PORQUE NÃO CONTRATAR PABLO

Por Bolivar Silveira Antes que os torcedores de São Paulo e Athletico comecem a criticar, calmem, eu acho o Pablo um gigantesco jogador. Centroavante de raro entendimento de jogo, leitura do espaço para atacar, boa finalização e uma certa polivalência, podendo atuar em diversas posições do ataque, como mostrou em outras temporadas. Ok, mas então, […]

Por Bolivar Silveira

Antes que os torcedores de São Paulo e Athletico comecem a criticar, calmem, eu acho o Pablo um gigantesco jogador. Centroavante de raro entendimento de jogo, leitura do espaço para atacar, boa finalização e uma certa polivalência, podendo atuar em diversas posições do ataque, como mostrou em outras temporadas. Ok, mas então, por que não contratar Pablo?

Primeiramente, porque é uma questão mercadológica. Contratar um centroavante já é algo mais custoso do que contratar um goleiro. Os homens de ataque são os que mais custam aos cofres. Além disso, Pablo acabou de fazer uma campanha histórica, ano que mais fez gols na carreira e liderou o Athletico na campanha da Sul-Americana. O que valorizou o número “9” em alguns milhões – que poderiam diminuir alguns meses após a conquista. Junto a toda supervalorização do jogador por seu desempenho recente, há o fator que o seu atual clube não ter como método abastecer o mercado local. Então, acrescido de todo o restante ainda há o valor acrescido pelo Furacão por fazer uma venda que abastece um rival local.

Todos os fatores passados vão na contramão do que pensam dois negociantes da bola que tiveram muito sucesso recentemente, Monchi e Jean-Michel Aulas. O primeiro, ex-Sevilla, avisa em seu livro que contratar um jogador após um grande desempenho em torneio recente é um aviso prévio ao fracasso financeiro e provável pouco retorno técnico, pelo menos imediatamente. Do outro lado, Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, defende que não se deve contratar centroavantes caros.

“[…] Tente não contratar centroavantes. Essa é a posição mais supervalorizada do futebol mundial […]” – Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon.

A exceção do Lyon foi quando contrataram o brasileiro Sonny Anderson por US$ 19 milhões em 1999. Depois disso, porém, o time se virou sempre com jogadores da base na posição e ainda defende a contratação de bons jogadores que estão fora dos holofotes e que custam menos. Diversos bons jogadores brasileiros passaram pelo Lyon. Sonny Anderson, o ‘eterno capitão’ Cris, os futuros atletas de seleção brasileira Juninho Pernambucano e Fred, além do pentacampeão Edmílson. Todos eram relativamente desconhecidos do futebol mundial quando foram contratados”.

Há mais uma explicação para eu defender a não contratação de Pablo, e é o investimento para um jogador que poderia ser replicado em outro setor e ter a mesma ou melhor resposta que é desejada. Vocês já pararam para pensar que sem tomar gols, uma equipe garante 1 ponto e mesmo fazendo 4 gols a mesma equipe não consegue garantir 1 ponto? As defesas ganham mais jogos que os ataques e custam bem menos, assim defendem os autores de “os números do jogo”. E com os famosos “clean sheets” que Palmeiras e Internacional subiram até o topo da tabela do brasileirão, esse ano.

Dessa forma, vejo com maus olhos a possível ida de Pablo para o São Paulo, mas é futebol e o “9” campeão da Sul-Americana, pode fazer as teorias serem rasgadas. Entretanto, caso o retorno não venha, não poderão dizer que não avisamos.

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