COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA O MARROCOS

O técnico Mohamed Ouahbi assumiu a equipe marroquina com o objetivo de ampliar o repertório ofensivo e tornar a Seleção protagonista neste Mundial

Por muito tempo, medir forças com Marrocos significou enfrentar uma equipe extremamente disciplinada e estrategicamente preparada. Essa característica ficou evidente durante a Copa do Mundo de 2022, quando a seleção africana surpreendeu o cenário internacional ao derrubar favoritos e alcançar, pela primeira vez, uma vaga entre os quatro melhores do torneio. O diferencial daquela campanha estava na inteligência coletiva e na forma como cada confronto era conduzido com precisão tática.

A base do sucesso era uma proposta de jogo bem definida. Antes de pensar em atacar, o time priorizava a proteção defensiva e a organização sem a bola. Nesse contexto, Sofyan Amrabat tornou-se uma peça fundamental, atuando como escudo à frente da defesa e reduzindo os espaços para os adversários. Mais atrás, o goleiro Bono teve atuações decisivas e foi um dos grandes destaques da competição. No setor ofensivo, a equipe aproveitava os momentos certos para acelerar e castigar rivais que, diante da forte resistência marroquina, acabavam se expondo em busca de soluções.

Entretanto, o êxito alcançado também trouxe novas exigências. Com o passar dos anos, a evolução técnica da geração marroquina elevou as expectativas dentro do país. Aos poucos, surgiu o entendimento de que o time possuía qualidade suficiente para oferecer algo além da consistência defensiva que o tornou famoso. A torcida passou a desejar uma seleção mais agressiva e dominante, capaz de controlar o ritmo das partidas, sufocar os adversários e assumir a iniciativa dos jogos com maior frequência.

Agora no comando de Mohamed Ouahbi, que foi campeão do Mundial sub-20 pelo Marrocos em 2025, a tendência é uma seleção marroquina mais impositiva, porém, ainda sim continua forte nas transições.

Marrocos vai jogar com uma estrutura base em um 4-2-3-1, variando para um 4-3-3. Abdessamad Ezzalzouli teve confirmada uma lesão no joelho direito após amistoso diante da Noruega e está fora da Copa do Mundo. Hakimi e Brahim Diaz são os principais nomes ofensivos, atuando no mesmo setor – o lado direito do ataque.

Busca se organizar em 4+3, com os dois zagueiros e laterais mais baixos, contando com o alicerce dos três meio-campistas centrais (Bouaddi, El Aynaoui e Ounahi). A ideia é ter a maior sustentação/segurança possível para ter a progressão de Hakimi pelo lado direito.

A outra variação é um 4+2, com a ausência de Ounahi, que fica como opção próximo ao último terço, deixando Bouaddi e El Aynaoui como apoios aos quatro defensores. Contra seleções mais frágeis vira um 3+1, com Hakimi dando amplitude pela direita, Mazraoui ficando na base com os dois zagueiros e El Aynaoui sendo o meio-campista para dar apoio aos defensores.

Os comandados de Mohamed Ouahbi se estruturam em fase ofensiva no 3-2-5, com ênfase as progressões de Hakimi, que se associa com Brahim Diaz e gera sequência pelo corredor ou por dentro do bloco adversário. Saibari, atua como falso 9, sendo móvel e versátil nessa linha de cinco jogadores a frente. Ounahi fica mais por dentro, potencializando articulação e entradas ao meio-espaço. Abdessamad Ezzalzouli (ou seu sucessor) fica mais pelo corredor esquerdo, gerando 1×1 a todo instante.

Há duas vertentes de como Marrocos se defende. Em bloco alto, encaixes organizados em um 4-2-3-1, potencializando os quatro jogadores de frente em busca de recuperar a bola no último terço. Em bloco médio/baixo, 4-4-2, que pode virar um 5-4-1, mas com mecanismos claros de maximizar transições rápidas e ferir as costas da última linha adversário (ponto positivo marroquino contra a Noruega, no último amistoso antes de encarar o Brasil).

Capitão da seleção marroquina e uma das principais lideranças da equipe, Achraf Hakimi, de 27 anos, se consolidou como um dos jogadores mais importantes da história recente do país. O lateral-direito chegou à equipe principal ainda muito jovem e rapidamente conquistou espaço entre os titulares, tornando-se presença constante nas principais competições internacionais e uma referência dentro e fora de campo.

Seu nome ganhou ainda mais destaque durante a histórica campanha do Marrocos na Copa do Mundo de 2022, quando a seleção alcançou o quarto lugar e registrou o melhor desempenho de uma equipe africana no torneio. Mais recentemente, Hakimi voltou a desempenhar papel fundamental na Copa Africana de Nações de 2025. Após uma decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) que alterou o resultado da final diante do Senegal, a seleção marroquina foi reconhecida como campeã da competição.

Aos 18 anos, Ayyoub Bouaddi é considerado uma das promessas mais interessantes de sua geração. Nascido em Senlis, na França, o meio-campista possui raízes familiares marroquinas, fator que lhe garantiu o direito de representar tanto a França quanto o Marrocos no cenário internacional. Essa dupla elegibilidade transformou o jogador em alvo de interesse das duas federações nos últimos anos.

Presença frequente nas seleções de base francesas, Bouaddi acumulou convocações nas categorias inferiores e chegou a atuar pela França em compromissos disputados neste ano. Apesar desse histórico, o jovem optou por seguir o caminho da seleção marroquina. A decisão foi influenciada pelo planejamento apresentado pela federação do país africano, que convenceu o atleta a apostar no projeto esportivo do Marrocos para sua carreira no futebol profissional.

Apesar da baixa idade, há duas temporadas é destaque do Lille, impressionando a todos com seu vigor físicos, ótimo mapeiamento para pressionar o portador da bola, além de ótimo senso de posicionamento para fechar o entrelinhas. Além disso, tem bom índice em passes progressivos na fase ofensiva, mesmo que não tenha muita frequência no último terço.

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