O OUTRO LADO DA MOEDA: PORQUE DAVID SILVA TAMBÉM É VITAL NO CITY

Por @IgorJuni0 Quando Pep Guardiola troca de equipe, automaticamente surgem diversas teorias de como o catalão vai aplicar seus conceitos no novo clube. No Bayern, muito se pensava na contratação de um falso 9. No City, era esperado uma revolução nos perfis dos meio-campistas do elenco, mas se esquecem que uma das grandes virtudes do […]

Por @IgorJuni0

Quando Pep Guardiola troca de equipe, automaticamente surgem diversas teorias de como o catalão vai aplicar seus conceitos no novo clube. No Bayern, muito se pensava na contratação de um falso 9. No City, era esperado uma revolução nos perfis dos meio-campistas do elenco, mas se esquecem que uma das grandes virtudes do técnico catalão é se adaptar ao contexto que está inserido e, a partir daí, desenvolver seu sistema de jogo.

Outra incógnita que Guardiola enfrentaria era como fazer para extrair o melhor de David Silva e Kevin De Bruyne. Na temporada anterior, a primeira do belga no City, Pellegrini usava um 4-2-3-1 e era obrigado a deixar um dos meias jogando deslocado pelo lado do campo. Nunca conseguiu obter o melhor dos dois. Partindo deste princípio, Pep já buscou desde o início encaixar um 4-3-3 com Silva e De Bruyne sendo os interiores.

Observando as características dos jogadores e o histórico de Pep, era natural pensar que David Silva seria utilizado como controlador, um pouco mais recuado que o tradicional, bem ativo na distribuição de jogo, enquanto De Bruyne continuaria a ser o meia com grande influência nas ações finais da equipe, como sempre foi em seus melhores momentos da carreira. Durante a primeira temporada, houve problemas de adaptação dos jogadores, além de várias mudanças de formação que Guardiola teve que fazer, devido a seus vários problemas enfrentados em seu primeiro ano.

Na segunda temporada, Guardiola surpreendeu: finalizou a transformação de Kevin De Bruyne em um todocampista, de influência em todas as fases do jogo do City, enquanto passou a usar David Silva de forma mais cirúrgica, não apenas na circulação de bola, mas principalmente nos passes finais perto da área adversária. Como um interior-esquerdo, Silva se posiciona de acordo com a proposta adversária, mas privilegiando sempre o espaço entrelinhas e buscando combinações com Leroy Sané bem aberto no flanco esquerdo.

Fonte: understat.com
Fonte: understat.com

À esquerda, o David Silva de 2016/17. À direita, o David Silva da atual temporada e desempenhando novas funções, jogando mais perto do gol (o zoom de cada gráfico é diferente, então leve em consideração o número de cada quesito e não o ‘tamanho’ do radar). O único fundamento em que houve uma queda nos números são os key passes a cada 90 minutos. E isso é justificável, pois uma das grandes virtudes desse City é aproveitar seu jogo posicional encaixado para achar os pontas com liberdade – depois disso, Sterling ou Sané buscam o último passe com cruzamento, geralmente por baixo.

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Como com Douglas Costa no Bayern, Guardiola viu em Sané um ponto de desequilíbrio para levar a melhor nas jogadas do terço final do gramado, com David Silva sendo extremamente importante para tal. Enquanto Kyle Walker, Sterling, De Bruyne e Fernandinho trabalham o início da jogada pelo lado direito, David Silva já está posicionado com a postura corporal correta para girar e dar sequência ao lance para o winger alemão bem aberto no outro flanco.

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Nesse momento, ao receber o passe, a tomada de decisão por intuição do meia espanhol também é vital, aliada ao entrosamento com Leroy Sané, pois acelerar ali a todo instante não é sempre a melhor alternativa.

Já vimos muitas vezes nessa temporada também David Silva se infiltrar do half-space à esquerda da área adversária e dali promover suas assistências – já são 12 na temporada, mesmo tendo perdendo várias partidas por problemas pessoais.

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Quando David Silva não joga, o time é outra coisa com Gündogan. Apesar de também ser utilizado nos metros finais do gramado, o alemão não tem o mesmo entrosamento com Sané e acaba mais se destacando nos gols marcados e na facilidade para lidar com marcação pressão rival. David Silva ajuda na retenção de bola em momentos de maior cadência e sabe o momento certo para acelerar. Foi muito evidente a queda de rendimento de Sané em meados de dezembro, quando Silva esteve ausente em diversas partida. O espanhol entende a movimentação  do alemão. Para vermos o melhor City, as principais qualidades de David Silva precisam estar ativadas.

Todos esses cenários, com David Silva sendo extremamente influente da intermediária adversária para frente, é reflexo do trabalho de Guardiola para abrir espaços. Mas mesmo assim, nem todo adversário cede esse espaço para os meias do City trabalharem: quando o time rival está extremamente recuado, é um pouco natural que os interiores fiquem ligeiramente encaixotados e precisam, a partir daí, achar novas soluções para aparecerem e desequilibrarem na partida. No City, geralmente De Bruyne busca o jogo por trás das linhas de marcação, jogando na base da jogada para tentar um passe em profundidade pela movimentação nos companheiros. Já Silva busca prender ainda mais a última linha de marcação adversária, oferecendo profundidade, linhas de passe mais curtas e atraindo a marcação para o surgimento de espaço.

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Apesar dos rivais da Premier League não terem um repertório muito diversificado de sistemas de jogo, o City precisa achar soluções semanalmente para lidar com adversários muito recuados, equipes de jogo físico e anímico diante de seus torcedores, partidas de alto nível de concentração (duelos com Conte e Mourinho), além da insanidade de Tottenham e Liverpool. Fala-se muito em Kevin De Bruyne, com razão – é o craque da equipe, mas David Silva é peça chave para o pleno funcionamento dos sistemas de Guardiola.

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