Athletico e Felipão: um encontro na hora certa

Em ótima fase, o Athletico finalmente se tornou o tme competitivo que todos esperavam em 2022. O encontro com Felipão ocorreu na hora certa.

Há 56 dias, Luiz Felipe Scolari foi anunciado em um Athletico em crise e sem credibilidade. Era início de maio e o Furacão contratava seu terceiro técnico no ano após demitir Fábio Carille, cujo trabalho durou 21 dias, em uma decisão prejudicial à imagem de clube responsável e profissional vendida pela direção. Dentro de campo, o cenário era bastante desfavorável: perda do Estadual, da Recopa, início ruim no Brasileirão e terceiro colocado no grupo da Libertadores, com direito à uma pancada de 5 a 0 do The Strongest. Em pouquíssimo tempo, tudo mudou.

O treinador pentacampeão do mundo chegou para fazer algo no qual ele fez incontáveis vezes ao longo de sua carreira de 40 anos: recuperar um elenco sem confiança, melhorar um ambiente pesado e conquistar resultados rapidamente. Até o momento, foram 15 jogos, 11 vitórias, três empates e uma derrota, que levaram o Athletico ao terceiro lugar no Brasileirão e às oitavas de final da Libertadores. Tudo isso vem sendo conquistado ao melhor estilo Felipão.

Nos últimos anos o CAP ganhou notoriedade por ser um time ofensivo, de bom toque de bola e jogadores habilidosos em todas as posições. A equipe continua agressiva e bastante presente no campo de ataque, porém a partir de mecanismos totalmente diferentes implementados por Felipão. Em primeiro lugar, a ideia é chegar ao gol adversário o mais rápido possível, correndo o menor risco possível. Portanto, as ligações diretas são cruciais. Tocar a bola, só no campo ofensivo e por pouco tempo.

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Triangulação com Pablo saindo da referência e os dois pontas no “facão”.

Falando nos passes longos, eles podem funcionar de maneiras diferentes. Normalmente, são direcionados para os pontas do Furacão, que atuam no limite do impedimento para partir para o mano a mano ou nas costas dos laterais oponentes. A outra possibilidade é uma bola mais viajada, para ganhar o rebote após a disputa aérea, se estabelecer no campo de ataque e criar com aproximações e cruzamentos.

Para defender, os encaixes individuais tão característicos do treinador. Ou seja, “cada um pega o seu” para que não sobrem adversários livres – a referência é o homem e não o espaço, um sistema mais vulnerável à falhas individuais, porém mais intuitivo. A altura do bloco de marcação varia muito em relação ao adversário e ao placar. A maior correção a ser feita é a proteção na entrada da área, pois os volantes saem da posição com os encaixes e deixam a meia-lua exposta.

O mais importante, novamente, é reduzir riscos. Por isso, cinco/seis jogadores (o armador, dois pontas, o centroavante e um volante ou lateral) atacam, enquanto os demais se ocupam do balanço defensivo, ficando na retarguarda para a prevenção de contragolpes. Mesmo se a pressão pós-perda não funcionar, essa proteção permite ao Athletico defender a área e sofrer poucos gols na transição defensiva.

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Linha de quatro dentro da área, dois volantes na intermediária e dois atacantes voltando até a linha de fundo.

É importante ressaltar que Felipão “casa” com o elenco do Athletico, mas o elenco também “casa” com Felipão. O treinador tem toda a experiência e estofo que falta ao jovem grupo de jogadores da equipe paranaense, atraindo a pressão e os holofotes para si. Por outro lado, o Furacão conta com jogadores de bom passe em todas as posições, ponto crucial para aumentar o acerto nas bolas longas e nas jogadas rápidas de aproximação. Além disso, jogadores como Cuello, Pedro Rocha, Vitor Roque e Marcelo Cirino são pontas de velocidade, capazes de receber os lançamentos em profundidade e explorar os espaços deixados por Pablo.

Inclusive, é dele que não podemos deixar de falar. Apesar de não ser o atacante alto e forte no jogo aéreo tão apreciado por Felipão, eles se entenderam muito bem. Sua inaptidão para os duelos pelo alto foi compensada com as bolas longas sendo direcionadas para as pontas, enquanto Pablo recua, sai da referência para receber um passe mais rasteiro e ajudar na construção, podendo acionar os pontas que entram no espaço deixado por ele. Por fim, sua extrema disciplina para incomodar a saída de jogo do rival é valiosíssima.

Assim sendo, percebemos que Athletico e Felipão se encontraram no momento certo para os dois. A capacidade do clube em lidar com as oscilações esperadas pela quantidade exorbitante de jogos e a juventude do elenco vai determinar o sucesso do Furacão em 2022.

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