Início como advogado, passagem pelo scouting e nome forte do Orlando City: a trajetória de Ricardo Moreira no futebol

Ex-Audax e Columbus Crew, dirigente do Orlando City vê o futebol americano, hoje, mais intenso que o brasileiro

Advogado especialista em Direito Desportivo, o início de carreira de Ricardo Moreira indicava o caminho mais óbvio e natural. Contratado pelo Grêmio Osasco Audax para atuar em sua área, no ano de 2014, bastou pouco tempo para que fosse nomeado como diretor de futebol do clube. Fora o pontapé para que novos rumos surgissem. Após 6 anos, leva uma passagem de destaque pelo Columbus Crew e é, hoje, diretor do Orlando City, ambos dos Estados Unidos.

Enquanto diretor do Audax, em 2015, Ricardo fez intercâmbios por clubes americanos em busca de parcerias para o clube. Chegou a se surpreender com a estrutura oferecida pelo New York City FC, do City Football Group, mas foi no Columbus Crew onde guardou contatos. “Na época, Gregg Berhalter (ex-Columbus e atual técnico dos Estados Unidos) veio ao Brasil assistir treinos e conhecer um pouco do que a gente fazia no Audax, porque ele via um time pequeno do Campeonato Paulista que tinha coragem, ideia de jogo, e ele se interessou por isso e pela maneira com que a gente montou o elenco. A gente se conheceu e eu fui convidado”, relembra.

No comando da área de scouting, o brasileiro viu o Columbus Crew ser vice-campeão da MLS em seu debute. Foi, também, vice-campeão da Conferência Leste, em 2017, e disputou a semifinal da liga americana no ano de 2018. Acompanhado do scout Leonardo Baldo, ex-Corinthians, fez um trabalho de prospecção bastante elogiado.

A dupla chegou a contratar o volante Artur, ex-São Paulo, mas não teve a mesma sorte com o lateral Zeca, atualmente no Bahia e com passagens por Santos e Internacional: “Estava tudo certo, a gente já tinha feito a proposta. O Santos acabou mudando o treinador naquela semana e foi fazer um jogo no sábado. O Zeca treinou bem durante semana, tinha possibilidades de jogar e chegou a dar assistência para o Gabigol. Na segunda-feira, o Zeca já não atendia mais o nosso telefone”.

Com a sequência de bons resultados, um novo convite: Alexandre Leitão, ex-vice-presidente de futebol do Orlando City, batia à porta em nome do clube, no final de 2018. Pela equipe da Flórida, a função de Ricardo Moreira se baseia em filtrar jogadores que possam interessar o clube em ocasiões futuras.

Orlando City
Ricardo Moreira é o diretor de futebol do Orlando City (Reprodução/Orlando City)

Com média de 4 a 5 jogos vistos por dia, o diretor conta com a ajuda dos scouts presentes diariamente ou distribuídos pelo mundo (Brasil, Argentina e Portugal). “A gente criou perfis de jogadores que são interessantes para o clube, para cada posição, e já sabemos, hoje, quais serão as nossas necessidades para o verão, para a janela do meio do ano e para o início do ano que vem. É um trabalho que muda bastante porque a gente tem um plano, mas o futebol é dinâmico”, descreve.

Dos contratados para a atual temporada, o zagueiro Antônio Carlos, emprestado pelo Palmeiras, e o meio-campista Júnior Urso, ex-Corinthians, se destacam justamente pelas passagens no futebol brasileiro. Adquirido ainda em dezembro, Urso já se coloca entre os protagonistas do elenco, garante Ricardo: “É a contratação de mais impacto que tivemos dentro e fora de campo, porque se mostrou um cara extremamente do bem, bom coração e, hoje, já é um dos capitães do time na opinião da nossa comissão técnica. Foi um cara que teve um impacto, como pessoa, nos jogadores e nos funcionários do clube muito positivo. É um cara que tem potencial para ser um dos grandes jogadores do Orlando City neste ano”.

Há 5 anos nos Estados Unidos, Ricardo presencia inovações na MLS. Antes motivo de preconceito por dirigentes, jogadores e agentes, o diretor garante que houve evolução e enfatiza as qualidades da liga americana: “Está começando a mudar agora, mas, no futebol brasileiro, ainda havia muito preconceito com a MLS. Mas hoje, com a liga crescendo, com o dólar valorizado e com a qualidade de vida que você tem nos Estados Unidos, acima de tudo, a gente acaba tendo um pouco mais de força nas negociações”.

Para além do profissionalismo proporcionado, a MLS vem se destacando também na parte competitiva. Com destaques como Carlos Vela, Chicharito Hernández e Josef Martínez, além dos jovens Ezequiel Barco e Cristian Pavón, por exemplo, a liga passou a apresentar um futebol cada vez mais intenso e até mesmo superior ao visto no Brasil. “Acho que a principal diferença é a questão da intensidade. E não digo que é melhor ou pior, é apenas uma diferença de característica. É um campeonato mais intenso e mais físico que o futebol brasileiro, por exemplo. Tecnicamente, ainda não está no patamar”, analisa Ricardo.

Ao falar sobre o futuro e a possibilidade de uma nova experiência no futebol nacional, Moreira não descarta, mas mostra-se adaptado ao país: “Eu tenho contrato com o Orlando City, estou muito feliz aqui, minha família está muito feliz, também. Eu tenho pretensões futuras de trabalhar em outros clubes, outras estruturas, outras ligas, mas, hoje, eu estou muito feliz aqui”, finaliza.

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