10 Jovens Portugueses para observar em 2020/21

Atletas sub-21 que começaram a ter espaço na Liga Portuguesa e poderão “explodir” na próxima temporada

A edição 2019/20 da Liga Portuguesa foi, na última década, aquela em que possivelmente menos qualidade se viu sobre o terreno de jogo, quer em termos coletivos, quer individuais. Poucas equipas apresentaram algo digno de registo, destacando-se, pela positiva, as sensações Rio Ave FC e FC Famalicão, que praticaram um excelente futebol durante grande parte da temporada.

Contudo, sendo Portugal um país exportador por excelência, voltou a haver espaço para o crescimento e valorização de jovens promissores. A grande revelação do ano foi Francisco Trincão, extremo campeão europeu de sub-19, que se afirmou no Sporting de Braga e assinou contrato com o gigante FC Barcelona, a troco de €31 milhões.

Neste artigo, são apresentados dez jovens portugueses sub-21 que começaram a ter espaço nos seus clubes e poderão “explodir” na época que se avizinha (nos mesmos ou noutros emblemas). A seleção destes atletas obedeceu a três critérios:

  • Nacionalidade Portuguesa
  • Idade Sub-21 (nascidos até 1999, inclusive)
  • Disputar Liga Portuguesa em 2019/20

Daí em diante, as escolhas foram feitas de acordo com avaliações subjetivas, tendo como base os futebolistas a quem o autor reconhece maior potencial e capacidade para se afirmarem por completo. Destaque para o facto de a lista que se segue não estar ordenada por qualidade. Os jogadores serão apresentados em função da posição que ocupam no campo, desde a baliza até ao setor mais adiantado.

Tomás Tavares (2001) – SL Benfica

No final de 2017/18, foi assediado por grandes clubes estrangeiros, entre os quais o FC Barcelona. Conseguiu o SL Benfica segurá-lo e esta temporada lançou-o “às feras”. No entanto, em algumas partidas, sobretudo as da Liga dos Campeões, o jovem não apresentou ainda o rendimento necessário. A comunicação social fala, neste momento, num possível empréstimo, mas não há dúvidas de que, com espaço para crescer, Tomás Tavares vai tornar-se num futebolista de referência.

O jovem luso aproxima-se daquilo que é hoje entendido como o “lateral do futebol moderno”. Tem capacidade para subir pelo corredor direito e auxiliar os ataques, mas não é pela velocidade ou pela qualidade no 1×1 que faz a diferença: é, sim, pela inteligência. Interpreta bem todos os momentos e tem atributos técnicos que lhe permitem executar aquilo que idealiza. A compreensão de jogo, aliada à elevada estatura (1,87 m), permite-lhe, caso haja essa necessidade, atuar como lateral esquerdo ou até defesa central.

Eduardo Quaresma (2002) – Sporting CP

Embora o percurso do Sporting CP tenha sido dececionante, a milionária contratação do técnico Rúben Amorim, já nos últimos meses da época, permitiu o aparecimento de várias pérolas da Academia de Alcochete. Uma delas foi Eduardo Quaresma, que assumiu o posto de defesa central.

Por coincidência, tem também características muito associadas ao futebol moderno, distanciando-se do central tradicional, possante e duro. Quaresma é um jogador tecnicamente bastante dotado, com uma capacidade impressionante em fase de construção. Em processo defensivo, faz-se valer da ótima leitura de jogo e da velocidade. Deverá, no futuro, crescer em termos de agressividade e robustez, visto que perde duelos perante atacantes adversários com alguma frequência.

Diogo Leite (1999) – FC Porto

Surgiu na equipa principal do FC Porto ainda em 2018 e esperava-se que tivesse tido maior protagonismo em 2019/20. Apesar de Sérgio Conceição ter optado pelos mais experientes Pepe, Iván Marcano e Chancel Mbemba, permanece intacta a crença de que Diogo Leite será, nos próximos anos, um dos defesas centrais da Seleção Portuguesa.

O jovem natural da cidade do Porto é alto, esguio e veloz. Completo do ponto de vista defensivo (bom posicionamento, forte no jogo aéreo, evoluído no 1×1 e nos duelos), mas também competente no processo ofensivo, beneficiando do facto de ser um central canhoto, característica procurada por todos os clubes.

David Carmo (1999) – SC Braga

Ligado ao Sporting de Braga desde os dezasseis anos, chegou este ano ao plantel principal e aproveitou a tremenda irregularidade da equipa (ao todo, foram cinco treinadores) para se fixar na defesa dos Guerreiros do Minho.

O campeão europeu de sub-19 é um defesa central gigante (1,96 m), com uma capacidade tremenda no jogo aéreo e nos duelos, juntando-lhes a inteligente leitura de jogo e a boa coordenação com a linha defensiva. Em construção, não é um prodígio, mas é competente no passe e usufrui também do facto de ser canhoto.

Nuno Mendes (2002) – Sporting CP

À semelhança de Eduardo Quaresma, surgiu na equipa principal dos leões aquando da chegada de Rúben Amorim, tendo sido, de todos os jovens lançados pelo novo técnico, aquele que mais impressionou e que maior capacidade mostrou para fazer (já) a diferença.

Nuno Mendes é um lateral esquerdo fisicamente muito desenvolvido (veloz, forte e resistente), com facilidade em cobrir todo o corredor. Para além disso, destaca-se pela capacidade com bola, visto que tem atributos técnicos que lhe permitem desequilibrar no 1×1 ou através de combinações com os seus colegas.

André Almeida (2000) – Vitória SC

Se há aspeto que distingue o Vitória SC, é a paixão e o apoio incondicional dos seus adeptos. André Almeida é um deles e demonstra-o no terreno de jogo. Apesar de ter recebido inúmeros convites ao longo da sua formação, nunca vestiu outra camisola que não a do emblema de Guimarães.

O médio-centro é um atleta muito agressivo e que, como se costuma dizer, deixa tudo em campo. Com bola, é extremamente evoluído: grande capacidade técnica, velocidade de execução e ótima tomada de decisão.

Vítor Ferreira (2000) – FC Porto

Pretendido por vários clubes e havendo o risco de abandonar o FC Porto em final de contrato, Vitinha, como é conhecido, assinou um acordo milionário com os dragões no decorrer desta temporada e estreou-se pouco depois na primeira equipa.

O vencedor da UEFA Youth League em 2018/19 é um médio-centro com qualidade técnica e tomada de decisão exímias. Consegue desequilibrar em condução, mas sobretudo através do passe e da visão de jogo. Defensivamente, é um jogador também inteligente, com ótima leitura dos lances.

Fábio Vieira (2000) – FC Porto

Ligado ao FC Porto desde sempre, Fábio Vieira é um canhoto mágico, destinado a alcançar o topo do futebol. Tal como Vítor Ferreira, também chegou à equipa principal dos azuis e brancos na segunda metade da época, tendo desempenhado um papel importante na conquista do título nacional.

Podendo atuar como médio ofensivo ou extremo, é um atleta franzino, mas com uma qualidade técnica incrível e tremenda facilidade para desequilibrar em zonas interiores, dentro do bloco adversário. A criatividade que apresenta é invejável e ao nível dos craques que custam milhões. Destaque também para a capacidade na cobrança de bolas paradas.

Jota (1999) – SL Benfica

Na magnífica Seleção Portuguesa que, em 2018, conquistou o Campeonato da Europa, brilharam os extremos Francisco Trincão e Jota, cada um com cinco golos. Jota é, há muitos anos, um dos grandes talentos do Benfica Campus, mas teve, em 2019/20, dificuldades de afirmação na equipa sénior. Apesar de ter participado em vinte e oito encontros, o número de minutos de jogo de que dispôs foi reduzido. Com melhores oportunidades para crescer, poderá tornar-se num jogador brilhante.

Sobressai pelo enorme repertório de fintas e pela capacidade para desequilibrar no 1×1. É também um atleta bastante veloz e que, de época para época, tem crescido em termos de robustez, apresentando hoje uma capacidade de choque muito superior. Pode melhorar na tomada de decisão, mas o potencial é tremendo.

Fábio Silva (2002) – FC Porto

Maioritariamente formado pelo FC Porto, mas com uma passagem de dois anos pelo SL Benfica, Fábio Silva é talvez o mais promissor ponta de lança português do século XXI. Esta temporada, ainda com dezassete anos, começou a ter espaço na equipa de Sérgio Conceição e revelou argumentos para, em pouco tempo, se tornar numa referência nacional.

O portuense é um avançado extremamente completo, evoluído em todos os tópicos: bastante bom do ponto de vista técnico, fisicamente capaz, inteligente em termos táticos (faro de golo excecional) e com uma enorme capacidade de trabalho. E, tão ou mais importante, a capacidade de finalização, com qualquer parte do corpo, encontra-se ao nível dos melhores.


Ainda nos maiores clubes portugueses, três outros jovens com margem para se tornarem jogadores de classe mundial tiveram, em 2019/20, os seus primeiros minutos, embora numa quantidade muito reduzida. São eles Tomás Esteves (2002), um inteligente lateral do FC Porto, Tiago Dantas (2000), um pequeno génio do SL Benfica, e Joelson Fernandes (2003), um virtuoso extremo do Sporting CP, por quem os leões já receberam propostas milionárias provenientes do Arsenal FC.

Nos restantes emblemas que disputaram a Liga Portuguesa esta época, outros atletas sub-21 revelaram potencial para voos mais altos. Merecem grande destaque Filipe Soares (1999), inteligente organizador de jogo que brilhou no Moreirense FC, e Pedro Pelágio (2000), combativo e consistente médio-centro do SC Marítimo. Num patamar um pouco abaixo, mas igualmente vindo de um excelente ano, o lateral esquerdo do Belenenses SAD Nilton Varela (2001), fisicamente desenvolvido e muito competente a defender.

Como resultado de uma multiplicidade de fatores, as últimas fornadas de futebolistas têm sido extraordinárias para as Seleções Portuguesas. Tal como exposto nas linhas acima, mais se encontram na “linha de montagem” que, a pouco e pouco, está a tornar a armada lusa numa das mais fortes da Europa.

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José Dias

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