Explicando as diferentes formas de sair jogando

Saída de 3, saída sustentada, saída longa, saída de 3+1 e como existem diversas formas de sair jogando no futebol

Surgido na Inglaterra, no século XVII, o futebol é o esporte mais popular do mundo. Entre tantos jogadores, treinadores, equipes e modelos de jogo vistos desde sua invenção, seria impossível afirmar que há um jeito de certo de praticar o futebol.

Em meio a isso, os últimos anos tem sido dominados — pelo menos no censo comum — de que as equipes “precisam” sair jogando de forma específica para serem bem sucedidas. Desta forma, resolvemos falar sobre algumas ideias mais comuns sobre a iniciação das jogadas. A começar pela famosa “Saída Lavolpiana” ou saída de três, a saída sustentada, a saída longa ou, até mesmo, a saída com três jogadores mais um. Então, vamos lá:


A saída de 3

Uma das primeiras formas de buscar a superioridade na saída é com três jogadores — ainda mais que muitas equipes quando buscam pressionar tem dois homens de frente. Aqui, é importante ressaltar que a “saída de 3” não é apenas com o volante recuando entre os zagueiros.

O Palmeiras de Abel Ferreira, por exemplo, utilizou muito de Marcos Rocha (lateral direito) ao lado de Luan e Gustavo Gómez. O Flamengo com Rogério Ceni teve Filipe Luis (lateral esquerdo) no auxilio de Rodrigo Caio/Gustavo Henrique e Willian Arão.

Além disso, também é preciso colocar — e este ponto servirá para todas as saídas de bola tratadas na sequência — que a função de cada jogador variar. No Internacional de Miguel Ángel Ramírez temos Rodrigo Dourado, um volante com menor capacidade de passe que pede o espanhol para o seu ‘5’, servindo para atrair os marcadores rivais e liberar os zagueiros Victor Cuesta, Lucas Ribeiro ou Zé Gabriel.

Ou então, o goleiro pode ser uma peça importante nesta busca pela superioridade. É provável que o caso mais recente no Brasil seja a presença de Felipe Alves no Fortaleza, ainda sob o comando de Rogério Ceni nas últimas temporadas.

A saída de 3+1

Por que a saída de ‘3 + 1’ é diferente? Bem, no enfrentamento de pressões cada vez mais fortes e encaixadas dos adversários, pode ser fazer necessária a presença de mais um jogador, mesmo que numa linha à frente, para criar linhas de passe e, assim, conseguir uma bola limpa. Se pudéssemos definir numa imagem, seria possível ver um “losango” entre estes quatro jogadores, como observamos nestes vídeos do Independiente Del Valle com Renato Paiva ou o São Paulo com Hernan Crespo.

Como podemos observar nos vídeos de Barcelona x Independiente Del Valle, ter um jogador próximo dos três defensores, auxilia muito na criação da superioridade e a indecisão dos marcadores faz com que o time tenha mais opções e prossiga com a bola para criar o lance ofensivo.

A saída sustentada

Você acha muito arriscado sair jogando com três jogadores, mesmo que com superioridade nos rivais? Alguns treinadores optam por uma saída mais sustentada. O que seria isso?

Usando um exemplo da Seleção Brasileira sob o comando de Tite, principalmente no período pré-Copa de 2018, podemos observar que zagueiros, laterais e volantes ficam próximos para ter sempre um passe de maior segurança e, ao mesmo tempo, dar mais campo aos atacantes porque, de certa forma, você acaba por atrair o adversário para o seu campo.

A saída longa

Por fim, e não menos importante, temos as equipes que buscam uma saída mais longa e brigam pela segunda bola/rebote da defesa adversária. Ainda no Brasileirão 2020, um ótimo exemplo foi o Goiás treinado por Augusto César e Glauber Ramos.

Montado num 5-3-2, a equipe, principalmente quando mais pressionada, buscava o jogo direto para Fernandão e Rafael Moura, como observamos no vídeo abaixo. E, mesmo quando sai jogando, ainda tinha os dois jogadores como um foco. Por que? Observe o vídeo.

Por se tratarem de dois jogadores com muita imposição, tempo de bola e ótimas jogadas aéreas, o Goiás conseguia ganhar metros no campo e respirar em meio a estas jogadas. O jogo se torna mais físico e, por isso, é necessário ter jogadores que acompanhem este ritmo para tal.

A saída mais longa pode ser feita através de inversões para o extremas, como no caso do Athletico Paranaense. Ao mesmo tempo que se sai jogando por baixo, o objetivo na verdade é atrair os marcadores para conseguir lançar aos jogadores e eles tenha espaço e enfrentamento no 1 contra 1.


Dito isso, é preciso dizer que o mais importante, independente do modelo para sair jogando, é conseguir convencer os jogadores da ideia e, além de tudo, ter atletas adaptados ao modelo. Lembrem sempre: não há um jeito certo de jogar futebol.

Compartilhe

Comente!

2 comentários

    1. Tudo bem, Thiago! Então, podemos dizer que é praticamente uma saída sustentada, talvez com outra nomenclatura em Portugal. Se fizermos a comparação no vídeo que postei da Seleção, como o Brasil tinha um 4-1-4-1, ai eram os quatro defensores e três meias, mas seria uma ideia próxima.

Tem algo a dizer?

Gabriel Corrêa

Últimas Postagens

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários
A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar
Lucas Filus

A Inglaterra superou seus traumas e, agora, se permite sonhar

0 Comentários
Prestes a completar 100 jogos pelo Ceará, Guto Ferreira fala sobre o trabalho no Vozão, as críticas pela “falta de repertório” e sua metodologia de treino
Jonatan Cavalcante

Prestes a completar 100 jogos pelo Ceará, Guto Ferreira fala sobre o trabalho no Vozão, as críticas pela "falta de repertório" e sua metodologia de treino

0 Comentários
Brasileiro Sub-17 chega a fase de mata-mata
Caio Nascimento

Brasileiro Sub-17 chega a fase de mata-mata

0 Comentários
Ataque emperra e São Paulo perde confiança
Gabriel de Assis

Ataque emperra e São Paulo perde confiança

0 Comentários
A Espanha sai dessa Euro muito melhor do que entrou
Bruna Mendes

A Espanha sai dessa Euro muito melhor do que entrou

0 Comentários
A importância discreta: o que Víctor Cantillo soma ao Corinthians?
Aurelio Solano

A importância discreta: o que Víctor Cantillo soma ao Corinthians?

0 Comentários
Campionato Primavera: a mina de ouro do futebol italiano
Caio Nascimento

Campionato Primavera: a mina de ouro do futebol italiano

0 Comentários