COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA A ESCÓCIA

Iniciando as análises das seleções que estão no Grupo C do Brasil, a Escócia comandada por Steve Clarke retorna à Copa do Mundo após 28 anos de sua última aparição

Fora da Copa do Mundo desde 1998, a Escócia retorna ao principal palco do futebol mundial em 2026. Curiosamente, volta a enfrentar Brasil e Marrocos na fase de grupos, repetindo um cenário que marcou sua última participação no torneio. Os comandados de Steve Clarke chegam ao Mundial como uma das possíveis surpresas na disputa por uma vaga no mata-mata.

Os escoceses garantiram a classificação após terminarem na liderança do Grupo C das Eliminatórias Europeias, à frente de Dinamarca e Grécia. A equipe construiu sua campanha explorando as principais virtudes de seus jogadores, potencializando a força física de Scott McTominay e a inteligência tática de Andrew Robertson.

A Escócia parte, inicialmente, de uma estrutura em 4-2-3-1, utilizando Scott McTominay como meia mais avançado, atuando atrás do centroavante. A equipe conta com dois pontas de característica mais agressiva, buscando constantemente os confrontos pelos lados do campo.

Em outros momentos, a seleção adota um 4-1-4-1, com McTominay atuando próximo de Lewis Ferguson no meio-campo.

Independentemente da formação escolhida, a equipe mantém os mesmos princípios. A proposta passa por um jogo mais vertical, com circulação rápida e utilização frequente de bolas longas. Além disso, a troca de corredor é um recurso recorrente, buscando criar situações favoráveis para os jogadores de lado.

A saída de bola acontece em uma estrutura de 3+2, com Robertson alinhando-se aos zagueiros nesse momento da construção. Enquanto isso, o lateral-direito e o extremo esquerdo garantem amplitude ao sistema.

A equipe busca ser agressiva nessa primeira fase, procurando constantemente passes verticais, sobretudo através de Robertson. Quando não consegue progredir pelo chão, procura acionar McTominay ou Che Adams em jogo direto, utilizando as escoradas para a chegada dos jogadores que vêm de trás.

Entretanto, o plano de construção apresenta dificuldades diante de pressões mais intensas. Principalmente quando os adversários limitam os espaços dos zagueiros, que demonstram dificuldades para conduzir a bola, protegê-la sob pressão ou criar vantagens individuais. Como consequência, a Escócia frequentemente perde o controle da posse.

Quando se instala no campo ofensivo, a Escócia ganha o reforço de Robertson na construção. O lateral do Liverpool exerce uma função um pouco diferente da desempenhada em seu clube, ocupando, em determinados momentos, zonas mais interiores, enquanto Ben Doak permanece mais aberto e profundo.

A equipe procura chegar ao gol principalmente pelos lados do campo, realizando constantes trocas de corredor para gerar vantagens aos jogadores responsáveis pelos duelos individuais. Doak e o lateral-direito costumam receber a bola em condições favoráveis para o enfrentamento.

Nesses momentos, John McGinn ocupa uma zona mais central, funcionando como apoio para a circulação da posse. Além disso, destaca-se como o jogador mais criativo do time. O atleta do Aston Villa consegue vencer disputas próximas à área adversária, protegendo bem a bola e utilizando o tronco de maneira eficiente nos duelos físicos.

Esse modelo ofensivo acaba dependendo consideravelmente da capacidade de finalização de McTominay no terço final. Característica já conhecida do meia, que ocupa bem a área, vence disputas aéreas e oferece presença constante em zonas de conclusão.

Nas saídas de tiro de meta adversárias, a equipe de Steve Clarke adianta suas linhas e pressiona em um 4-4-2 por encaixes. O objetivo é dificultar a primeira fase de construção do rival, mantendo intensidade nos primeiros passes e conduzindo a posse para os corredores laterais.

Nesse processo, a primeira linha de pressão formada por McTominay e Che Adams desempenha papel fundamental. Caso o adversário consiga superar essa primeira pressão, os volantes recuam para uma zona intermediária de proteção.

Quando posicionada próxima ao próprio gol, a seleção alterna entre um 4-4-2 e um 4-1-4-1, tendo McTominay como peça variável entre as duas estruturas. Utilizando encaixes setorizados, a Escócia propõe constantes duelos individuais próximos à própria área.

Esse modelo exige grande desgaste físico dos jogadores do meio-campo e, em determinados momentos, acaba sobrecarregando a última linha defensiva.

Ao lado de Andrew Robertson, Scott McTominay é o principal destaque da seleção escocesa. Atuando atrás do centroavante, em uma função diferente daquela que costuma exercer em seu clube, participa menos da construção e concentra suas ações nos movimentos sem bola.

O meia alterna entre aproximações aos volantes e infiltrações na área adversária, buscando ocupar espaços entre os zagueiros e vencer disputas aéreas.

Na construção, procura realizar passes mais verticais, em sintonia com o estilo de jogo da equipe, além de executar inversões de jogo para encontrar laterais e pontas no corredor oposto.

Sem a bola, destaca-se pela intensidade na pressão. Posicionado na primeira linha ao lado de Che Adams, costuma avançar sobre um dos zagueiros adversários, normalmente o que atua pelo lado esquerdo, tentando fechar as linhas de passe pelo centro.

McTominay utiliza muito bem seu porte físico para vencer duelos por baixo e pelo alto. Possui boa aceleração em espaços curtos, característica que o torna eficiente na pressão. Além disso, apresenta uma capacidade de finalização acima da média para um meio-campista.

Revelado pelo Liverpool, Ben Doak atualmente defende o Bournemouth em busca de maior espaço para impulsionar sua carreira. Apesar de ainda não acumular grande minutagem na Premier League, o jovem extremo já se tornou uma peça importante para a seleção escocesa.

Podendo atuar tanto pela direita quanto pela esquerda, Doak costuma receber a bola próximo à linha lateral e em situações que favorecem o um contra um. Seu movimento mais frequente é o drible com saída para o pé direito.

O jogador apresenta mais dificuldades quando precisa atacar a linha de fundo utilizando o pé menos dominante. Fisicamente, possui baixa estatura, mas compensa com bom desenvolvimento dos membros superiores. Sua passada é média, combinada com uma boa velocidade final.

No entanto, o acabamento das jogadas ainda gera questionamentos. Em diversas situações, opta por cruzamentos precipitados para o centro da área, o que reduz a eficiência de suas ações no terço final.

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