COPA DO MUNDO DE 2026 | COMO JOGA O JAPÃO

Com um trabalho de longo prazo conduzido pelo treinador Hajime Moriyasu, analisamos os principais padrões do modelo de jogo japonês para o confronto contra o Brasil nos 16 avos do Mundial

Comandada pelo técnico Hajime Moriyasu, que está há oito anos na Seleção Japonesa, o Japão tem como estrutura base o 3-4-3. No sistema defensivo, destaque para o zagueiro Hiroki Ito, bom em duelo aéreos e o líder técnico da defesa asiática. No meio-campo, Kamada é o ‘box-to-box- de Moriyasu, sendo importante nas fases ofensivas e defensivas.

Ofensivamente, Ritsu Dōan, Daizen Maeda e Ayase Ueda são perigosos pela alta versatilidade entre si e bom índice de assertividade em finalizações.

O Japão trabalha a saída de bola em 3+1, com os três zagueiros na base da jogada e contando com o auxílio do meio-campista Tanaka, e até mesmo em outros momentos com Kamada nesta função. Tendo os dois meio-campistas centrais próximos, os alas dando amplitude e os atacantes por dentro, a estrutura ofensiva se desenha no 3-2-5.

A intenção é girar a posse para os corredores e através disso potencializar triangulações e, assim, gerar progressões por dentro ou fora no último terço. Além disso, o goleiro Suzuki também é importante em uma das variações na saída japonesa, explorando a bola longa no Ueda, que pelo alto pode gerar vantagens e manutenção de posse no ataque, podendo causar circunstância de 1×1.

Se defende em um 5-4-1, com os alas Nakamura e Sugawara fechando como laterais, Kamada e Tanaka fecham o entrelinha, além de Doan e Maeda cobrindo os corredores e apenas Ueda na primeira fase de marcação.

Um dos grandes problemas do Japão é quando o bloco fica médio/baixo, com os meio-campistas tendo dificuldades em manter compactação por dentro, podendo ser um caminho a ser explorado pelo Brasil (principalmente Bruno Guimarães e Lucas Paquetá).

A Seleção Japonesa dificilmente persiste em pressões com linhas mais altas, ou seja, deixa em diversos momentos os zagueiros adversários terem liberdade na construção e conduções até o meio-campo. Porém, o pós-perda japonês vem sendo muito eficaz nesta Copa do Mundo, principalmente quando perde a posse já no último terço ofensivo.

Por jogar em um contexto de 3-2-5 ou 3-6-1, com os alas bem agudos, o Japão sofre com transições rápidas pelos corredores, principalmente se a equipe adversária possuir pontas velozes e com boa capacidade de finalização. Summerville e Elanga, de Holanda e Suécia respectivamente, tiveram boas atuações contra os japoneses nesta Copa do Mundo e são exemplos deste contexto.

Além disso, o Japão também sofre com as bolas aéreas defensivas, e a Seleção Brasileira tem mais estatura do que os japoneses, podendo encontrar pelo alto o caminho da classificação às oitavas de final.

Destaque do Crystal Palace na última temporada europeia, o meio-campista é talvez o atleta mais importante do funcionamento ofensivo do Japão. Possui capacidade em ditar o ritmo através de conduções, passes progressivos e até mesmo pisando na área para finalizar, como no gol marcado contra a Tunísia. E não se limita apenas em atacar, já que sem bola fecha como volante, referenciando como um dos jogadores com mais recuperações de bola/desarmes da Seleção Japonesa.

Atualmente no Stade de Reims, da França, Keito Nakamura foi um dos melhores alas/laterais da fase de grupos desta Copa do Mundo. O jogador de 25 anos brilhou pela qualidade no 1×1 e também por não se limitar apenas em ir para linha de fundo durante as chegadas ao ataque, mas também conseguindo bons espaços para finalizar. Inclusive, balançou as redes contra a Holanda.

O ala japonês pode ser um perigo real ao Brasil caso fique livre em duelos individuais contra o lateral Danilo, que ainda passa uma certa insegurança sobre qual rendimento terá em duelos mais exigentes neste Mundial.

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