O brasileiro que cuida de complexo esportivo da MLS

Responsável por uma função pouco conhecida por aqui, o brasileiro é uma peça importante para o andamento das atividades do FC Dallas na MLS

Sair do Brasil para estudar nos Estados Unidos é um sonho para muitos. Bruno Paschoalini demorou, mas conseguiu. Depois de fazer intercâmbio no país, ele decidiu, aos 30 anos, se aventurar e entrar em uma faculdade no Texas. A mudança de ares o tirou do escritório e o levou para os esportes. Após trabalhar diretamente ou indiretamente com três times de diferentes modalidades, ele acabou chegando no FC Dallas, clube de futebol que está na Major League Soccer desde 1996.

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No FCD, como é conhecido o clube, Bruno começou desempenhando a função de coordenador do complexo esportivo do time, mas um ano depois, em 2016, se tornou supervisor, função que ocupa até os dias atuais. Seu departamento é responsável por cuidar do Toyota Stadium, estádio do Dallas, e também dos 18 campos que o time possui na cidade de Frisco, onde os jogadores profissionais e da base treinam diariamente. As área ainda possuem centros comuns para torcedores e visitantes, além de lojas e restaurantes, que o brasileiro é responsável por gerenciar.

A função, pouco conhecida no Brasil, é bem popular nos Estados Unidos, onde os clubes possuem grandes complexos esportivos para treinamentos e também lazer. Bruno, por exemplo, é o responsável por auxiliar times visitantes na cidade, coordena atividades esportivas ou não no local, cuida das finanças do espaço, fiscaliza a concessão de espaços, entre outros muitos pontos abordados.

MLS
Bruno no Toyota Stadium, casa do FC Dallas, antes de uma partida (Foto: Arquivo Pessoal/Bruno Paschoalini)

Cuidar de um patrimônio na MLS fez com que Paschoalini tivesse uma visão diferente da liga. Para ele, o modelo de franquia adotado nos Estados Unidos é melhor do que o visto no Brasil. A instabilidade conhecida do futebol brasileiro, especialmente de uma gestão para outra, faz com que o modelo de empresas conhecido nos EUA seja reconhecido por ele.

“O Brasil ainda está inicializando a profissionalização nesta área. Nos Estados Unidos é mais justo. Você tem seu trabalho mantido por sua competência, por seus atributos. Se muda uma gestão no Brasil, talvez coloquem alguém menos capacitado no seu lugar só para agradar”, pontua Paschoalini.

“O modelo aplicado aqui beneficia muito mais o negócio, voltado para o business e menos para a competitividade, como na Europa ou na América do Sul. Aqui, terminou o ano, zera para o próximo e o trabalho é retomado”, completou o brasileiro que colocou o teto salarial como uma das coisas boas na MLS.

Leia mais: A chegada de Chicharito ao LA Galaxy completa um antigo sonho da MLS

Bruno vê a academia de jogadores do FC Dallas, em especial, como um “money maker“. Ou seja, é onde o clube faz seu dinheiro e consegue muita renda. Atualmente, o FCD possui 13 jogadores de sua base no elenco principal, com destaque para o defensor Reggie Cannon, os meio-campistas Paxton Pomykal e Brandon Servania, e o atacante Jesús Ferreira. Paschoalini ainda aponta dois jogadores promissores, na sua opinião: os americanos Tanner Tessmann e Thomas Roberts.

Há também o contato com outros brasileiros, claro. Atualmente, o elenco do FC Dallas conta com o zagueiro Bressan (ex-Grêmio) e o volante Thiago Santos (ex-Palmeiras), e disse que eles são apenas elogios ao estilo de vida americano.

Paschoalini na apresentação do volante Thiago Santos, ex-Palmeiras (Foto: Arquivo Pessoal/Bruno Paschoalini)

“Eles gostam porque não há pressão exagerada [da torcida], acabou o jogo, eles vão para o vestiário, pegam o carro seguem para casa. Também não tem concentração, então o jogador almoça em casa e depois vai para o estádio”, afirma Bruno.

Podcast: The Pitch Invaders #163 | A Major League Soccer

A MLS, conhecida aqui no Brasil como uma liga menor, muitas vezes desmerecida por ser “de aposentados”, vem ganhando mais atenção dos brasileiros. E eles fazem o campeonato crescer não apenas em campo, mas também fora dele, atrás das câmeras, como é o caso de Bruno. Ele prova que a Major League Soccer é uma liga que abraça a todos.

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