Por que o Portland Thorns é o time mais amado da liga americana?

Bicampeão da NWSL, quem é o Portland Thorns e como se tornou a equipe mais amada da Liga

Na última temporada da NWSL (National Women’s Soccer League), a liga nacional dos Estados Unidos de futebol feminino, o Portland Thorns, time bicampeão do torneio, teve nada mais nada menos do que uma média de pouco mais de 20 mil torcedores por jogo. Número surpreendente para a modalidade feminina, mas nem tanto para o clube em si, que já na primeira partida de sua história atraiu 16.479 torcedores para o estádio.

A história da liga e do Portland Thorns se misturam

O clube foi fundado em 2013, a partir de um pedido do presidente da federação americana ao dono do tradicional clube masculino Portland Timbers, que disputa a MLS (Major League Soccer), a liga masculina. Oregon é conhecida como “soccer city” ou seja, cidade do futebol. A cidade não tem grandes clubes no futebol americano ou baseball, que são esportes mais tradicionais no país, mas quando o assunto é futebol como conhecemos, os clubes da cidade possuem grande destaque nos Estados Unidos.

Essa paixão pelo futebol fez com que a torcida organizada do Portland Thorns, a “The Rose City Riveters”, nascesse antes mesmo do clube estrear na temporada de 2013, a primeira do clube e também da liga. Para isso, contaram com a ajuda dos Timbers Army, torcida organizada do clube masculino.

O histórico das ligas de futebol feminino nos Estados Unidos.

A NWSL nasce em 2012 a partir de uma sucessão de outras ligas que não conseguiram se sustentar a longo prazo.

A primeira liga surgiu em 2001 e foi não só a pioneira no país como também do mundo, e contou com atletas brasileiras consagradas como a Sissi e Pretinha. A má administração levou a liga ao fim já em 2003. Depois veio a WPS, liga em que a Marta foi artilheira e campeã em todas as temporadas, e por fim, a NWSL é criada em Novembro de 2012 e se inicia em 2013.

Como o Portland Thorns foi fundamental para a manutenção da liga?

O time nasce na cidade do futebol, e vinculado a um clube que existe desde os anos 80, fornecendo ao Thorns identificação com a cidade, torcida e também boa estrutura de treino e de jogos, uma vez que até hoje os dois clubes dividem o Providence Park, tradicional estádio dos Estados Unidos.

O peso da cidade no esporte e sua boa estrutura atraíram grandes jogadoras do cenário mundial, e já na primeira temporada contou com nomes como Alex Morgan, Tobin Heath, Sinclair e Karina LeBlanc. O time foi campeão já em seu ano de inauguração com uma média de público de 13.320 por jogo, enquanto os demais times juntos tiveram uma média de 2.980.

Todo esse apoio dos fãs garantiram a manutenção da NWSL, já que, sendo o único time lucrativo em 2013, o Portland Thorns concordou em dividir os lucros com a liga.

imagem via NBC Sports

E a torcida fora dos Estados Unidos?

O Portland Thorns não é forte apenas em território americano. Além de contar com jogadoras estrangeiras, o espírito do time dentro de campo e nas arquibancadas atraíram torcedores que se identificam com essa paixão, com esse estilo sul-americano de ser. 

“É o time mais tradicional da liga, o mais próximo do futebol latino em questão de espírito dentro e fora de campo, com estádios lotados e uma torcida fiel que não deixou de apoiar mesmo quando perdemos de 6×0 para um dos times menos carismáticos da liga. O clube também é muito receptível e amigável a novos adeptos” disse Pietro Lobato Lobão, brasileiro e torcedor do clube desde 2013.

Pietro começou a acompanhar o time pois seguia a carreira de Tobin Heath, jogadora da seleção americana desde as categorias de base, e se fidelizou ao clube pela identificação com a torcida. 

“Eu poderia dizer que só o calor do estádio já basta. A torcida te conquista, a emoção de se sentir lá no meio, sabe. Mesmo que não esteja no estádio, é possível sentir a emoção, a vibração que é torcer por esse clube. Fora que o elenco em si tem garra, não abaixa a cabeça em campo, não desiste do jogo quando está perdendo. Se o jogo técnico não está funcionando, a garra se sobrepõe. Então o Portland Thorns é apaixonante pelo calor da torcida e a determinação do time em si” complementa Brenda Helena, outra torcedora brasileira que começou a acompanhar o time por causa da icônica camisa 17 da seleção americana.

“É apaixonante porque não é só um simples “time de futebol”, vai além a energia que existe entre jogadoras, clube e torcida. Não se acha em qualquer lugar, é uma coisa que a gente só sente” conclui Raíssa Galdino, uma flamenguista fanática que já não diferencia o amor que sente pelos dois clubes.

Rose City Riveters (torcida organizada do Portland Thorns)

A transmissão e o site da NWSL

Outros fatores importante para atrair o público estrangeiro e também tornar a liga como um todo mais rentável são as transmissões dos jogos e o site da NWSL. Em 2013, as partidas eram transmitidas gratuitamente pelo Youtube, sendo porta de entrada para muita gente que queria consumir mais da modalidade e de uma nova liga que contava com as principais jogadoras do Estados Unidos, que tem a seleção mais vitoriosa da história.

Durante um tempo essas transmissões ocorreram no site da NWSL, que conta um vasto conteúdo em vídeos e também informações de partidas, números de jogadoras etc.

A próxima temporada, que era prevista para começar em Abril, mas não se sabe ainda quando ocorrerá devido a pandemia do coronavírus, será transmitida através de um aplicativo chamado Twitch e pelo canal CBS Sports.

A tradição

Alguns times ficaram no meio do caminho, mas o Thorns e sua incansável e devota torcida persistiram, e quanto mais antigo o clube é, melhores as chances de conseguir patrocínio, empréstimos, alocações e como consequência conseguir melhor classificação, fator que o leva a ter vantagem nos drafts e dinheiro para conseguir as melhores jogadoras, atraindo mais ainda a atenção do publico.

Em 2014, a goleira alemã Nadine Angerer desbancou a Marta e venceu o prêmio de melhor jogadora do mundo, e em 2015 acertou sua transferência para o Thorns, chamando atenção de mais novos torcedores que entendiam a relevância do clube na modalidade.

Foto por Craig Mitchelldyer

“Essa atmosfera todo jogo é uma coisa que atrai bastante as jogadoras, que desperta esse interesse de querer jogar lá. Porque isso não é ainda uma realidade, os estádios lotados são mais comuns no futebol feminino quando você está jogando pela seleção. Mas lá você tem essa realidade diferente, todo jogo você pode ter certeza que o estádio vai estar lotado. Isso acaba mexendo com as jogadoras. Acredito que o time é muito mais forte nos jogos em casa porque a torcida empurra. Eles têm também essa cultura lá de torcida organizada bem parecido com o Brasil, eles ficam atrás do gol, tem a torcida organizada pro feminino e pro masculino, cada um tem suas próprias músicas, então é uma coisa muito legal” – disse Andressinha, meio campista da seleção brasileira e ex Portland Thorns (hoje defende o Corinthians) para o portal de notícias “Dibradoras”.

Andressinha defendendo a camisa do Portland em 2018 – foto: Reprodução Instagram

O Portland Thorns, North Carolina Courage e Kansas City (que foi desfeito) são os únicos times bicampeões da liga, e o Thorns o que mais vezes se classificou para a fase de playoffs, ficando de fora em apenas uma oportunidade.

Portland Thorns campeão em 2017! NWSL/ISI Photos

Grandes nomes da história do Portland Thorns

O Portland Thorns não é apaixonante somente pela cidade onde atua e seus fanáticos e devotos torcedores, mas também pelos grandes nomes que vestiram e vestem a camisa do clube ao longo de sua história. E aqui vamos falar de algumas dessas jogadoras: 

Christine Sinclair (2013-atual)

A capitã da seleção nacional feminina de futebol do Canadá, Christine Sinclair, joga pelo Portland Thorns FC na NWSL desde a temporada inaugural da liga em 2013.

Sinclair foi a artilheira do clube e apareceu em 20 jogos na temporada regular, antes de vencer o primeiro campeonato da liga naquele ano. Sinclair e o Thorns repetiram como Campeões da NWSL novamente em 2017. Sinc tem mais de 100 partidas pelo clube.

Tobin Heath (2013-atual)

Tobin, sem dúvidas, a jogadora mais amada por todos. Em 2016, com 10 assistências ela bateu o recorde da liga.

Tobin Heath ama tanto o Thorns, não existe ninguém no mundo que ame mais esse time do que ela.

Alex Morgan (2013-2015)

Uma das jogadoras mais populares da seleção americana, Alex Morgan é anunciada no Thorns FC onde foi um dos destaques no titulo da primeira edição da liga.

Adrianna Franch (2016-atual)

Ela ajudou os Thorns a ganhar o NWSL Shield na temporada de 2016, com três shutouts em seis partidas. Como titular em 2017 , ela estabeleceu um recorde da liga (11 jogos sem sofrer gols). foi nomeada goleira do ano da temporada de 2017.

Lindsey Horan (2016-atual)

Em 2018, ela foi nomeada NWSL MVP. Horan foi o jogadora principal do Thorns durante a temporada de 2017, marcando o gol do titulo da temporada 2017.

Meghan Klingenberg (2016-atual)

Klingenberg, campeã do mundo em 2015, Meghan chegou no clube depois de um acordo que envolvia Alex Morgan. Desde a chegada Klingenberg se identificou com o time ela mesmo disse que, se alguma vez fosse negociada ou incluída em um projeto de expansão, se aposentaria ao invés de jogar em outro clube.

Nadine Angerer (2014- 2015)

Assim que ela ganhou o prêmio de melhor do mundo da FIFA em 2014,Nadine Angerer foi anunciada no Portland Thorns. O Thorns era o atual campeão da NWSL. Ela atuou por duas temporadas lá, onde fez o último jogo da carreira em 2015. Acabou não ganhando o título, mas após se aposentar, Angerer já emendou uma carreira como treinadora de goleiras.

Emily Sonnett (2016- 2019)

Selecionada pela primeira vez no geral no NWSL College Draft de 2016. Destaque na temporada de 2017, marcando na vitória por 4-1 o Orlando Pride na nos playoffs e dando assintecia no gol de Lindsey Horan.

Nadia Nadim (2016-2017)

A jogadora afegã-dinamarquesa anunciada em 2016, temporada em que artilheira da equipe, com 9 gols em 20 jogos, o time venceu a 2016 NWSL Shield. Naquele ano.

Amandine Henry (2016-2017)

A jogadora francesa já chegou ao clube com status de lenda. Com a camisa do Thorns, jogou duas temporadas e marcou 7 gols em 20 jogos.

One two three Thorns!!


Colaboração: Raíssa Galdino com informações e grandes nomes da história do Portland Thorns.

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