Sampaoli no Atlético/MG: o que esperar?

O argentino Jorge Sampaoli chega no Galo com a expectativa de brigar por títulos, mas como suas ideias podem encaixar no atual elenco?

Nos últimos cinco anos, o Atlético/MG teve dez treinadores. Uma média de seis meses para cada um. A última vítima desta fritura foi Rafael Dudamel. Com menos de dois meses, o venezuelano foi demitido e já tem seu substituto: Jorge Sampaoli. Depois das passagens de Diego Aguirre, Marcelo Oliveira, Roger Machado, Rogério Micale, Oswaldo de Oliveira, Thiago Larghi, Levir Culpi, Rodrigo Santana, Vagner Mancini e Dudamel; há um caminho?

Dentro desta realidade do campo – e quanto a parte financeira, sugiro a leitura de Rodrigo Capelo sobre o assunto clicando aqui -, não me parece que haja uma coerência de escolhas recentes. Entretanto, é possível enxergar algumas peças que, a partir do que acompanhamos de Jorge Sampaoli na carreira, podem ser potencializadas. A questão sempre será a mesma: a direção terá calma?

A formação ideal de Jorge Sampaoli

A primeira coisa que precisamos entender. O argentino não é um treinador que se apega numa equipe ideal que será utilizada ao longo de todas as rodadas. Da mesma forma que não existe um esquema tático que possa “chamar de seu”. Em todo seu período como treinador, já foi possível acompanhar o 4-3-3, 3-5-2, 3-4-3, 5-3-2 e outras variáveis. Cada jogo é um jogo.

Buscando alguns números de sua passagem pelo Santos, um de maneira específica chamou minha atenção – e desde já agradeço ao Eder Traskini por isso – que foram as vezes em que Sampaoli repetiu a escalação de maneira seguida: apenas em dois momentos. Ou seja, o torcedor do Galo já pode se acostumar com esta situação.

A saída de bola

Ninguém esquece da “polêmica” decisão do argentino ao pedir a contratação de Everson para revezar com Vanderlei – até então um dos melhores goleiros do Brasileirão – por ter um jogo mais qualificado com os pés. No início, divisão na titularidade, após a metade da temporada, o ex-Ceará assumiu a função. As equipes de Sampaoli necessitam de um goleiro que saiba utilizar os pés. Não é uma questão de “fetiche”, mas necessidade para ampliar os leques na saída de bola.

O goleiro será muito importante para ajudar na saída de 3 e criar linhas de passe

A partir do primeiro passe do goleiro, os zagueiros também tem uma função construtora: seja carregando a bola ou buscando passes que quebrem a primeira linha adversária (geralmente os atacantes) e assim acelerando a equipe. No caso da utilização dos três defensores, há uma pequena brecha para um deles ser o jogador da sobra e “quebrar mais a bola” e ter ações mais defensivas.

Abrir o campo com laterais ou extremas

Jorge Sampaoli é um adepto do Jogo de Posição. Cada jogador tem uma posição (e função, claro) bem definida em cada momento do jogo. Por isso, quero me apegar na questão do posicionamento. Em todas as sua equipes, ele sempre gostou de “abrir o campo”. O que isso significa? Ter jogadores colados na linha lateral para assim criar espaço para passes por dentro e que estes atletas esperem o momento certo de receber a bola em vantagem contra o defensor.

Esta amplitude pode ser gerada de duas formas pelo que acompanhamos nos últimos anos. No Santos, Soteldo e Marinho eram os encarregados de esperar nestas posições para receberem sempre no confronto de 1×1 e, na maioria das vezes, se saiam melhor pela capacidade de drible. Se puxarmos a Seleção do Chile, tínhamos Beausejour e Isla abrindo o campo para o meio-campo (Díaz, Vidal, Aránguiz e Valdívia) dominar as partidas.

Sampaoli
A amplitude pode ser dada com os extremas, laterais ou até mesmo ambos. De qualquer forma, Sampaoli sempre quer jogadores pisando na linha lateral

O Atlético/MG possui jogadores revezar essa função. Guga e Guilherme Arana são ótimos atuando por dentro e podem agregar bastante – é verdade que Dudamel chegou a ensaiar algo neste sentido, inclusive -, enquanto mais a frente temos Marquinhos e Savarino como expoentes de um jogo com bastante velocidade e dribles. Nada que impeça a dupla de laterais de buscar o jogo por fora e os extremas estarem mais próximos do nove.

A busca de Sampaoli por meio-campistas completos

No trecho acima, acabamos de citar um quarteto bastante complementar em características. É isto que Sampaoli gosta em seus times. O seu “camisa 5” precisa ser um homem de bom passe, mas também ter altura para disputar a primeira bola pelo alto. No Santos, tinha Diego Pituca. No Sevilla, por exemplo, era N’Zonzi.

As trocas de passe constante precisam dos meio-campistas para fazer a ligação entre laterais e extremas com pequenos triângulos

A sua dupla de “interiores” precisa saber fazer um pouco de tudo. Caso não seja possível, um pode ajudar mais no controle da bola e o outro ser um jogador mais infiltrador, atacador de espaço e que entre na área adversária para marcar gols.

Pegando o elenco do Atlético/MG vejo alguns atletas com potencial para assumirem as devidas posições: Jair, Allan e Hyoran/Otero. A questão agora é o básico: aguardar as atividades para ver o que pensa Sampaoli.

Existe ainda Gustavo Blanco, um jogador bastante completo pelo meio e que, com ritmo e 100% saudável fisicamente, certamente deve estar entre as principais peças. Uma última possibilidade seria transformar Cazares nesta peça.

Jogar com ou sem centroavante?

Com exceção da Seleção do Chile, por falta de peças, e Santos, apesar do pedido de Uribe, foram poucas as vezes que Sampaoli jogou sem um centroavante. Não precisa ser daqueles homens apenas definidores ou pivô, mas sim alguém que tenha a capacidade para fazer desmarques curtos atrás da defesa e possa dar continuidade a jogadas.

Nesta posição, confesso estar bastante curioso pela utilização de Di Santo, um centroavante que busca mais o pivô e finalizações, ou Ricardo Oliveira, que não tem mais a intensidade pedida para pressionar a saída de bola adversária.

Por fim, não duvido da utilização de Diego Tardelli na posição, caso Sampaoli não queira utilizar este centroavante um pouco mais físico.

Pressão, pressão, pressão…

Uma palavra de ordem em suas equipes é tentar sufocar os adversários para não deixar a saída de bola tranquila e, assim, roubar o mais próximo do gol adversário para marcar. É bem verdade que no Brasil são mais viagens, jogos e climas diferentes; o que pode dificultar a situação. Mas a pressão pós-perda é uma questão fundamental em seus times.

Na prática, os conceitos de Jorge Sampaoli dentro de campo

Pergunta ao leitor

O futebol não é feito de certezas. Afinal, não é uma ciência exata. É possível termos trabalhos de longo prazo que nunca darão certo ou equipes com 3 meses conquistando diversos títulos. A questão é que Sampaoli já nos mostrou diversas vezes ser um treinador diferente e que pode alçar voos maiores. A curiosidade logo bate para saber como será o tempo do treinador no Galo.

E vocês, como imaginam a equipe do Atlético/MG escalada por Jorge Sampaoli? Deixem nos comentários e vamos conversar sobre as possibilidades.

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Gabriel Corrêa

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