DA POSSE AO ATAQUE DIRETO: COMO FRANCLIM CARVALHO MUDOU O BOTAFOGO EM 2026
Analisamos o trabalho que está sendo desenvolvido pelo técnico português na equipe alvinegra nesta temporada
Depois do ano mágico de 2024, quando conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, o Botafogo apresentou uma queda de rendimento ao longo de 2025 e na primeira metade da temporada de 2026. No entanto, o Alvinegro vem mostrando evolução nas últimas partidas. A equipe já ocupa a sétima colocação da Série A e, pelo desempenho recente, tem potencial para subir ainda mais na tabela.
Após um início de temporada turbulento sob o comando de Martin Anselmi, o Botafogo mudou significativamente sua trajetória com a chegada de Franclim Carvalho.
Enquanto Anselmi buscava uma equipe de maior controle por meio da posse de bola, com saídas mais elaboradas e uma estrutura de três zagueiros — na qual o volante Newton era frequentemente utilizado na linha defensiva —, Franclim implementou um modelo mais vertical e direto.
OS PILARES DO MODELO DE JOGO DE FRANCLIM E A UTILIZAÇÃO DOS JOVENS DA BASE ALVINEGRA
A proposta atual prioriza acionar rapidamente os jogadores de frente, utilizando passes mais longos para Arthur Cabral receber de costas para o gol. Os meio-campistas Medina e Danilo Santos oferecem constante chegada ao último terço, permitindo que a equipe ataque com muitos jogadores ocupando a área adversária em pouco tempo.
Danilo Santos, inclusive, é uma das principais peças do sistema. Convocado para a seleção brasileira, o volante exerce papel fundamental na circulação de bola do Glorioso, destacando-se pelas inversões de jogo, principalmente para os laterais em ultrapassagem. Medina, por sua vez, atua de maneira mais associativa, priorizando passes curtos e verticais pelo corredor central.
Essa mudança de proposta também se reflete nos números de posse de bola. Após registrar médias superiores a 50% nas temporadas de 2024 e 2025, o Botafogo passou a ter cerca de 47% de posse em 2026. O menor tempo com a bola, entretanto, é compensado pela objetividade da equipe, que busca explorar a capacidade de Danilo Santos e Montoro para vencer duelos individuais e acelerar as transições. O argentino, em especial, costuma ganhar metros conduzindo a bola pelo centro do campo.
Outra diferença em relação às últimas temporadas é a presença de jovens formados nas categorias de base do clube. Huguinho e Gabriel Justino conquistaram espaço entre os titulares e vêm correspondendo às oportunidades.
Justino, por sinal, representa um caso interessante. Apesar da estatura considerada baixa para um zagueiro, com 1,84 m, compensa essa característica com excelente capacidade de defender grandes espaços. O defensor apresenta boa velocidade em deslocamentos de média distância, leitura rápida das jogadas e eficiência nas coberturas aos companheiros.
Huguinho, por sua vez, é um volante que não se destaca pela força física, mas pela mobilidade, especialmente em espaços curtos. Sua movimentação facilita a saída de bola da equipe, enquanto o bom tempo de entrada nas disputas e o entrosamento com Danilo Santos e Medina fortalecem o funcionamento do meio-campo.
Ainda é cedo para afirmar que o Botafogo voltará a disputar os principais títulos da temporada, sobretudo em razão da instabilidade política vivida pelo clube. No entanto, é inegável que as atuações recentes da equipe comandada por Franclim Carvalho são animadoras. O desempenho dos jovens revelados pela base, aliado ao alto nível apresentado por Danilo Santos, devolve ao torcedor alvinegro motivos para acreditar em um segundo semestre mais competitivo.

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