Maddison ou Grealish: existe uma resposta para a questão? | Parte 1

Um dos temas mais debatidos na temporada da Premier League, é necessário antes de tudo entender o perfil de Maddison e Grealish em campo

Todo o entorno do futebol é viciado em comparações. Algumas incompreensíveis, outras que fazem um pouco mais de sentido dentro de determinado contexto. Na Inglaterra, a questão do momento – desde as primeiras semanas da temporada – coloca frente a frente dois jogadores de destaque: James Maddison, do Leicester; e Jack Grealish, do Aston Villa.

Possíveis alvos do Manchester United para as próximas janelas, certamente não vão faltar clubes dispostos a garantirem os seus serviços. Os motivos para tentar definir quem é melhor são pequenos, mas cada vez maiores para entendermos o perfil de cada um. Ambos são, originalmente, meias criativos que despontaram jogando na função de ‘10’, atrás do atacante e municiando a linha ofensiva nas proximidades do gol.

Por conta dos sistemas adotados por seus treinadores, em 2019/20 fizeram apenas duas partidas nesta posição específica. E, mesmo se a zona em que colocam os nomes na escalação não sejam fixas, isso gera diferentes aspectos na análise.

Como joga Maddison?

No 4-3-3/4-1-4-1 utilizado por Brendan Rodgers em 24 dos 29 jogos da Premier League, Maddison inicia seus movimentos como um meia central, recuando para facilitar a transição da defesa para o ataque.

Normalmente já tem um passe vertical engatilhado antes de receber a bola e busca a todo momento encontrar companheiros que estejam ameaçando a linha de zaga adversária. A infiltração constante de Barnes, Vardy e Ayoze Pérez é essencial para que seu principal atributo cause impacto. O que costuma acontecer com certa frequência. Mesmo que as últimas semanas não tenham sido das melhores, com uma visível queda coletiva e individual da equipe, acentuada por lesões importantes. 

O camisa 10 tem visão de sobra e a execução chama atenção por estar sempre carregada com um propósito incisivo; a maioria dos seus toques praticamente conduz de modo natural ao chute. Finalização dominada por ele também, capaz de surpreender com força e categoria de média e longa distância. É um ótimo cobrador de faltas e provavelmente apenas Ward-Prowse, do Southampton, rivaliza com ele nos escanteios. Uma arma e tanto para quem tem bons cabeceadores. 

Cai muito pelo lado esquerdo, iniciando tabelas com Chilwell e atraindo a marcação para liberar os avanços do lateral e de Barnes. Quando a jogada está sendo tramada em zonas mais distantes e não ‘precisa’ de sua participação direta, porém, vai acompanhando e chegando na entrada da área para receber a assistência ou pegar possíveis sobras e concluir

Entretanto, salvo esses momentos isolados, suas ações sem a posse raramente visam a própria infiltração. Pelo contrário, espera a bola no pé para ser o cérebro do setor ofensivo.  E, quando o chega a vez do oponente criar, aparecem os seus defeitos. Em um esporte atualmente dominado pela briga acirrada por espaços e sistemas que pressionam, James deixa a desejar na contribuição defensiva.

Recentemente até vem se dedicando mais, talvez um sinal de que está se preparando para chegar em um grande clube condicionado às redobradas exigências, mas seu perfil é de quem descansa enquanto o adversário ataca e aguarda um eventual contra-ataque. Não fecha as linhas de passe e, com o meia que está ao seu lado normalmente sendo também mais ofensivo (Tielemans, Praet), acaba sobrecarregando o volante (Ndidi, salvo por contusão).

Até por sua tendência em flutuar para armar, certas regiões importantes ficam desprotegidas no momento em que o Leicester perde a bola e seu papel no counterpressing é fraco. É um tipo de atitude que, se não mina o seu considerável potencial, precisa ser levada em conta pelos treinadores que o tem em suas watchlists.

Compreendendo os seus atributos, maximizando os fortes e minimizando os fracos com compensações no resto do time (táticas ou individuais), é um jogador super interessante.

E Jack Grealish? Como joga? É melhor ou pior

Vejo vocês na parte 2, semana que vem. 

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Lucas Filus

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