ATLÉTICO-MG X CRUZEIRO: O DUELO DE ESTILOS DE JOGO NA COPA DO BRASIL

O clássico mineiro coloca frente a frente duas equipes em ascensão, mas que apresentam diferenças em seus princípios de jogo

Iniciando a fase de quartas de final da Copa do Brasil, um dos maiores clássicos do país promete movimentar o estado de Minas Gerais. Atlético-Mineiro e Cruzeiro se enfrentam vivendo situações semelhantes. Ambas as equipes tiveram um começo de temporada complicado sob o comando de seus antigos treinadores, Tite e Sampaoli, respectivamente. Porém, após as chegadas de Eduardo Domínguez e Arthur Jorge, os dois times começaram a crescer na temporada.

Atualmente, ambos ocupam posições dentro da zona de classificação para a Libertadores no Campeonato Brasileiro e estão nas quartas de final da Copa do Brasil. O Galo ainda segue vivo na Copa Sul-Americana. Com modelos de jogo antagônicos, o confronto também promete ser interessante do ponto de vista coletivo.

COMO CHEGA O ATLÉTICO-MG PARA O CLÁSSICO

Após um início conturbado desde sua chegada, o argentino Eduardo Domínguez conseguiu encontrar seu melhor momento no Galo. O treinador também recuperou jogadores que vinham em baixa no elenco, como o extremo Bernard, que passou a ter grande relevância na criação das jogadas da equipe, atuando mais aberto pelo lado esquerdo, ao lado de Renan Lodi, que vem exercendo a função de ala.

Cassierra busca segurar os zagueiros adversários, protegendo bem a bola, enquanto Victor Hugo ocupa bem a área e realiza constantes infiltrações, buscando espaços para finalizar.

Sem Igor Gomes, a equipe mineira deverá apresentar dificuldades para circular a bola com a mesma fluidez. O ex-jogador do São Paulo oferece bom dinamismo ao ataque do Galo. Contudo, a entrada do recém-chegado Fred pode suprir bem essa ausência.

Outro detalhe que chama atenção é o posicionamento de Natanael. Em determinados momentos, o lateral deixa de atuar pelo corredor e passa a ocupar a função de terceiro zagueiro pelo lado direito.

A equipe mineira se destaca, sobretudo, pelo jogo sem bola. Com sete partidas sem sofrer gols nos últimos 11 duelos, o Galo utiliza uma estrutura defensiva que busca encurralar o portador da bola, utilizando todos os jogadores para defender. Nesse processo, os volantes possuem papel fundamental, principalmente na escolha do momento correto para saltar à pressão.

QUAIS SÃO AS FRAGILIDADES DO GALO DE EDUARDO DOMINGUEZ?

Desde a queda de rendimento de Hulk nos últimos meses, o Galo tem enfrentado dificuldades para estabelecer uma referência no ataque. Cassierra e Reinier ainda não conseguiram apresentar uma média elevada de gols. Além da dupla, Thiago Borbas foi contratado na última janela, mas ainda possui baixa minutagem no elenco.

A equipe mineira tem conseguido distribuir bem seus gols ao longo das partidas. Entretanto, a ausência de uma referência ofensiva mais consistente pode ser determinante em um confronto de mata-mata.

FIQUE DE OLHO: VICTOR HUGO (2005)

Após surgir bem no Flamengo, o meio-campista apresentou oscilações nos últimos dois anos de carreira, chegando a ser emprestado ao futebol turco. No Galo, porém, Victor Hugo reencontrou seu melhor nível.

Trata-se de um meia que possui forte presença na área adversária e consegue contribuir diretamente para a produção ofensiva da equipe. Victor também apresenta boa capacidade de finalização para os padrões da posição, além de participar ativamente do jogo.

COMO CHEGA O CRUZEIRO PARA O CLÁSSICO

Melhor equipe do Campeonato Brasileiro desde a chegada de Arthur Jorge, o Cruzeiro se destaca pela velocidade de seu ataque e pela capacidade de acelerar as transições assim que recupera a posse.

Kaio Jorge é responsável por atacar a última linha defensiva, buscando constantemente os espaços nas costas dos zagueiros. A equipe celeste também consegue circular a bola com velocidade, principalmente quando Gerson participa das transições.

Atuando em um 4-2-3-1, o time mineiro busca uma posse mais dinâmica, acionando principalmente os dois extremos, Wesley e Arroyo, em situações de um contra um. A Raposa também utiliza bem as movimentações de Gerson e Matheus Pereira para formar triângulos próximos aos corredores laterais e realizar trocas rápidas de passes.

Sem a bola, o Cruzeiro utiliza uma estrutura em 4-4-2, mas apresenta problemas para manter seus encaixes. Um dos principais pontos de dificuldade aparece quando Gerson é deslocado para o lado do campo pelos adversários, o que acaba desorganizando a estrutura defensiva.

Individualmente, Jonathan Jesus é quem mais chama atenção. O defensor de 22 anos apresenta bom senso de cobertura, encurtando bem os espaços após os laterais serem superados. Também demonstra agressividade para se antecipar às jogadas e buscar interceptações ou recuperações de bola.

QUAIS SÃO AS FRAGILIDADES DO CRUZEIRO DE ARTUR JORGE

A Raposa apresentou problemas defensivos principalmente nos duelos contra o Flamengo, sobretudo na proteção dos meio-espaços. Pedro explorou bem sua capacidade de jogar de costas e de realizar passes de primeira, utilizando as ultrapassagens no setor para criar vantagens.

Um exemplo disso aparece no gol de Samuel Lino. Para além desse lance, o Cruzeiro também demonstra dificuldades para manter seus encaixes, principalmente com Gerson em campo. O meio-campista acaba sendo atraído para o corredor lateral com facilidade, deixando Lucas Romero exposto pelo centro.

Ofensivamente, a equipe celeste apresenta dificuldades quando precisa sustentar posses mais longas. O jogo se baseia principalmente na capacidade de seus extremos no um contra um, sobretudo Arroyo. Quando os jogadores de lado não conseguem desequilibrar a defesa adversária, o Cruzeiro acaba mantendo uma posse muito concentrada na intermediária e passa a recorrer com frequência aos chutes de média distância.

FIQUE DE OLHO: OTÁVIO (2005)

O goleiro é um dos principais nomes da posição no Campeonato Brasileiro. Apesar da pouca idade, Otávio demonstra muita segurança debaixo das traves. Bem posicionado, consegue realizar defesas de alta complexidade sem depender de intervenções espetaculares.

Também apresenta bom desempenho em situações de um contra um. Costuma sair bem da meta para reduzir o espaço do atacante e espera a finalização para então reagir. Sua velocidade de reação é um dos principais diferenciais, realizando, em diversas ocasiões, o movimento de “X” para aumentar a área de cobertura diante do adversário.

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