Adidas lança uniformes da Euro 2020

Com conceitos que misturam clássico com moderno, adicionando pinceladas artísticas, muita cultura histórica e símbolos nacionais, a Adidas apresentou os uniformes das seleções para a Euro 2020.

E como de praxe, a cada lançamento de uniformes de futebol, surgem novidades e polêmicas sobre os modelos. Para além do gosto pessoal, do bonito e do feio, há uma ideia no design de cada produto, seja ela bem elaborada ou não, bem executada ou não, é importante entendermos como os designers chegam ao modelo final.

A partir das informações relativas aos novos uniformes de nove seleções europeias, disponibilizadas pela marca, explicamos os conceitos por trás de cada camisa.

ALEMANHA

Simplicidade e modernidade com referências ao passado e um toque de “feito a mão”, o design da camisa alemã ilustra bem a evolução do futebol alemão nas últimas décadas, que sem perder a organização e disciplina, também adquiriu toques mais criativos.

O design apresenta um visual bem limpo e sintético com as listras pretas bem estreitas dando uma elegância ao modelo. O detalhe é que as listras lembram a de textura de um pincelada, adicionando um pouco de arte — ou como prefere citar a marca: street style — ao desenho comportado da camisa. As listras características da marca acabaram indo para a lateral do modelo, o que acrescentou um detalhe interessante.

Finalizando a mistura de estilos, porém de forma bem integrada, o detalhe com as cores da bandeira alemã nas mangas, remete aos anos 1980 e 1990, onde era bastante comum o uso das cores nacionais no uniforme.

Segundo a fabricante, as cores celebram a diversidade de histórias por trás dos jogadores e torcedores que hoje encontram-se inclusos e unidos ao representar o país. 

PAÍS DE GALES

O modelo desenhado para a Euro 2020 é bastante clássico em seu desenho, o que para muitos fãs de futebol acaba sendo o melhor caminho a ser tomado. Tradição e simplicidade sem “inventar moda”. 

A única ousadia diz respeito às cores, com o acréscimo de detalhes em amarelo, cor que não costuma aparecer nas camisas da seleção galesa, o novo uniforme chega a lembrar alguns modelos passados do uniforme da Espanha. A cor porém, não está ali sem motivo, a ideia foi homenagear o banner do príncipe Owain Glyndw, que no século XIV liderou uma rebelião pela independência do País de Gales contra o rei Henrique IV da Inglaterra.

O príncipe Owain Glyndw e seu banner.

A camisa conta ainda com um detalhe na manga, este sim com as cores da bandeira nacional: o verde, o vermelho e o branco, como homenagem os fanáticos torcedores da seleção, conhecidos como The Red Wall.

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A fanática torcida galesa, conhecida como The Red Wall.

HUNGRIA

A camisa da Hungria 2020 tem como grande conceito as listras horizontais bem orgânicas, em diferentes tons de vermelho. O efeito que lembra uma pintura em spray tem como inspiração o Rio Danúbio, um símbolo nacional localizado no coração do país. No uniforme, a textura tenta simular o efeito da flutuação sobre o rio.

O Rio Danúbio, ícone nacional.

As cores branca e verde, da bandeira nacional, aparecem nos detalhes de maneira bastante sóbria, o que ajuda a destacar a textura do vermelho como o grande ponto visual da peça.

No detalhe, o endônimo da Hungria.

Nas costas, um detalhe interessante: a palavra Magyarország, que é o endônimo da Hungria, ou seja, a palavra da língua local pela qual o país é chamado. 

IRLANDA DO NORTE

A camisa foi inspirada em um modelo de listras diagonais usado nos anos 1980, que se tornou uma peça icônica e desejada por colecionadores. Para essa releitura os designers da marca decidiram modernizar o conceito, com listras em diversos tons de verde em pinceladas largas, adicionando mais dinamismo ao design.

O modelo clássico dos anos 1980.

BÉLGICA

Talvez um dos modelos mais diferentões entre os apresentados nessa leva da marca. Diversas pinceladas bastante expressivas cortam a camisa em vários sentidos, as pinceladas pretas na diagonal, servem para dar equilíbrio e suporte ao escudo da federação e fazem lembrar a letra “B”, estampada com o mesmo tipo de pincelada, em um detalhe na parte de trás da camisa.

No detalhe, a letra “B” feita de pinceladas em preto, vermelho e amarelo.

Detalhes discretos em preto e amarelo na manga e colarinho, bem como o uso das faixas características da Adidas na parte lateral, ajudam a deixar o design clean e manter o foco nas pinceladas.

ESPANHA

A camisa espanhola, que já está causando polêmica quanto ao seu design, trouxe um conceito bastante diferente.

Segundo a marca, durante o processo de criação, os designers desconstruíram a bandeira da Espanha até sintetizá-la em apenas seis pixels. A partir disso criaram uma paleta de vermelhos e bordôs renovada, que foi utilizada na camisa. A textura e os degradês lembram uma pintura em tela, conceito que pelo que vimos até agora, permeia a maioria dos modelos da Adidas para a Euro 2020.

O visual foca tanto na simplicidade da textura, que o único detalhe relevante da camisa é o brasão na parte de trás do colarinho, referente ao centenário da primeira camisa da federação espanhola que tinha um leão como símbolo.

Nas costas, o brasão de 1920.

Vale lembrar que a “Fúria” conquistou a medalha de prata nos jogos Olímpicos de Antuérpia em 1920, usando este mesmo brasão.

Seleção medalhista de prata em Antuérpia.

RÚSSIA

A camisa 2020 da seleção russa traz de volta o azul, única cor da bandeira que estava de fora das últimas versões. Nesse modelo, ele aparece no detalhe da manga, simulando as listras da própria bandeira.

O estilo de pincelada usado nesse design foi um pouco mais abstrato se comparado aos outros modelos da marca, em vez de listras, aqui optou-se por manchas mais aleatórias e em tons diversos de vermelho, mantendo o design bem simples e clássico, mas ao mesmo tempo dando um ar mais contemporâneo. Podemos reparar que as pinceladas não avançam totalmente até os ombros, onde estão colocadas as listras da Adidas.

ESCÓCIA

Outro design que buscou os elementos clássicos das camisas icônicas da Escócia e tentou reinterpretar dentro do conceito de pintura que amarra todo o estilo da coleção.

As listras, em tons de azul escuro, lembram a textura de uma pincelada em aquarela ou mesmo a técnica de tingimento tie dye, onde amarra-se o tecido e depois mergulha-se o mesmo na tinta para que se formem manchas na peça.

 SUÉCIA

Provavelmente o design mais comportado entre os lançamentos – o que não impede de ser uma bela camisa – principalmente pela escolha do tom de azul escuro que acaba deixando o modelo com um ar bem classudo e elegante.

Os detalhes relevantes no desenho são a manga — com uma releitura da bandeira nacional, porém a faixa horizontal da cruz, em vez de ser amarela está em azul claro — , e a inscrição Sverige que é o endônimo do país.

No detalhe, o endônimo da Suécia.
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Filipe Borin

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