O que Timo Werner pode oferecer ao Chelsea?

Atacante do RB Leipzig está prestes a se transferir para os Blues e tem tudo para fazer sucesso na Premier League; como pode se encaixar Timo Werner na equipe?

Poucos esperavam que essa negociação acontecesse. Em abril, falei aqui na coluna sobre dois jogadores que poderiam chegar na Premier League na próxima janela: Jadon Sancho e Timo Werner. O segundo era muito ligado ao Liverpool e sabe-se que Jurgen Klopp é um grande fã do seu futebol, enquanto o Manchester United também demonstrava interesse e o Chelsea corria por fora.

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É surpreendente, então, que pelo visto o atacante alemão vai vestir a camisa dos blues a partir de 2020/21. Tudo está encaminhado entre as partes envolvidas e, se os reds não aparecerem com uma proposta de última hora, o contrato será assinado. Assim como fez com Hakim Ziyech, do Ajax, o clube de Londres acerta com antecedência uma contratação importante. E, se comparado ao marroquino, com potencial ainda maior.


O camisa 11 do RB Leipzig já é, atualmente, um dos melhores na sua posição. Afirmação comprovada por atuações, números e desenvolvimento nas últimas campanhas – principalmente na atual. A antiga promessa do Stuttgart se transferiu para o time da Red Bull em junho de 2016 e, desde então, vive uma evolução gradativa e muito interessante de acompanhar. 

Timo Werner Stuttgart
Werner surgiu como promessa no Stuttgart e atingiu níveis excelentes em Leipzig (Foto: Sky Sports)

O casamento com o projeto da equipe era visível. Um atleta de jogo direto, veloz, agressivo e cheio de energia, marcas que todo treinador fazia questão de implantar por ali. Dentro desse contexto, Werner começou a chamar a atenção dos grandes da Europa. Tendo as melhores condições para desabrochar, passou a ser um dos adversários mais temidos pelas defesas da Bundesliga.

Isso porque não é nada fácil enfrentar um jovem de físico acima da média passando pelas suas costas com uma rapidez impressionante a todo momento. Esse é, de fato, o carro-chefe do perfil do atacante. Fazendo um comparativo para os que estão mais acostumados com o campeonato inglês, pensem em Jamie Vardy. Aquele cara que vai disputar qualquer bola lançada de trás até o final e, provavelmente, chegar antes nela pra formar uma chance clara de gol.

Várias vezes durante uma partida. Algo importante a ser tratado, visto que Timo (ainda) não é exatamente dos mais letais, apesar das ótimas estatísticas. Em certos jogos ele precisa de umas três oportunidades para guardar, e melhorar a eficiência vai ser crucial nos clássicos do top six, mas a boa notícia é que ele se coloca em posições vantajosas com facilidade. Aí basta aos companheiros se acostumarem com o timing para municiá-lo.

Um dos fatores que o credenciam para atingir o primeiro patamar dos centroavantes é a habilidade de executar finalizações perigosas de diferentes ângulos e formas. Vale repetir que se trata de uma peça capaz de testar o oponente incessantemente. Dando a mínima brecha, a probabilidade de ele aproveitar é alta. Em espaços curtos, não é nenhuma referência, mas vive plena evolução nesse sentido.

Em 19/20, sob o comando do também promissor Julian Nagelsmann, Werner vem agregando ao seu arsenal de atributos alguns aspectos que complementam seus pontos fortes e o consolidam como jogador para time grande. Você não precisa ser especialista em tudo, mas saber desempenhar certas ações em um bom nível é necessário. Sua utilização em outras posições e funções fez com que os números nesta edição da Bundesliga em passes chave (1.4), acerto nos passes (75.8%), bolas longas (0.7), cruzamentos (0.5) e dribles (1.7) fossem os maiores de sua carreira. 

Isso mostra um profissional dando os passos para subir de patamar, cada vez mais capaz de influenciar o jogo de diferentes maneiras, sem depender de uma situação específica – como o campo aberto e o contra-ataque. Hoje em dia, o iminente reforço do Chelsea participa com mais eficiência e naturalidade da construção das jogadas e também sabe ativar seus companheiros em boas posições. 

Uma das fraquezas está no jogo aéreo, onde sua presença não é tão intimidadora, mesmo que no fundamento do cabeceio ele se dê muito bem. E sabemos que os grandes atacantes idolatrados no Stamford Bridge eram ótimos nesse quesito. Tammy Abraham, por exemplo, é superior nesse cenário e é crucial reforçar que eles podem jogar juntos. Timo está longe de ser um atacante estático e, na realidade, em certos confrontos se sente até mais confortável abrindo pela esquerda.

Suas características estão muito mais voltadas para a movimentação e a infiltração vindo de trás, o que casaria perfeitamente com o pivô que a promessa inglesa faz tão bem. É possível que apenas um seja o titular, mas certamente Frank Lampard vai explorar a oportunidade de formar uma dupla perigosa para determinados panoramas. Até porque o nível das defesas na Premier League, individual e coletivamente falando, é bem superior em relação a Bundesliga e ele inicialmente terá que se adaptar.

Colocando tudo na balança, porém, Werner combina com o estilo de jogo da liga – intenso, rápido, físico – e tem totais condições de fazer sucesso pelo Chelsea, que silenciosamente está prestes de garantir um dos prospectos mais atrativos do mercado. Para fechar, vamos aos números: 95 gols em 154 jogos pelo RB Leipzig; nesta temporada do campeonato alemão, 25 em 29, além de 7 assistências; e 4 em 8 na Champions League, onde ajudou a colocar o seu time nas quartas de final, inclusive marcando em Londres contra o Tottenham de José Mourinho

Com 24 anos, tantos sinais positivos e um histórico limpo de lesões consideráveis (o maior tempo de recuperação foi de 11 dias; e os blues vêm sofrendo com essas coisas), pagar £53 milhões por seus serviços pode sair barato. 

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Lucas Filus

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