Serie A: as notas para todos os mercados da janela de transferências

A análise para todos os mercados de transferência dos vinte clubes da elite do futebol italiano

A janela de transferências acabou na Itália. Menos movimentada que em outros tempos, ainda que por efeitos da pandemia, ainda teve nomes importantes, especialmente nos clubes de maiores pretensões, enquanto muitos clubes foram discretos e pouco investiram.

Por conta desse mercado, vamos analisar como foram os mercados das 20 equipes da Serie A italiana e quais as notas que daremos a elas para quem comprou (ou não), quem deixou de comprar ou quem vendeu e deixou de vender. Vamos as notas:

ATALANTA — NOTA: 8,5

ANÁLISE: A Atalanta fez um dos melhores mercados da elite, a medida em que manteve o time de Gasperini que brilhou na temporada 2019–20, apenas Castagne deixou o clube em direção ao Leicester por uma boa negociação (25m). Mas foi a venda do jovem Amad Traoré por 30 milhões que ajudou o mercado a ser positivo, especialmente quando o clube nerazzurro conseguiu o empréstimo de Romero junto a Juventus por um preço baixo, a contratação em definitivo de Pasalic junto ao Chelsea, e a de Miranchuk junto ao Lokomotiv Moscou.

BENEVENTO — NOTA: 7,0

ANÁLISE: Depois de apostar em uma equipe muito inexperiente na primeira temporada na elite, em 2017–18, a aposta é em uma equipe bem experiente, e ter contratado jogadores como Glik, Iago Falque, Lapadula, Ionita e Caprari a baixos valores pensando na permanência na elite pode gerar bons frutos ao time da Campânia treinado por Pippo Inzaghi.

BOLOGNA — NOTA: 6,0

ANÁLISE: Embora as grandes contratações rossoblù tenham sido de De Silvestri junto ao Torino, e de Hickey, junto ao Hearts, da Escócia, o time conseguiu ter um bom destaque ao melhorar seu elenco e conseguir manter suas estrelas, especialmente segurando em meio ao assédio do Milan, o zagueiro Tomiyasu, o que dá boas notícias a Sinisa Mihajlovic.

CAGLIARI — NOTA: 6,0

ANÁLISE: Os sardos conseguiram manter o time, tiveram um ponto negativo ao não conseguir contratar Nainggolan, é verdade, mas tiveram boas contratações como a de Marin junto ao Ajax, e de Ounas junto ao Napoli, mas nada será parecido como a de Godín, com a experiência necessária para o trabalho de Eusebio Di Francesco funcionar.

CROTONE — NOTA: 5,5

ANÁLISE: Algumas contratações do time calabrês treinado por Giovanni Stroppa foram boas, como o caso de Riviére, de boa temporada no Cosenza, na Serie B, a chegada de Cigarini no meio-campo vem para dar experiência, e o time manteve Simy, um dos artilheiros da última segundona. Na reta final do mercado, veio Djidji, do Torino, para a zaga. Mas é bem verdade também que nenhum dos reforços é uma garantia na luta pela permanência na elite, o que pode complicar as coisas.

FIORENTINA — NOTA: 7,0

ANÁLISE: Considerando que Amrabat foi confirmado em janeiro pela Viola, vamos falar dos já contratados para este ano. A experiência dos reforços de Borja Valero, em seu retorno a Firenze, Callejón, pensando na ala do 3–5–2 de Iachini, e de Bonaventura, pode ajudar em relação a um time jovem, que ainda teve o bom reforço de Martínez Quarta, do River Plate. Seria um mercado totalmente maravilhoso. Até a notícia da doação de Chiesa para a Juventus, o que baixa a nota da equipe. 

GENOA — NOTA: 5,5

ANÁLISE: O time praticamente mudou tudo em relação a última temporada, mas a perda de Romero na zaga, sem uma grande reposição pode pesar para o time de Rolando Maran, que presa muito por um jogo defensivo, e isso pode fazer Perin, reemprestado aos grifoni pela Juve, trabalhar mais. Foi com a Juve que Preziosi, presidente genoano, fez mais mercado. Além de Perin, trouxe Pjaca, e o bom Luca Pellegrini para a lateral-esquerda. Vale destacar os bons reforços de Zappacosta e Badelj no meio, mas a ausência de um grande matador, embora tenha vindo o uzbeque Shomudorov, do Rostov, como uma boa aposta, na luta pela salvação pode pesar negativamente ao clube, especialmente se o uzbeque não der certo.

INTER — NOTA: 9,0

ANÁLISE: O melhor mercado da elite, afinal de contas, manteve suas estrelas, até mesmo as não utilizadas, como Skriniar, que ficou meio de lado após o sistema com três zagueiros. Os retornos de empréstimo de Radu, Perisic e Nainggolan podem ser positivos para o time. Os veteranos foram boas apostas, como Vidal e Kolarov, que acrescentam demais ao meio-campo e ao sistema defensivo, respectivamente, com o sérvio podendo fazer a zaga e as alas, além da contratação quase surpresa de Hakimi no começo do mercado, perfeito para o sistema de Conte, que ainda terá as alas mais cobertas com a contratação de Darmian. Para ficar perfeito, só se a especulação de uma vinda de Messi desse certo. Antonio Conte terá do que reclamar durante a temporada desse mercado?

JUVENTUS — NOTA: 8,0

ANÁLISE: Um mercado quase perfeito. É bem verdade que foram contestáveis no quesito finanças, a maneira como Matuidi e Higuaín deixaram o clube, e que não conseguiu se livrar de Khedira. Mas os bianconeri conseguiram se livrar de jogadores considerados dispensáveis, como De Sciglio, Rugani e Douglas Costa, o que vai aliviar a folha juventina. Além disso, nas chegadas, as boas apostas em Arthur e McKennie, somando com a de Kulusevski, já contratado em janeiro, são boas apostas para Andrea Pirlo. A contratação de Morata, em vista com a maneira que Pirlo pensa futebol, como a de Antonio Conte, pode ser boa. Mas nada como a de Chiesa, possivelmente a melhor contratação do mercado, principalmente pela maneira como as negociações se deram favoráveis para a Juventus, e que alça a nota ao alto.

LAZIO — NOTA: 5,5

ANÁLISE: Se esperava que Claudio Lotito desse aos tifosi laziale e a Simone Inzaghi um time para seguir na briga pelas copas europeias, e especialmente para seguir na briga pelo título, em que figurou na temporada 2019–20. Por um lado, é bem verdade que conseguiu manter a espinha dorsal do time. Por outro lado, a vinda de Andreas Pereira acrescenta pouco, a de Muriqi é uma incógnita na disputa com Caicedo e Correa para parceiro de Immobile, e apenas a vinda de Fares junto a Spal é um grande upgrade da equipe. Pra piorar, nessa janela ficaram mais famosas as contratações que não vieram, como as de Kumbulla e David Silva, do que as que vieram.

MILAN — NOTA: 7,0

ANÁLISE: Um grande mercado milanista mesmo com pouco dinheiro disponível. Para isso, Maldini dá a Stefano Pioli nomes com criatividade, além da manutenção da equipe da temporada passada, com a renovação de ídolos como Ibra e Donnarumma, a contratação em definitivo de Rebic, e boas apostas com Brahim Diaz, Dalot e Hauge, que deverão se provar ao longo da temporada. A única grande estrela vinda foi também uma aposta, como é o caso de Tonali, o menino dos olhos da Itália, que se ligou ao clube de coração para comandar o meio-campo. Por outro lado, pesa negativamente a falta da contratação de um zagueiro, lacuna que fica para a temporada rossoneri.

NAPOLI — NOTA: 7,5

ANÁLISE: O mercado napolitano parecia ser vendido como um apocalipse e que as grandes estrelas da equipe de Gennaro Gattuso deixariam o time. No fim das contas, Koulibaly ficou, vários outros ficaram, apenas Allan e Callejón saíram e até Milik e Llorente, os chamados “esuberos” napolitanos, ficaram, embora os centroavantes sejam carta fora do baralho pelas chegadas de Petagna, já contratado em janeiro, e de Osimhen, uma das grandes contratações do mercado. Vale ressaltar a chegada de Rrahmani junto ao Verona, embora contratado em janeiro, e no fim, Bakayoko chegou ao meio-campo, e apesar da negociação ser o chamado “empréstimo seco”, sem a opção de compra, preenche uma lacuna deixada pela saída de Allan.

PARMA — NOTA: 5,0

ANÁLISE: Os crociati praticamente não deram grandes reforços novos para Fabio Liverani trabalhar. É bem verdade que fazem apostas em nomes do futebol argentino, como Valenti, vindo do Lanús, e Brunetta, do Godoy Cruz, enquanto Cyprien, do Nice, é a grande contratação do time. Mas por outro lado, a saída de Darmian para a Inter pesa contra o time, e além disso, há um sentimento de que faltou um substituto para Kulusevski, o que fará o time apostar na velocidade de Gervinho, e ter de contar ainda mais com os gols de Inglese no ataque.

ROMA — NOTA: 6,0

ANÁLISE: Em meio as confusões na troca de poder romanista, que tem o início da era Friedkin, o mercado não passaria sem esses problemas. O time teve boas vendas importantes, como as de Under e Kluivert, que podem pesar para uma equipe com problemas financeiros. Mas a razão de viver do clube treinado por Paulo Fonseca ainda é o futebol, e nesse aspecto, vale ressaltar as belas contratações, tanto a do veterano Pedro Rodríguez para o ataque, quanto a do zagueiro Kumbulla, uma das melhores da janela. Foi importante também conseguir a contratação em definitivo de Smalling, embora com emoção no último dia de janela. Por outro lado, a bagunça fora de campo impediu que a Roma trabalhasse melhor.

SAMPDORIA — NOTA: 6,0

ANÁLISE: O time treinado por Claudio Ranieri não mudou muito em campo em relação a temporada passada, e teve boas adições nesse mercado pra superar o que sofreu em campo na luta contra a queda na temporada 2019–20, como a vinda de Adrien Silva junto ao Leicester, a boa contratação de Candreva, que embora criticado na Inter, pode ser útil para o time doriano, e a boa contratação de Keita Baldé, que pode dar mais vida útil para Gabbiadini e Quagliarella, e revezar com os dois veteranos que comandam o ataque da Samp.

SASSUOLO — NOTA: 6,5

ANÁLISE: As melhores contratações do time de Roberto De Zerbi definitivamente foram manter suas principais estrelas, como é o caso de Boga no ataque, de Locatelli, apesar do assédio de Juve, Inter e de um retorno ao Milan, além de contratações em definitivo, como é o caso de Chiriches e Defrel, e de não perder suas estrelas, somado a boa contratação do zagueiro Ayhan junto ao Fortuna Dusseldorf, dão bons presságios para o treinador neroverdi.

SPEZIA — NOTA: 6,0

ANÁLISE: O time de Vincenzo Italiano preferiu apostar além de nomes experientes como o goleiro Zoet, do PSV, e Diego Farias, junto ao Cagliari, com os jovens Pobega e Agoumé, o que dão bons presságios para o time da Ligúria na luta pela permanência na elite do futebol italiano, onde se espera que o time não sofra com o “choque da elite” que alguns clubes como Benevento, Frosinone e Carpi sofreram nos últimos anos.

TORINO — NOTA: 5,5

ANÁLISE: O time de Marco Giampaolo até fez boas contratações no sistema defensivo, com Rodríguez, Murru e Linetty, além de Vojvoda junto ao Standard Liege, mas quando se contrata um técnico como Giampaolo, se pensa no sistema ofensivo e no ataque, e nesse quesito, embora tenha mantido Belotti, fez um mercado bem paupérrimo, com quase nenhum reforço para a posição, embora tenha vindo o atacante Bonazzoli, com empréstimo com obrigação de compra junto a Sampdoria, caso ele marque mais de 8 gols.

UDINESE — NOTA: 5,0

ANÁLISE: É bem verdade que o time de Luca Gotti conseguiu manter Rodrigo De Paul, apesar das constantes investidas do Leeds United, mas os reforços ficaram com Arslan e Ouwejan como contratados, e Pereyra e Deulofeu como “deslocados” do Watford, clube de propriedade da família Pozzo, que pouco investiu, o que pode pesar na luta contra a queda que se prevê para o time friuliano.

VERONA — NOTA: 6,5

ANÁLISE: É bem verdade que o time de Ivan Juric teve grandes perdas no mercado em relação a temporada 2019–20, com as saídas de Pessina, Kumbulla, Rrahmani e Amrabat, nomes de grandes destaques. Mas o time gialloblù remontou muito bem a equipe com bons reforços, especialmente com o bom empréstimo do jovem Cetin junto a Roma na zaga, e bons reforços no ataque, com Barak, vindo da Udinese, e Benassi, vindo do Torino, no meio-campo, e da experiência de Kalinic, que embora não tenha dado certo em Roma e Atlético de Madrid, pode voltar aos bons momentos de Fiorentina no Vêneto.

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Caio Bitencourt

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