Quem é “Doutor Milagre”, o brasileiro que recupera jogadores em tempo recorde

Aos 40 anos, o mineiro de Belo Horizonte tem André Villas-Boas como fã e tornou-se uma das referências da fisioterapia esportiva.

Coordenador do departamento médico do Shanghai SIPG, Eduardo Santos foi protagonista do primeiro caso cujo clube pagou caro pela transferência de um fisioterapeuta. Antes de mudar-se para o clube chinês, o Doutor Milagre, como é conhecido, somou passagens por Vitesse, da Holanda, e Zenit, da Rússia.

Formado em Fisioterapia, o brasileiro chegou a ser professor na PUC de Belo Horizonte e em outras instituições de ensino. Foi com sua antiga clínica, porém, que entrou no mundo do futebol. Ao trabalhar com atletas de diversos esportes, Eduardo conheceu Gomes, hoje no Watford, quando o goleiro ainda atuava pelo Tottenham: “Ele estava em Belo Horizonte, de férias, tinha um problema no ombro muito sério. A gente fez um trabalho, ele se sentiu muito bem, ficou encantado com o tempo de recuperação. Foi quando ele me convidou para ir à Inglaterra para que ele pudesse melhorar a performance lá no clube”, relembrou.

Enquanto trabalhava com outros atletas, como o ex-zagueiro Alex e o meio-campista Ramires, um empresário ligado ao Chelsea recomendou que o brasileiro Jonathan Reis, então jogador do PSV, da Holanda, tratasse uma séria lesão com o fisioterapeuta. Com a carreira em xeque após romper quatro ligamentos e dois meniscos do joelho em choque com o goleiro, o médico conseguiu recuperá-lo em tempo recorde. Com isso, Eduardo foi indicado para coordenar o departamento médico do Vitesse, clube que passou a servir como parceiro do Chelsea.

Com os resultados positivos no clube holandês, Edu, como é carinhosamente chamado, seguia recebendo jogadores de outros países. Sandro, ex-Tottenham e seleção brasileira, machucou a panturrilha uma semana antes do jogo contra o Manchester City. Pediu à André Villas-Boas, então, liberação para tratar a lesão muscular com o fisioterapeuta. Ao ter sucesso no tratamento e ver Sandro enfrentando o City, Eduardo Santos despertou o interesse do treinador português. “O André me fez um convite para ir para o Tottenham, mas, por questões financeiras, era mais interessante ficar no Vitesse. Foi quando ele foi convidado para ir ao Zenit e fez uma proposta que realmente interessava, de fazer parte da equipe médica dele”, revelou.

O treinador André Villas-Boas é um dos grandes amigos feitos por Eduardo no futebol (Jose Jordan/Getty Images)

Em pouco tempo, o Zenit renovou seu contrato e firmou uma multa rescisória de 1 milhão de euros. O clube russo, todavia, não contava com uma possibilidade: o futebol asiático. Ao transferir-se para o Shanghai SIPG e se machucar logo no jogo de estreia, o brasileiro Hulk foi autorizado a tratar a lesão com Edu, que o recuperou antes do prazo e chamou a atenção dos chineses. Mesmo com a multa, o Shanghai fez questão de contratá-lo.

Quando recuperou o zagueiro David Luiz para a partida decisiva do Paris Saint-Germain contra o Barcelona, ou até mesmo quando teve sucesso no tratamento de Moussa Marega antes de uma partida contra a Roma, surgiram boatos de que o médico utilizava baba de caracol e pelo de morcego em seus tratamentos. Embora incomode, Edu não se importa: “Claro que isso acaba gerando dúvida porque, realmente, é um resultado que impressiona. Pelos resultados, eles acabam criado essas fantasias, né, mas a gente costuma rir um pouco”, esclarece.

Sobre novas experiências, Eduardo afirma que pretende cumprir seu contrato até 2020, mas não esconde seu maior desejo. “Eu tive propostas de três clubes europeus. Um na França, um na Espanha e um em Portugal. Eu não fui, não quero sair agora porque eu tenho uma cláusula que é impossível de um clube que não seja chinês me tirar daqui antes de terminar meu contrato. Mas tenho a intenção, sim, de voltar, de trabalhar num clube europeu novamente”.

Cruzeirense, assume a possibilidade de trabalhar no Brasil, ainda que não seja seu foco principal: “Eu quero ir para um clube onde tenha estrutura, um clube que eu desenvolva um departamento médico. A seleção brasileira, claro, acho que seria um sonho porque todo mundo quer estar lá, apesar de eu já ter recebido convite de outras seleções. Já tive convite da seleção do México e da seleção holandesa”, garantiu.

Com a experiência de ter trabalhado com jogadores como Falcao García, Quaresma, Moussa Dembélé, Eliaquim Mangala e Oscar, o médico brasileiro relembra da trajetória com orgulho. “Hoje, eu olho para trás e vejo que foi um caminho bem traçado, com boas escolhas e decisões que fizeram toda diferença para poder chegar até aqui”.

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