Real Madrid se classificou sem sustos, o Atleti e o Villarreal conseguiram se livrar do perrengue e continuam na Champions League. Por outro lado, Barcelona e Sevilla estão de malas prontas para a Europa League e precisam dar a volta por cima.

Depois de classificar cinco clubes espanhóis para a atual temporada de Champions, os esforços precisaram de uma energia maior. O Real Madrid foi o único que chegou até a última rodada com a classificação já encaminhada, só faltando decidir o primeiro lugar do grupo. Em compensação, Atlético, Barcelona, Villarreal e Sevilla chegaram na última rodada para decidir vida ou morte na competição – e alguns com confrontos diretos para a vaga.

Atlético de Madrid e classificação no maior estilo ‘cholismo’

É fato que a temporada do time não vem sendo das melhores, principalmente se lembrarmos do a equipe foi capaz na última temporada quando terminou campeão espanhol.

A preparação física é visivelmente um dos problemas, algo perceptível em quase todo início de temporada da equipe. O grande ponto é a defesa, que piorou consideravelmente. Não é mais algo individual, como pudemos notar com Felipe, mas sim do sistema. Nada funciona.

Depois da derrota para o Milan na penúltima rodada, o Atleti chegou ameaçado e como último colocado do grupo da morte. O Liverpool já tinha encaminhado o primeiro lugar do grupo após cinco vitórias, e em busca da classificação, os rojiblancos conseguiu segurar o Porto em Portugal, com Oblak brilhando enquanto a partida ainda estava 0 a 0. Quando Origi virou o jogo para o Liverpool e Griezmann abriu o placar para os colchoneros, o resultado no San Siro também foi ajudando a equipe de Simeone, que com a resiliência de sempre conseguiu se classificar com sobras no final da partida.

Ángel Correa entrou muito bem e matou a classificação para os colchoneros. (Reprodução/@Atleti)

Barcelona e os problemas de sempre

A temporada do Barcelona não vem sendo a melhor do clube, talvez a pior em anos. Mas é fato que o clube enfrenta alguns problemas evidentes desde a saída de Valverde em 2020 – que conseguia mascarar muito bem –, mas principalmente depois de Messi desembarcar em Paris.

O grande ponto dessa equipe é o contraste entre a eficiência e destaque dos jovens e o declínio de alguns veteranos. A questão financeira também é algo a ser notado, já que o elenco precisa de uma melhora no elenco e não há muito para onde correr.

A chegada de Xavi muda pouco dentro de campo, mas fora é uma figura que exige maior respeito que Koeman, por mais que o holandês também seja ídolo do clube. É compreensível que uma reformulação e novas ideias serão implementadas por Xavi, que dificilmente será contestado daqui para frente. Há muito para se mudar dentro de campo, mas principalmente na renovação do elenco, que precisa bastante de inovação, de preferência no ataque.

Depois do empate contra o Benfica no Camp Nou, a classificação ficou bem improvável. O Barcelona precisaria ganhar do Bayern na Alemanha para não depender do resultado do Benfica contra o Kiev em Portugal. O esperado aconteceu, e o clube catalão foi eliminado da competição, mas com uma chance de se reerguer na Europa League. Pensando na atual situação do clube, é difícil não avançar para as oitavas se pensarmos pelo lado financeiro. Mas em questão de moral, ainda que, obviamente, ser eliminado abaixe isso, é interessante visar um crescimento do time numa competição que os favorece mais do que a UCL no atual momento.

Outro ponto de otimismo seria que na UEL existem possibilidades de Xavi arrumar seu time, já que é uma competição que exige menos dos jogadores se comparando com a UCL. Pensando no futuro e, quem sabe, terminar a temporada ganhando um título europeu, a Europa League pode ser uma alternativa para o treinador recém chegado encontrar nesse elenco 11 jogadores confiáveis dentro da sua proposta.

Sevilla e o grupo mais “equilibrado

A atual temporada do clube vem sendo bem questionável, consegue vencer, mas não convence. Para o futuro era claro que a conta iria chegar, e chegou na Champions. O clube da Andaluzia não começou muito bem na competição. Na última rodada, todos os times tinham possibilidade de classificação, e o grande problema foi esse, o equilíbrio que o Sevilla não deveria ter deixado acontecer.

Querendo ou não, em questão de força e elenco, o Sevilla era o principal time desse grupo – Lille foi campeão francês, mas perdeu muitas peças e seu técnico, Salzburg é um time muito bem treinado, mas ainda jovem e inconsistente e o Wolfsburg era uma incógnita com um ataque questionável (o que se provou com o passar dos jogos).

Fora de casa, decidindo uma vaga contra o Salzburg, o clube não conseguiu vencer. O Lille garantiu o primeiro lugar, mas também garantiu a Europa League para o Sevilla, que tem a chance de se redimir na competição, como sempre – é o maior campeão com seis títulos.

Dos seis jogos do grupo, o Sevilla venceu apenas um. (Reprodução/Jasmin Walter/FC Red Bull Salzburg/Getty Images)

Submarino amarelo: a insuficiência durante os jogos

Sem a presença de Gerard Moreno tudo fica mais difícil, ainda que Pino e Danjuma estejam em um nível acima individualmente. Entretanto, algumas escolhas de Unai são bastante questionáveis. O time tinha tudo para se classificar sem precisar vencer a Atalanta na Itália, mas o treinador atrasou isso com escolhas erradas, ou melhor, não fazendo escolhas em algumas situações específicas.

Nas duas partidas contra o United pagou para ver, mesmo jogando melhor e com poder de decidir o jogo com algumas alterações. Em casa, deveria ter mudado o time para matar de vez o jogo enquanto estava jogando muito melhor que o clube inglês, que abriu o placar num erro de Rulli.

É fato que De Gea estava inspirado, mas a passividade do treinador foi um fator fundamental para o time não conseguir abrir o placar e intensificar ainda mais as forças ofensivas – a alteração de Moreno por Trigueros pouco sentido fez, Pino não deveria ter saído e sim Mói Gomez para a entrada de Dia, que demorou para entrar.

Na Itália tudo era muito desfavorável, o clima, a fase e principalmente as atuações de ambos os clubes na competição – ainda que o Villarreal tenha ganhado os dois jogos contra o Young Boys e a Atalanta não, os italianos empataram com o United (enquanto os espanhóis perderam duas vezes) e demonstrou nível melhor contra o próprio Villarreal no antigo El Madrigal.

Com o retorno de Gerard Moreno existia um otimismo maior, já que o atacante comanda o ataque como poucos. O time foi bem preparado de cara para um jogo mais reativo contra uma Atalanta que vai com tudo para o ataque, e o gol de Danjuma logo no começo deixou tudo mais tranquilo dentro dessa ideia.

De cara era visível Alberto Moreno auxiliando Estupiñán no lado esquerdo para segurar Iličić – que jogou muito bem – e conter os avanços de Hateboer, e Moi Gomez na pressão mais alta no lado direito. Raúl Álbiol defendeu a área como poucos, já que Zapata é um perigo constante nesses duelos – e mostrou no gol que fez.

A defesa foi muito bem durante os primeiros 70 minutos. Depois de muitos erros bobos nos últimos jogos tudo parecia perfeito. Parecia. Essa inconsistência – após o gol de Malinovskyi – é visível nos jogos da equipe desde a temporada passada. Unai não tem alternativas para lidar com isso até aqui, ainda que tenha conseguido a classificação. E nesse jogo não foi diferente. A defesa ruiu por algum tempo, principalmente porque enfrentava uma Atalanta incansável. Mas no final, tudo deu certo. Dramático, como a final da Europa League na última temporada.

A classificação para as oitavas da Champions veio depois de 13 anos – a última vez na temporada 2008/09, quando o clube se classificou em segundo lugar no grupo que tinha Manchester United (vice para o Barcelona na final), Aalborg e Celtic.

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